Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Smart Sampa: como funciona o sistema de 58 mil câmeras de SP que teve senhas expostas por 11 meses

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Smart Sampa: como funciona o sistema de 58 mil câmeras de SP que teve senhas expostas por 11 meses

Sobre o tema envolvendo Smart Sampa, além disso, A informação foi publicada na terça-feira (20) pelo UOL, que revelou a exposição indevida de imagens feitas por 58 mil câmeras. Ainda segundo a reportagem, 181 logins e senhas ficaram expostos por 11 meses na internet.

Dessa forma, essas credenciais permitiram acessar o sistema da empresa Sentinelx, uma das integrantes do consórcio que opera o Smart Sampa.

  • Como funciona o Smart Sampa? O programa da prefeitura combina as imagens das câmeras e sistemas de inteligência artificial para analisar características faciais de pessoas e, então, identificar pessoas que aparecem em listas de foragidos e desaparecidos.

Com isso, sistema da Sentinelx, empresa contratada pela prefeitura de São Paulo, busca pessoas a partir de características físicas — Foto: Divulgação/Sentinelx

Contexto e detalhes sobre Smart Sampa

Nesse sentido, A Sentinelx vende uma plataforma que utiliza as imagens captadas por câmeras para identificar pessoas, gerenciar ocorrências e despachar viaturas.

A empresa diz que sua inteligência artificial busca pessoas a partir de características físicas mesmo quando elas não têm seus rostos cadastrados em listas de procurados e desaparecidos.

Portanto, O sistema pode apresentar “os momentos em que foi visto uma pessoa de camiseta branca” em um determinado intervalo de tempo, como mostra um exemplo divulgado no site da empresa.

Em seguida, com a busca finalizada, o sistema emite alertas para um operador humano, que avalia se é necessário despachar uma viatura para o local indicado.

De acordo com as apurações, O g1 entrou em contato com a Sentinelx, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.

Falha no controle de acesso

Por outro lado, central de monitoramento do Smart Sampa — Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo

Vale destacar que segundo a empresa, o sistema tem um controle de acessos que define quem pode ter acesso a cada informação, a depender do seu cargo. Sendo assim, A funcionalidade é comum em plataformas que tratam dados sensíveis e serve para diminuir o risco de vazamentos.

A prefeitura de São Paulo afirmou que as informações foram divulgados ilegalmente por um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) que tinha acesso ao sistema. Ele foi afastado do cargo e está sendo investigado pela Corregedoria da GCM.

Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o agente entrou na corporação em 2023 e mantinha senhas armazenadas. Nunes afirmou que o caso já era investigado e que foi confirmado pela sua gestão por conta da publicação da reportagem.

“A gente não tem nenhuma ocorrência de utilização indevida do sistema. O que a gente tem é o monitoramento contínuo de segurança que, inclusive, possibilita que a prefeitura de São Paulo monitore eventuais acessos irregulares, que não aconteceram”, afirmou.

A prefeitura afirmou que o repositório de dados que dava acesso às imagens foi retirado do ar e que reforçou mecanismos de segurança, com senhas exclusivas e autenticação em dois fatores.

Vigilância indevida

Para Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), a exposição de dados do sistema do Smart Sampa deixa em risco milhões de cidadãos que tem suas imagens captadas pelas câmeras.

“Pode abrir precedentes de uso dessas informações para controlar e vigiar pessoas”, afirmou. “É muito grave que um sistema tão grande e com potencial tão imenso de vigilância esteja tão facilmente acessível”.

Pablo Nunes é criador do projeto “O Panóptico”, que monitora o uso de novas tecnologias para segurança pública no Brasil. Para ele, a resposta da prefeitura de São Paulo não foi equivalente à gravidade do problema.

“Quem deveria responder por falhas de segurança é a prefeitura, que se retirou desse papel dizendo que foi problema de um servidor.”

Fernanda Rodrigues, diretora do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), avalia que esse episódio mostra que a vigilância com mais câmeras nem sempre representa mais segurança para a população.

Prisômetro no Centro de SP mostra o número de 1 mil pessoas presas pelo sistema de câmeras Smart Sampa, em abril de 2025 — Foto: Divulgação/Secom/PMSP

“Nesse caso, temos o oposto porque não sabemos quem acessou as câmeras. E, inclusive, podemos cogitar que o material tenha sido acessado por pessoas mal-intencionadas que agora possuem registros muito atualizados da rotina de milhões de pessoas”, disse.

Para ela, mesmo com diferentes casos de vazamentos, o Brasil não criou uma cultura de proteção de dados, e vários incidentes terminam sem aplicação de multa ou responsabilização para empresas.

“Casos como esse demonstram que o problema da segurança não só não é resolvido [com programas como o Smart Sampa], como outras questões acabam deixando o cidadão mais vulnerável”.

O advogado Luiz Augusto D’Urso, advogado especialista em direito digital, disse que o caso apresenta uma violação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que define regras para evitar vazamentos de dados.

“A responsabilidade é exclusivamente da prefeitura, pois o sistema e os mecanismos de segurança são de sua competência”, afirma. “Até podem existir funcionários que tentem violar o sistema, mas este deve ter fatores de autenticação para inibir riscos”.

Segundo ele, ainda é preciso investigar outros eventuais crimes. “O funcionário que permitiu o acesso de terceiros pode responder por violação do sigilo funcional”, disse, em referência ao crime praticado por um servidor contra a administração pública.

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Redação Foco Goiás