A corrida contra o tempo para resgatar pessoas em shopping após terremoto no Japão que deixou ao menos 13 mortos

Vários policiais ao redor de shopping que teve parte da estrutura danificada com terremoto

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, O serviço de bombeiros do Japão afirma que muitas pessoas estão presas em um shopping em Kumamoto
    • Author, BBC News Brasil em São Paulo
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Durante a atualização sobre a situação nesta manhã de quarta-feira (do horário local), ela disse que ainda há muitas pessoas à espera de serem resgatadas.

“É uma corrida contra o tempo”, afirmou Takaichi.

Segundo a primeira-ministra, as equipes de resgate são orientadas pelo princípio de “vida humana em primeiro lugar”.

Mais cedo, a emissora pública japonesa NHK, informou que duas mortes tinham sido confirmadas, citando autoridades da prefeitura de Kumamoto.

As duas vítimas eram mulheres, encontradas debaixo de escombros do shopping Aeon Mall, em Kumamoto, onde parte da estrutura desabou com o tremor.

A porta-voz de Relações Públicas da prefeitura, Akino Sonoda, informou que oito pessoas foram retiradas do local. Segundo ela, quatro tiveram ferimentos moderados, uma sofreu ferimentos leves e uma está em parada cardiorrespiratória.

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Os serviços de emergência agora verificam o número de pessoas ainda não localizadas e buscam informações sobre possíveis vítimas presas na estrutura do prédio.

Imagem à noite mostram equipes de resgate em meio a escombros

Crédito, Reuters

Legenda da foto, As equipes de resgate atravessaram a madrugada no Japão para encontrar desaparecidos

Cerca de 3,6 mil integrantes das Forças de Autodefesa estão mobilizadas na região.

Na mesma província, várias pessoas também estão desaparecidas após o desabamento de uma chaminé em uma fábrica de papel.

Policiais e bombeiros investigam o local na unidade Yatsushiro da Nippon Paper Industries, situada na cidade de Yatsushiro.

Duas pessoas foram encontradas em parada cardiorrespiratória no local e outras nove continuam desaparecidas.

As autoridades de Kumamoto informaram que 9.872 pessoas foram retiradas de suas casas e cerca de 367 mil famílias estão sem electricidade.

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Resgate em shopping desabado após terremoto no Japão

Legenda do vídeo, Shopping atingido por terremoto no sul do Japão

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Fim do Promoção Agregador de pesquisas

A Agência Meteorológica do Japão afirma que mais de 60 tremores secundários foram registrados — e os moradores estão sendo alertados para esperar tremores no segundo dia ao acordarem na manhã de quarta-feira.

As autoridades também estão alertando a população sobre a possibilidade de um tremor no segundo dia. Mais de 200 pessoas morreram há dez anos, quando terremotos atingiram a mesma ilha, o segundo tremor foi mais forte que o primeiro.

Felix Umland, um estudante alemão de fotografia no Japão, estava no 13º andar de um hotel em Kagoshima, a cerca de 175 km do epicentro, quando o terremoto atingiu o Japão.

Ele contou à BBC Newshour sobre o momento em que o terremoto começou: “Meu telefone começou a emitir um alerta de terremoto. Eu estava apenas olhando para o telefone, pensando: ‘não sei o que fazer agora’… Cinco segundos depois, tudo começou a tremer.”

“Eu apenas ouvi copos voando na cozinha e tudo na cozinha começou a quebrar”, diz ele.

“Não há muito o que você possa fazer, é uma situação bastante desesperadora. Você fica olhando ao redor, esperando que pare.”

Ele acrescenta que, embora os prédios sejam construídos para se mover com a Terra, “parece que o prédio se transforma em líquido”. “É uma sensação muito surreal”.

“O solo sólido de repente se transformou em uma massa que estava se movendo.”

Já Michal Posen, de 25 anos, que atua como professora de inglês em Kumamoto há dois anos, estava em casa quando o terremoto aconteceu.

