Foto: vaso desenterrado por estudantes da Universidade da Flórida – Kristen Grace / Museu de História Natural da Flórida
Arqueólogos na Flórida encontraram um vaso raro e completamente preservado, que se estima ter sido fabricado por um membro da comunidade indígena Potano há aproximadamente 400 anos.
O artefato, uma tigela de barro, possui uma superfície lisa e cinzenta, com uma borda que se alarga levemente. Surpreendentemente, o vaso resistiu a séculos de pressão e movimento de sedimentos, sendo descoberto sem danos no início deste ano. A raridade do achado, que permite uma análise mais completa das técnicas e usos do período, aprofunda o entendimento sobre a vida e os conflitos entre os povos indígenas e os colonizadores europeus.
“É algo muito singular”, afirmou Gifford Waters, gerente de coleções de arqueologia histórica do Museu de História Natural da Flórida, em um comunicado sobre a descoberta. “Normalmente, encontramos peças que foram quebradas e descartadas.”
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O vaso foi desenterrado por estudantes da Universidade da Flórida. Eles participavam de um curso de campo de arqueologia conduzido por Waters e Charles Cobb, curador de arqueologia histórica do museu, que fica no campus da universidade em Gainesville. Os alunos visitaram repetidamente um sítio histórico no noroeste de Gainesville nesta primavera, exercitando suas habilidades de escavação, e um dia revelaram o tesouro arqueológico ao recuperar o vaso.
A partir de 1585, o local foi uma grande aldeia habitada pelo povo Potano, um subgrupo indígena da cultura Timucua, que foi expulso de suas terras pelos colonizadores espanhóis. Em 1606, o governo espanhol estabeleceu uma missão católica na aldeia, enviando um frade para viver entre os Potano, no local que passou a ser conhecido como Missão San Francisco de Potano.
Este local era considerado uma doutrina, o termo para grandes missões com frades residentes. As visitas, por sua vez, eram missões menores que recebiam a visita de frades que residiam em doutrinas próximas. Segundo arqueólogos, os espanhóis frequentemente estabeleciam doutrinas em grandes aldeias indígenas e tentavam converter o chefe do grupo.
Em tal tipo de comunidade, para o frade, “era uma vida muito difícil”, disse Michael Gannon, um historiador que trabalhou em escavações anteriores no local, à jornalista Sarah L. Stewart em 2006.
A Missão San Francisco de Potano foi uma das muitas missões espanholas fundadas ao longo do El Camino Real, ou “estrada real”, uma rota usada nos séculos XVI e XVII.
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“Na Flórida, o Caminho Real ajudou a transportar pessoas e suprimentos entre a capital, Santo Agostinho, e as mais de 100 missões localizadas a oeste, entre as populações nativas que viviam na fronteira”, segundo informações da Divisão de Recursos Históricos da Flórida.
A Missão San Francisco de Potano foi abandonada por um breve período em 1656, após o povo Timucua iniciar uma rebelião contra o domínio colonial espanhol. Contudo, após a revolta ser controlada, a missão foi restabelecida alguns anos depois. O local foi definitivamente abandonado em 1706, quando foi destruído por invasores ingleses.
Por muitos séculos, a Missão San Francisco de Potano permaneceu quase esquecida pela história, até que artefatos começaram a surgir na década de 1950. Escavações modernas estão em andamento desde 2006.
Desde então, os pesquisadores recuperaram mais de 7.000 itens, e esse número segue crescendo. A maior parte do que foi desenterrado consiste em cerâmica indígena, mas também foram encontrados sinos, pingentes religiosos, contas de vidro, ferramentas de pedra, pregos e ossos de tartarugas, peixes de água doce, perus e outros animais. Muitos dos ossos foram localizados na mesma área, que os pesquisadores suspeitam ter sido utilizada para cozinhar e como descarte.
Em 2006, arqueólogos descobriram os restos de grandes postes de madeira construídos pelos espanhóis, além de vestígios de bases de argila que podem ter sido usadas para sua estabilização. Acredita-se que esses postes fizessem parte da igreja ou da escola da missão, ou da residência do frade.
“É um dos raríssimos locais em que já trabalhei onde não há qualquer perturbação moderna”, disse Waters em 2006. “Aqui, pelo que podemos constatar, não houve nada.”




