A mais recente reviravolta na saga judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro culminou em sua prisão preventiva, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi motivada por fortes indícios de que Bolsonaro tentou danificar sua tornozeleira eletrônica, dispositivo que ele utiliza desde agosto por determinação do STF no inquérito que investiga a trama golpista. O episódio, que ganhou contornos de controvérsia e alegações de “surto” por parte de aliados, lança novas sombras sobre o futuro político do ex-presidente e reacende o debate sobre os limites das medidas cautelares. A suspeita de violação da tornozeleira, somada a outros fatores como a convocação de manifestações em seu apoio e o histórico recente de fuga de outros investigados, pesaram na decisão de Moraes.
Indícios de Violação da Tornozeleira e Prisão Preventiva
A Polícia Federal (PF) cumpriu o mandado de prisão na manhã de sábado, detendo Bolsonaro em sua residência em Brasília. O estopim para a decisão foi um relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF), que apontou danos intencionais na tornozeleira eletrônica do ex-presidente. Segundo o documento, a tornozeleira apresentava marcas de queimadura em toda a sua circunferência, indicando o uso de um objeto quente para danificá-la.
Relato da Seape Detalha Avarias e Justificativa de Bolsonaro
O relatório da Seape-DF, acompanhado de um vídeo da vistoria realizada na madrugada de sábado, detalha as avarias encontradas no equipamento de monitoramento. Agentes da secretaria questionaram Bolsonaro sobre as marcas de queimadura, e o ex-presidente teria admitido ter utilizado um “ferro quente” por curiosidade, especificando posteriormente que se tratava de um ferro de solda. O alerta de violação foi registrado à 0h07, dando início à investigação que culminou na prisão preventiva.
Reações e Contradições: A Versão dos Aliados
Diante da gravidade da situação, aliados de Bolsonaro inicialmente tentaram minimizar o ocorrido, alegando que a tornozeleira apresentava apenas falta de sinal, um problema já registrado em outras ocasiões. No entanto, após a divulgação do vídeo que mostrava as marcas de queimadura, a narrativa mudou. Alguns interlocutores passaram a classificar o episódio como um momento de descontrole por parte do ex-presidente.
Argumentos da Defesa e a Vigilância Constante
Defensores de Bolsonaro argumentam que a fuga seria inviável, uma vez que agentes da PF permanecem posicionados em frente à residência e ao condomínio desde agosto, garantindo uma vigilância constante. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes considerou que a combinação de fatores, como a violação da tornozeleira, a convocação de manifestações e o histórico de fuga de outros investigados, configurava um risco real de fuga.
Justificativa Judicial: Risco de Fuga e Contexto Político
Na decisão que determinou a prisão preventiva, Moraes destacou a coincidência entre a violação da tornozeleira e a convocação de uma manifestação no condomínio, organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ministro considerou que a aglomeração poderia gerar confusão favorável à evasão do ex-presidente.
Fuga de Aliados e o Reforço da Prisão Preventiva
Moraes também mencionou a saída recente do país de aliados condenados, como a deputada Carla Zambelli e o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, como um fator que reforçou a necessidade da prisão preventiva. A fuga desses investigados demonstrou a capacidade de articulação e os recursos disponíveis para auxiliar em uma possível evasão, o que aumentou a preocupação do STF.
Contestações da Defesa e Próximos Passos
O advogado Paulo Cunha Bueno, que representa Bolsonaro, classificou a medida como desproporcional e argumentou que o ex-presidente permanecia em casa e não oferecia risco real de fuga. A defesa pretende apresentar recurso nos próximos dias, buscando reverter a decisão do STF. O caso segue sob análise da corte, e o futuro político de Bolsonaro permanece incerto.
FAQ
1. Por que Jair Bolsonaro foi preso preventivamente?
Jair Bolsonaro foi preso preventivamente devido a indícios de tentativa de danificar sua tornozeleira eletrônica e ao risco de fuga, considerando a convocação de manifestações em seu apoio e o histórico recente de fuga de outros investigados.
2. O que diz o relatório da Seape sobre a tornozeleira de Bolsonaro?
O relatório da Seape-DF aponta que a tornozeleira de Bolsonaro apresentava marcas de queimadura em toda a sua circunferência, indicando o uso de um objeto quente para danificá-la.
3. Qual a alegação da defesa de Bolsonaro sobre a prisão?
A defesa de Bolsonaro argumenta que a medida é desproporcional, uma vez que o ex-presidente permanecia em casa e não oferecia risco real de fuga, e que a vigilância constante impossibilitaria qualquer tentativa de evasão.
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