“Minha TV caiu sobre mim, meu espelho se quebrou e as ruas ao redor ficaram danificadas”, disse à BBC Your Voice.

Ela contou que está preparando mochilas de emergência e que “não há mais água nem comida nas lojas”.

Ao todo, mais de 150 mil pessoas foram orientadas a se dirigir a centros de evacuação e várias pessoas ficaram presas em um shopping center da rede Aeon, onde teria ocorrido uma explosão.

O terremoto, estimado em magnitude 6,8 pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), atingiu o interior da ilha de Kyushu às 16h27 no horário local.

A primeira-ministra afirmou que o tremor também provocou o colapso de edifícios e incêndios. A extensão das vítimas e dos danos materiais ainda é incerta e acompanhada pelo governo, mas as autoridades alertam para o risco de um segundo grande tremor.

Pelo menos 45 unidades de saúde sofreram danos em decorrência do terremoto, segundo informou o Ministério da Saúde do Japão.

Até a tarde desta terça, as unidades registravam interrupções no fornecimento de energia elétrica, problemas no abastecimento de água e danos aos sistemas de gases medicinais.

Além disso, mais de 40 mil residências estão sem energia, segundo a Kyushu Electric. Na cidade de Hikawa, a cerca de 25 km ao sul de Kumamoto, moradores também relatam falta de água e energia, segundo a NHK.

A Prefeitura de Hikawa está entre os prédios atingidos: o edifício ficou sem iluminação e ar-condicionado após a falha de uma de suas duas fontes de energia de emergência.

Vista aérea de um shopping center da rede Aeon com parte da fachada destruída, janelas estilhaçadas e destroços espalhados pelo estacionamento e pelas vias ao redor. Alguns veículos e equipes de emergência aparecem na área.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Shopping atingido por terremoto no sul do Japão

Infográfico sobre escala de magnitude de terremotos

Há dez anos, mais de 200 pessoas morreram após uma sequência de terremotos atingir a mesma ilha — e o segundo abalo foi mais forte do que o primeiro.

Por isso, os moradores são orientados a acompanhar os comunicados pelo rádio e pela televisão e a seguir imediatamente eventuais ordens de abrigo ou evacuação.

Kyushu é a terceira das quatro ilhas grandes do Japão, e a que fica mais ao sul. Kumamoto — onde fica o shopping Aeon Mall, que desabou — é uma cidade localizada nesta ilha.

O Japão não possui uma massa de terra continental. O país é formado por quatro ilhas principais, sendo Kyushu uma delas. As outras três são Honshu, Hokkaido e Shikoku. Há também milhares de ilhas menores situadas mais afastadas.

Mapa mostra intensidade dos tremores causados por terremoto no Japão.

Uma foto registrada pela agência de notícias Reuters mostram uma passarela desabada em Kumamoto. Ainda não está claro quando o desabamento ocorreu nem se houve feridos. O tráfego, porém, parece fluir normalmente pela ponte paralela.

A imagem aérea mostra uma ponte sobre um rio ou baía, com o tráfego de veículos seguindo normalmente. Ao lado da pista principal, uma passarela para pedestres aparece parcialmente desabada, com um trecho submerso na água e outro ainda preso à estrutura da ponte.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Passarela desaba após terremoto em Kumamoto, no Japão

Milhares de moradores ficaram sem eletricidade, mas a operadora de energia da ilha de Kyushu disse que não foram registadas irregularidades nas centrais nucleares de Sendai e Genkai.

A operadora ferroviária local informou que os trens foram suspensos.

Foram sentidas várias réplicas após o tremor principal, mas um aviso de tsunami emitido anteriormente já foi descartado.

Segundo a Reuters, a emissora pública japonesa NHK relatou o atendimento a mais de 50 feridos e exibiu ao vivo imagens de prédios em chamas ou parcialmente destruídos.

Ainda segundo a Reuters, empresas como a TSMC, maior fabricante de chips do mundo, evacuaram funcionários de sua fábrica na região, assim como a Sony e a Fujifilm.

A imagem aérea mostra uma área industrial com estruturas metálicas e grandes tubulações, onde parte de um duto de grande porte parece ter desabado sobre um edifício. Há destroços espalhados no local e pequenos grupos de pessoas podem ser vistos próximos à área atingida, aparentemente avaliando os danos.

Crédito, Kyodo via Reuters

Legenda da foto, Chaminé de fábrica de papel desaba após terremoto e deixa funcionários desaparecidos

Intensidade do terremoto

A agência meteorológica do Japão informou que 61 réplicas foram registradas após o terremoto inicial desta segunda-feira.

Segundo o órgão, a intensidade sísmica desses tremores variou de 1 a 6.

Como comparação, a agência lembra que, após o terremoto de Kumamoto, em 2016 — que deixou mais de 40 mortos e mais de mil feridos —, foram registrados tremores de intensidade 7 ao longo de dois dias.

Além da escala de magnitude, que mede a energia liberada por um terremoto, o Japão utiliza uma escala própria de intensidade sísmica, que avalia a força do tremor sentida em cada local.

Essa escala vai de 0 a 7. Segundo a agência meteorológica japonesa, no nível 0 os tremores são imperceptíveis para a população, enquanto no nível 7 móveis podem ser deslocados ou arremessados, e edifícios com baixa resistência a terremotos podem desabar.

Telas de televisão mostram danos após um terremoto de magnitude preliminar de 7,1 atingir a província de Kumamoto, no sul do Japão; imagem registrada em Tóquio, no Japão, em 28 de julho de 2026.

Crédito, Issei Kato/Reuters

Legenda da foto, Telas de televisão em Tóquio mostram danos após um terremoto atingir a província de Kumamoto, no sul do Japão

Voos atrasados e cancelados

O Aeroporto de Tóquio-Haneda, o maior do país em movimentação de passageiros e um dos maiores do mundo, registra ao menos 40 atrasos e cancelamentos de voos devido ao terremoto, mesmo que esteja localizado a mais de 800 quilômetros de Kumamoto.

Os impactos atingem principalmente voos regionais e conexões. Os passageiros foram orientados a consultar a situação de seus voos junto às companhias aéreas antes de seguir para o aeroporto.

A parede externa de um restaurante desabou após o terremoto na cidade de Kumamoto, no sudoeste do Japão, em 28 de julho de 2026.

Crédito, Jiji Press/EPA/Shutterstock

Legenda da foto, Parede de restaurante desaba em Kumamoto após terremoto

Histórico de terremotos

O Japão não possui uma porção continental. O país é formado por quatro ilhas principais, uma delas Kyushu. As outras três são Honshu, Hokkaido e Shikoku. Há também milhares de ilhas menores mais afastadas.

A província de Kumamoto, onde está localizado o Aeon Mall que desabou, está acostumada a terremotos e já foi atingida por abalos sísmicos de grande intensidade no passado.

Em 2016, a região foi devastada por uma sequência de terremotos. O primeiro, de magnitude 6,5, atingiu a cidade de Mashiki em 14 de abril. Dois dias depois, um segundo tremor, de magnitude 7,3, voltou a atingir a mesma área.

Segundo a NHK, 278 pessoas morreram em decorrência dos terremotos em Kumamoto e na província vizinha de Oita.

A emissora também noticiou que diversas mortes foram associadas a problemas de saúde provocados pelo estresse das evacuações.

Também houve mortes relacionadas a problemas de saúde causados pelo estresse da evacuação, afirma a emissora.

Em uma entrevista coletiva mais cedo, Shinji Kiyomoto, da Agência Meteorológica do Japão, pediu que a população “permaneça vigilante” para novos terremotos, fazendo referência aos eventos de 2016.