Domingo, 4 de outubro de 2026
Goiás

Metade das vendas do atacado da região da 44 já acontecem na internet; lojas disputam cliente com Shein e Shopee

Metade das vendas
Metade das vendas do atacado da região da 44 já acontecem na internet; lojas disputam cliente com Shein e Shopee

Além disso, metade das vendas do atacado da Região da 44 já começa ou termina no celular. Dessa forma, A estimativa da Associação Empresarial da Região da 44 (AER-44) revela uma transformação que muda o debate sobre a concorrência com Shein, Shopee e AliExpress: o comerciante goiano não disputa mais o consumidor internacional apenas no balcão, porque também vende pelo WhatsApp, redes sociais e outros canais digitais.

Com isso, O polo movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano e reúne aproximadamente 13 mil pontos de venda e 2,6 mil feirantes, segundo estimativas da entidade. Nesse sentido, seis representantes do comércio e da indústria ouvidos pelo Mais Goiás mostram que a nova fronteira dessa disputa está na tela do celular — e que digitalizar a venda não elimina as diferenças de escala, tributação e custos entre uma empresa instalada no Brasil e uma plataforma global.  Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Metade das vendas continuam sendo acompanhados com atenção.

Portanto, A dimensão econômica ultrapassa as lojas. Dados divulgados pelo Governo de Goiás apontam comercialização de aproximadamente 280 milhões de peças produzidas em 30 municípios goianos e 50 mil empregos diretos ligados ao polo, além de 160 mil indiretos. Em seguida, O fluxo supera 260 mil visitantes por semana e abastece compradores de todas as regiões brasileiras.  Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de Metade das vendas nos últimos dias.

Metade das vendas: WhatsApp virou balcão de atacado

De acordo com as apurações, no atacado da 44, cerca de 50% das vendas são originadas ou concluídas por relacionamento digital direto, principalmente aplicativos de mensagens, segundo a AER-44. Por outro lado, outros 5% passam por marketplaces e aproximadamente 45% permanecem presenciais, sobretudo nas compras realizadas por caravanas e clientes que viajam até Goiânia. Vale destacar que no varejo, a dinâmica muda: mais de 80% das vendas ainda ocorrem presencialmente.  Especialistas destacam que novas atualizações sobre Metade das vendas devem surgir em breve.

Metade das vendas
Sérgio Naves, presidente da AER-44, aponta impactos da isenção sobre a competitividade do comércio e da indústria da moda na Região da 44. (Foto: Divulgação)

Sendo assim, para Sérgio Naves, presidente da AER-44, WhatsApp e outros canais de relacionamento se transformaram em “verdadeiros balcões digitais”. Além disso, A associação trabalha, inclusive, na construção de um marketplace próprio para o polo, ainda em fase embrionária. Dessa forma, O projeto pretende integrar marcas, compradores, logística, pagamentos e relacionamento comercial em uma mesma estrutura.  Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Metade das vendas continuam sendo acompanhados com atenção.

A digitalização, entretanto, não impediu a pressão sobre preços. Com isso, levantamentos internos da AER-44 realizados em maio, junho e julho indicam que empresários reduziram entre 3% e 10% os valores finais em diferentes segmentos para preservar competitividade, segundo a entidade. Naves afirma que o primeiro efeito pode aparecer menos no faturamento e mais na margem de lucro.  Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de Metade das vendas nos últimos dias.

Venda digital avança, mas produção goiana mantém peso no polo

Movimentação de consumidores na Região da 44, um dos principais polos de moda e comércio atacadista de Goiás. (Foto: AER-44)
Movimentação de consumidores na Região da 44, um dos principais polos de moda e comércio atacadista de Goiás. (Foto: AER-44)

A digitalização também avança dentro dos centros comerciais da Região da 44. No Shopping Gallo, que reúne 300 lojas e recebe aproximadamente 290 mil pessoas por mês, 60% das vendas ainda ocorrem nas lojas físicas e 40% pelos canais digitais, segundo o superintendente Chrystiano Câmara. Em algumas operações, a divisão já chega a 50% para cada modalidade. O dado mostra que a concorrência com as plataformas internacionais ocorre cada vez mais no mesmo ambiente em que os comerciantes goianos passaram a buscar seus clientes.

A transformação do canal de venda, porém, não retirou o peso da produção local. Câmara estima que cerca de 80% das operações do Gallo comercializem produtos fabricados em Goiás. “A roupa tem uma experiência com o comprador. Ele toca no tecido, vê o nível da costura, prova a peça”, afirma. Segundo ele, os lojistas têm investido em qualidade e preço para disputar mercado com os importados.

O mesmo movimento aparece no Mega Moda, que informa reunir mais de 1.200 lojistas e cerca de mil fabricantes, além de receber aproximadamente 10 milhões de clientes por ano. O complexo ainda não possui um percentual consolidado das vendas realizadas fora das lojas, mas registra crescimento do WhatsApp e das redes sociais como canais de relacionamento e comercialização.

