FILE PHOTO: Britain’s Prince Andrew leaves Westminster Abbey following the coronation ceremony of Britain’s King Charles and Queen Camilla, in London, Britain May 6, 2023. REUTERS/Toby Melville/Pool/File Photo
Rei Charles III iniciou processo formal para retirar títulos e honrarias do irmão Andrew nesta quinta-feira, 30 de outubro de 2025, em Londres. A decisão afeta o ex-príncipe, de 65 anos, devido a associações com Jeffrey Epstein, financista condenado por tráfico sexual. Buckingham Palace notificou Andrew para deixar a Royal Lodge, mansão de 30 cômodos no condado de Berkshire.
O comunicado oficial destaca que as medidas visam preservar a integridade da monarquia britânica. Andrew, segundo filho da rainha Elizabeth II, passará a ser chamado apenas de Andrew Mountbatten Windsor. Ele se mudará para acomodações privadas no domínio de Sandringham, no leste da Inglaterra.
A ação ocorre enquanto Charles segue tratamento para câncer diagnosticado em fevereiro de 2024. Especialistas em assuntos reais apontam que a medida reforça a separação da família de controvérsias passadas.
Laços com Epstein impulsionam medidas reais
A proximidade de Andrew com Epstein ganhou destaque após publicações recentes de correspondências de 2011. Nesses documentos, Andrew sugeria manter contato próximo com o financista, já então investigado por abusos.
Epstein, que se suicidou em 2019 enquanto aguardava julgamento, conectou Andrew a alegações de conduta inadequada. Apesar das negações de Andrew, o caso ganhou força com o acordo extrajudicial de 2022 envolvendo Virginia Giuffre, uma das vítimas, que faleceu em abril de 2025.
O Palácio de Buckingham enfatizou solidariedade às vítimas de abusos. A família real busca mitigar danos à imagem institucional, conforme fontes próximas.
Histórico militar e diplomático de Andrew
Andrew serviu como oficial da Marinha Real durante a Guerra das Malvinas, em 1982, pilotando helicópteros antissubmarino. Sua atuação rendeu reconhecimento inicial como figura pública respeitada.
Em 2011, ele abandonou o cargo de embaixador comercial do Reino Unido após críticas a suas amizades internacionais. O episódio marcou o início de questionamentos sobre seu julgamento em assuntos diplomáticos.
Dois anos depois, em 2019, Andrew suspendeu deveres reais públicos. A decisão veio em meio a uma entrevista televisiva onde ele defendeu sua relação com Epstein, o que ampliou o escrutínio público.
Acordo judicial e repercussões financeiras
Virginia Giuffre acusou Andrew de abuso sexual quando ela tinha 17 anos, em processo movido em 2021 nos Estados Unidos. O caso terminou com pagamento confidencial de Andrew, estimado em milhões de libras, sem admissão de culpa.
Relatos indicam que Andrew investiu cerca de 7,5 milhões de libras em reformas na Royal Lodge desde 2002. No entanto, ele não arcou com aluguéis por duas décadas, conforme contratos revisados pelo palácio.
- Pagamento a Giuffre: valor não divulgado, mas fontes apontam para 12 milhões de libras.
- Reformas na mansão: financiadas privadamente, sem reembolso real.
- Custos de manutenção: transferidos para contribuintes até a notificação de saída.
Um comitê parlamentar britânico questionou na quarta-feira, 29, a permanência de Andrew na propriedade pública.
Apoio familiar à decisão de Charles
Fontes do palácio confirmam que Charles consultou membros da família antes da ação. O príncipe William, herdeiro do trono, manifestou concordância plena com as medidas.
A rainha Camilla e outros parentes próximos endossaram o passo, visando estabilidade institucional. Andrew, isolado desde 2022, perdeu patronatos militares e honras como Cavaleiro da Ordem da Jarreteira.
O processo usa prerrogativa real, evitando intervenção legislativa. Isso permite remoção rápida de títulos sem debate no Parlamento, focado em questões nacionais urgentes.
Mudança para Sandringham e futuro incerto
Andrew deve transferir-se para uma casa no domínio de Sandringham, propriedade real em Norfolk. A relocação, financiada privadamente, ocorre em semanas, segundo o comunicado.
A Royal Lodge, construída em 1679, serviu como residência de rainhas consortes no passado. Sua liberação abre espaço para uso oficial da coroa.
O ex-duque de York, agora sem privilégios, mantém negação das acusações. Ele reside com ex-esposa Sarah Ferguson, que não comentou publicamente.
Precedentes na monarquia britânica
Em 1936, o rei Edward VIII abdicou para casar com Wallis Simpson, divorciada. Ele reteve título de duque de Windsor, mas foi exilado socialmente da família.
Casos semelhantes, como o de Wallis, ilustram como monarcas priorizam a instituição sobre laços pessoais. Especialistas comparam a ação de Charles a essas intervenções históricas para preservar legitimidade.
Andrew, nascido em 1960, viu sua trajetória invertida de herói de guerra a figura controversa. A decisão de 2025 marca capítulo definitivo em sua associação real.

