3IATLAS – Foto: Jack_the_sparow/Shutterstock.com
A Nasa acionou um protocolo de defesa planetária após detectar um comportamento incomum do cometa interestelar 3I/ATLAS, descoberto em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS, no Chile. O objeto, que apresenta uma composição química atípica, dominada por dióxido de carbono, está em trajetória hiperbólica e alcançará o periélio em 29 de outubro de 2025. A Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN) anunciou um exercício de treinamento para monitorar sua órbita entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. A ação busca prever com precisão o trajeto do cometa, que viaja a mais de 210 mil km/h.
O cometa, possivelmente o mais antigo já observado, com mais de sete bilhões de anos, tem intrigado cientistas. Observações do Telescópio Espacial James Webb revelaram uma concentração de dióxido de carbono oito vezes superior à de água, algo inédito em cometas. A IAWN destacou a necessidade de medições precisas para entender os “desafios únicos” do 3I/ATLAS.
- Composição química dominada por CO₂, com proporção atípica em relação à água.
- Núcleo estimado entre 320 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro.
- Trajetória hiperbólica indica origem fora do Sistema Solar.
Descoberta e características únicas
O 3I/ATLAS foi identificado pelo sistema ATLAS, no Chile, e confirmado como interestelar por sua velocidade e órbita. Sua coma, composta majoritariamente por dióxido de carbono, surpreendeu pesquisadores, que esperavam maior presença de água.
A análise do James Webb revelou emissões de água a mais de 450 milhões de quilômetros do Sol, um comportamento incomum. O núcleo sólido do cometa também indica alta atividade química, mesmo a grandes distâncias.
Monitoramento intensivo
A Nasa coordena esforços globais para rastrear o cometa, com foco em sua trajetória imprevisível. O exercício da IAWN, previsto para iniciar em 27 de novembro, envolverá telescópios de todo o mundo.
O objetivo é refinar cálculos orbitais e garantir que o cometa não represente riscos. A velocidade elevada dificulta a coleta de dados detalhados.
O cometa passará pelo periélio em 29 de outubro, o que intensifica a urgência das observações. A Nasa ainda não confirmou se há possibilidade de colisão com a Terra.
Origem extrassolar confirmada
O 3I/ATLAS é um raro visitante interestelar, com origem fora do Sistema Solar. Modelos computacionais sugerem que ele tem mais de sete bilhões de anos, superando a idade do próprio Sistema Solar, estimada em 4,6 bilhões de anos.
Estudos indicam que o cometa pode ter se formado em um sistema estelar distante, viajando pelo espaço interestelar por bilhões de anos antes de entrar em nossa vizinhança cósmica. Sua composição química oferece pistas sobre a formação de sistemas planetários em outras regiões do universo.
Desafios para os cientistas
A velocidade do cometa, superior a 210 mil km/h, exige equipamentos de alta precisão para acompanhamento. O Telescópio Espacial James Webb tem sido fundamental para captar dados sobre sua composição.
A concentração de dióxido de carbono, seis vezes acima do esperado, levanta questões sobre os processos químicos em cometas interestelares. Pesquisadores correm contra o tempo para decifrar essas propriedades antes que o cometa se afaste.
A análise contínua pode revelar mais sobre a origem e a evolução do 3I/ATLAS. Dados coletados até o periélio serão cruciais para os estudos.
Próximos passos da pesquisa
A comunidade científica aguarda os resultados do exercício da IAWN, que pode esclarecer a trajetória do cometa. Novas observações estão programadas até janeiro de 2026, com telescópios em solo e no espaço.
Impacto para a ciência espacial
O estudo do 3I/ATLAS oferece uma oportunidade única para entender objetos interestelares. Sua composição e idade sugerem que ele carrega informações sobre os primórdios do universo, antes mesmo da formação do Sistema Solar.