Vista aérea da Região da 44, em Goiânia, com centros comerciais que integram um dos principais polos de moda e atacado de Goiás. (Foto: Shopping Gallo)
Vista aérea da Região da 44, em Goiânia, com centros comerciais que integram um dos principais polos de moda e atacado de Goiás. (Foto: Shopping Gallo)

Paula Sepúlveda, gerente de Marketing do Mega Moda, cita ainda o Telemoda, serviço que conecta compradores diretamente aos lojistas dos três empreendimentos do grupo. Na avaliação dela, moda feminina, acessórios, fitness, peças básicas e fast fashion estão entre os segmentos mais expostos às plataformas internacionais, principalmente pela facilidade de comparação de preços, tendências e variedade.

“O consumidor deve ter acesso a preços competitivos e variedade, mas é fundamental que exista isonomia nas regras”, afirma Sepúlveda. Para ela, o caminho da produção goiana passa por combinar preço com qualidade, inovação e capacidade de entrega, enquanto os lojistas ampliam a presença nos mesmos canais digitais utilizados pelos concorrentes internacionais.

Atrás da tela há uma indústria

Edilson Borges, presidente da Casmoda/Fieg, alerta para os impactos da concorrência internacional sobre a indústria da moda em Goiás. (Foto: Divulgação)
Edilson Borges, presidente da Casmoda/Fieg, alerta para os impactos da concorrência internacional sobre a indústria da moda em Goiás. (Foto: Divulgação)

A mercadoria vendida pela internet na Região da 44 também sustenta uma cadeia industrial. Edilson Borges, presidente da Câmara Setorial da Moda da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Casmoda/Fieg), representa o elo entre o comércio e as confecções. A própria Casmoda reúne associações, sindicatos, universidades e outras instituições relacionadas ao segmento, segundo a Agência Sebrae de Notícias. 

Para Borges, a discussão sobre competitividade precisa alcançar toda a cadeia que antecede a venda. A indústria goiana tenta reduzir custos, aumentar produtividade e acompanhar tendências enquanto disputa mercado com produtos fabricados em escala global. O setor tem buscado tecnologia, qualificação e integração entre indústria e comércio como resposta à mudança do consumo.

Disputa ultrapassa a moda

Marisa Carneiro, presidente do Sindilojas-GO, avalia os impactos da concorrência das plataformas internacionais sobre o varejo goiano. (Foto: João Augusto)
Marisa Carneiro, presidente do Sindilojas-GO, avalia os impactos da concorrência das plataformas internacionais sobre o varejo goiano. (Foto: João Augusto)

A presidente do Sindilojas-GO, Marisa Carneiro, amplia a discussão para outros segmentos. Segundo ela, associados relatam perda de vendas e a concorrência das plataformas internacionais já alcança roupas, acessórios, calçados, eletroeletrônicos, ferramentas, utilidades domésticas, brinquedos e artigos de armarinho.

O Sindilojas ainda não dispõe de levantamento que compare, produto a produto, os custos de uma mercadoria vendida por uma empresa goiana e os de outra adquirida diretamente do exterior. Marisa considera, neste momento, mais provável que empresas adiem a criação de vagas do que promovam uma redução imediata generalizada dos quadros. “Existe o risco de fechamento de postos de trabalho, mas o mais provável neste momento é o adiamento da abertura de possíveis novas vagas de emprego”, afirma.

A entidade defende que o debate não seja limitado ao imposto de importação. Segundo Marisa, aluguel, energia, água, IPTU, folha de pagamento e tributos sobre as operações compõem a estrutura de custos das empresas instaladas no Estado.

Custo da loja também chega ao preço

Marcelo Baiocchi Carneiro, presidente da Fecomércio-GO, defende tratamento tributário equivalente entre o comércio nacional e as compras realizadas em plataformas internacionais. (Foto: Divulgação/Fecomércio-GO)
Marcelo Baiocchi Carneiro, presidente da Fecomércio-GO, defende tratamento tributário equivalente entre o comércio nacional e as compras realizadas em plataformas internacionais. (Foto: Divulgação/Fecomércio-GO)

O presidente da Fecomércio-GO, Marcelo Baiocchi Carneiro, segue a mesma linha. Para ele, comparar apenas a tributação de uma encomenda internacional com a de uma mercadoria brasileira não revela todo o custo necessário para manter uma empresa funcionando.

“Não é simplesmente um imposto de 20%, é todo o valor agregado no custo de um comércio estabelecido para poder operar”, afirma. Baiocchi cita aluguel, funcionários, encargos da folha, água, energia, IPTU e licenças entre as despesas incorporadas à atividade.

A posição das entidades empresariais, porém, exige uma ressalva: Mega Moda, Sindilojas e Fecomércio informaram não possuir, até o momento, levantamento capaz de isolar quanto das vendas ou do faturamento do comércio goiano foi perdido especificamente em razão da retirada do imposto. A AER-44 apresentou estimativas próprias sobre redução de preços e margens, enquanto os demais entrevistados relataram percepções e efeitos observados no setor.

Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás