Clint Eastwood, ícone do cinema americano com mais de seis décadas de carreira, raramente critica publicamente trabalhos de outros cineastas. O ator e diretor, vencedor de quatro Oscars, costuma respeitar o esforço envolvido na produção de qualquer filme. No entanto, em entrevistas ao longo dos anos, ele fez exceções e apontou quatro longas considerados clássicos que, segundo ele, não merecem o status que receberam.
As críticas vão desde motivos pessoais até questões técnicas e de roteiro. Os filmes citados pertencem a diretores consagrados como Stanley Kubrick, Akira Kurosawa e John G. Avildsen. Eastwood chegou a classificar uma das obras como “fracasso colossal” e outra como “ridícula”.
Motivo pessoal por trás de Karate Kid
O rancor de Eastwood com Karate Kid (1984), dirigido por John G. Avildsen, tem origem fora das telas. O cineasta recebeu proposta para dirigir o filme que lançou Ralph Macchio ao estrelato.
Ele aceitou o projeto com uma única condição: seu filho Kyle Eastwood interpretasse o protagonista Daniel LaRusso. A Columbia Pictures recusou o pedido, e Eastwood abandonou a produção imediatamente.
O diretor guardou mágoa tão grande que, segundo a ex-companheira Sandra Locke, proibiu produtos da Coca-Cola em casa por anos. Na época, o estúdio pertencia ao grupo que controlava a marca de refrigerantes.
Críticas pesadas a O Iluminado de Kubrick
O Iluminado (1980), adaptação de Stanley Kubrick para o romance de Stephen King, é outro alvo declarado de Eastwood. O filme, lançado como grande produção de terror, decepcionou o diretor de Os Imperdoáveis.
Eastwood declarou que o longa “não tem nada de assustador”. Ele ironizou a cena da morte de Dick Hallorann, personagem de Scatman Crothers, chamando-a de “morta e enterrada”.
O cineasta afirmou ainda que, se o diretor não fosse Kubrick, “teriam bombardeado o prédio inteiro”. Ele resumiu a obra em seis palavras: “Foi um fracasso colossal”.

Rejeição a filme premiado de Kurosawa
Dersu Uzala (1975), de Akira Kurosawa, venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1977. Apesar da admiração pública de Eastwood pelo diretor japonês, o longa é exceção em sua filmografia preferida.
Eastwood reconhece uma sequência bonita com vento forte na neve. Mesmo assim, classificou o filme inteiro como “terrível”.
A crítica surpreende porque Kurosawa inspirou diretamente a carreira de Eastwood. O clássico Yojimbo (1961) serviu de base para Por um Punhado de Dólares (1964), primeiro grande sucesso do ator no western spaghetti.
Desprezo por faroeste com Brando e Nicholson
As Rupturas do Missouri (1976), dirigido por Arthur Penn, reuniu Marlon Brando e Jack Nicholson pela única vez. O faroeste, gênero onde Eastwood é referência absoluta, recebeu duras palavras do cineasta.
Ele chamou o roteiro de “ridículo” e disse que o filme não funcionou nem na época do lançamento. Eastwood culpou parcialmente Brando pela qualidade final.
Segundo o diretor, o ator tratou as filmagens como férias prolongadas. O longa fracassou em bilheteria e só foi reavaliado décadas depois por críticos.
Carreira marcada por sucessos e poucas críticas
Clint Eastwood dirigiu 40 filmes e atuou em mais de 70 ao longo da carreira. Entre seus maiores sucessos estão Million Dollar Baby (2004) e Menina de Ouro, ambos premiados com Oscar de Melhor Filme.
Aos 95 anos, ele mantém rotina ativa atrás das câmeras. Seu último trabalho, Juror #2, estreou em 2024 e recebeu avaliações positivas da crítica especializada.
Eastwood raramente fala mal de colegas, o que torna essas quatro exceções ainda mais marcantes. As declarações foram feitas em entrevistas esparsas ao longo de décadas e ganharam nova repercussão recentemente.
Legado de um ícone que não mede palavras
O diretor construiu imagem de homem direto e sem papas na língua. As críticas aos quatro filmes mostram que, mesmo diante de obras aclamadas, ele mantém opinião própria.
Karate Kid gerou franquia bilionária e série de sucesso na Netflix. O Iluminado é considerado um dos maiores terrores da história do cinema.
Dersu Uzala e As Rupturas do Missouri ganharam status cult com o passar dos anos. Mesmo assim, para Eastwood, permanecem na lista de produções que preferiria nunca ter assistido.
- Quatro críticas feitas em momentos diferentes da carreira
- Motivos vão de questões pessoais a problemas de roteiro e direção
- Filmes pertencem a diretores lendários do cinema mundial
- Declarações voltam à tona periodicamente em veículos especializados


