Detalhe raro: Alexandre Nardoni chora pela primeira vez em cela de Tremembé

Redação
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Detalhe raro: Alexandre Nardoni chora pela primeira vez em cela de Tremembé

Acir Filló, ex-prefeito e jornalista, autor do livro Diário do Tremembé – O Presídio dos Famosos, divulgou detalhes inéditos sobre a rotina de Alexandre Nardoni na Penitenciária II de Tremembé, no interior de São Paulo. O episódio ocorreu em 2018, quando se completavam dez anos da morte de Isabella Nardoni, filha de cinco anos do condenado, assassinada em 2008. Filló, que cumpria pena no mesmo local por fraudes em recursos públicos, descreveu o momento em entrevista recente.

Nardoni, condenado a 31 anos e dois meses de prisão por homicídio qualificado, aproximou-se de Filló no pavilhão 1 da unidade. Ele solicitou materiais sobre o caso que o levou à prisão.

Dias após receber revistas e reportagens, Nardoni deparou-se com a imagem de Isabella sorrindo na capa de uma publicação.

A reação marcou a primeira vez que Filló observou lágrimas no ex-engenharia, que emitiu um abraço breve.

Encontro que mudou a dinâmica na prisão

Filló relatou que Nardoni mantinha interações reservadas, evitando contato visual direto com outros detentos.

O gesto de compartilhar materiais jornalísticos abriu espaço para conversas mais profundas entre os dois.

Essas trocas resultaram em relatos incluídos na obra de Filló, que registra experiências no presídio conhecido por abrigar condenados de alta repercussão.

A proximidade permitiu que Filló coletasse depoimentos para o livro, lançado em 2019.

Contexto do presídio e o caso Nardoni

A Penitenciária II de Tremembé ganhou notoriedade por receber figuras como Nardoni, os irmãos Cravinhos e Elize Matsunaga.

Construída em 1998, a unidade tem capacidade para cerca de 1.600 internos e registrou superlotação em diversos períodos, com taxa média de ocupação acima de 150% nos últimos anos, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional.

Nardoni chegou ao local em 2010, após condenação em segunda instância pelo assassinato da filha, jogada do sexto andar de um edifício em São Paulo.

O crime envolveu asfixia prévia e ocultação de provas, com participação de Anna Carolina Jatobá, madrasta da vítima, condenada a 26 anos e oito meses.

Ambos progrediram para regime semiaberto em 2017 e aberto em 2023, conforme progressão de pena.

Detalhes do livro Diário do Tremembé

A obra de Filló descreve o cotidiano da prisão com base em observações pessoais.

  • Inclui relatos de interações com detentos como Roger Abdelmassih, condenado por estupros.
  • Registra frases atribuídas a Nardoni, como negação de autoria no crime.
  • Aborda dinâmicas de convivência, incluindo auxílios mútuos em atividades internas.
  • Menciona reconstruções de crimes por meio de maquetes improvisadas.

O livro enfrentou questionamentos judiciais logo após o lançamento, levando à suspensão de circulação.

Situação atual de Nardoni após a prisão

Alexandre Nardoni reside em São Paulo desde maio de 2024, em imóvel familiar, sob regime aberto.

Ele mantém atividade como auxiliar de serviços gerais, registrada na Junta Comercial do estado.

O cumprimento inclui comparecimentos mensais à Justiça e proibição de viagens sem autorização.

Filló, liberado em agosto de 2025 após quase nove anos de detenção, segue processo em liberdade por lavagem de dinheiro.

Impacto da série Tremembé no interesse público

A produção do Prime Video, lançada em 31 de outubro de 2025, retrata rotinas no presídio com base em casos reais.

Lucas Oradovschi interpreta Nardoni, enquanto Bianca Comparato vive Jatobá.

A série inspirou-se em livros de Ullisses Campbell e consultorias de ex-detentos, incluindo Filló.

Episódios mostram interações entre condenados, como conversas entre alas masculina e feminina.

A estreia gerou debates sobre representação de crimes em ficção, com audiência inicial superior a 2 milhões de visualizações globais na primeira semana.

A obra de Filló aparece em cenas de redação interna, reacendendo discussões sobre sua proibição.

Decisão judicial sobre a obra de Filló

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve, em 2020, a proibição de venda do livro em segunda instância.

A medida visa proteger a imagem de detentos citados, sem comprovação de autorizações para todos os relatos.

A defesa recorreu ao Supremo Tribunal Federal, alegando violação à liberdade de expressão.

Em 2019, a juíza Sueli Armani determinou a retirada de exemplares de circulação e transferência de Filló para outra unidade.

A proibição persiste, apesar de precedentes como liberação de biografias de presos famosos.

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