A produção de energia na usina nuclear de Gravelines, localizada no norte da França, foi novamente afetada por um grande volume de águas-vivas em 14 de agosto de 2026, marcando o segundo ano consecutivo em que o fenômeno impede o funcionamento pleno da unidade. Essa recorrência sublinha o desafio contínuo imposto pela natureza à operação da central.
Três dos seis reatores da instalação tiveram suas atividades suspensas temporariamente. Isso ocorreu após uma vasta aglomeração de medusas bloquear o sistema de captação de água do mar, essencial para o resfriamento.
Por medida de segurança, o reator número 1 operou com metade de sua capacidade, e o reator 5 já se encontrava em processo de manutenção. O reator 6, por sua vez, permaneceu em funcionamento. A empresa EDF, operadora da central, comunicou ao Greenpeace que o incidente não apresentou perigo para a segurança das estruturas, dos funcionários ou do ecossistema local.
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Entenda como as águas-vivas conseguem afetar a operação de um reator nuclear
A usina de Gravelines está situada perto do Mar do Norte e emprega água marítima, coletada por um canal específico, para realizar o resfriamento de seus sistemas. Antes de alcançar as instalações, essa água passa por barreiras projetadas para evitar a entrada de detritos e organismos. No entanto, o surgimento de milhares de águas-vivas simultaneamente pode sobrecarregar esses filtros, diminuindo o fluxo de água.
A diminuição da capacidade de captação de água pode resultar na redução da potência ou na paralisação preventiva dos reatores. É importante esclarecer que a presença desses animais não implica em sua entrada no núcleo do reator nem na causa direta de uma falha nuclear.
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Assim que os primeiros indícios da chegada das medusas foram notados, barcos de pesca foram acionados. Veículos equipados com sistemas de sucção também participaram da remoção dos animais que se acumulavam.

Repetição do problema após menos de um ano em Gravelines
O incidente atual é notável por sua similaridade com uma situação enfrentada pela central entre 10 e 11 de agosto de 2025. Naquele período, uma chegada “maciça e abrupta” de águas-vivas causou a obstrução parcial dos mecanismos de filtragem.
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Quatro reatores foram automaticamente desativados. Como os dois restantes estavam em manutenção, a usina inteira parou de gerar eletricidade por um período. A EDF, na ocasião, igualmente garantiu que não houve riscos à segurança nuclear.
Após o acontecimento de 2025, a empresa operadora implementou câmeras nos sistemas de filtragem e no canal de entrada de água. Além disso, as equipes receberam treinamento para uma resposta ágil a futuras invasões.
As ações preventivas foram aprimoradas para incluir um monitoramento diário, a colaboração de pescadores, a coleta regular de amostras no mar e a prontidão para acionar embarcações ao identificar grandes concentrações.
A formação de vastos grupos de águas-vivas pode ser influenciada por variáveis como a temperatura da água, correntes oceânicas, oferta de alimento e condições favoráveis à reprodução. A recorrência deste evento evidencia um complexo desafio para a área: mesmo com o intensificado monitoramento, grandes volumes de medusas persistem na capacidade de prejudicar temporariamente a captação de água, forçando a usina a reduzir ou suspender sua geração.

