Internautas chegaram a comentar que “só faltou culparem o cachorro”
Imagem: TV Globo
A reportagem do Fantástico sobre o caso do cão Orelha exibida no último domingo (1º) provocou forte revolta na web e acendeu críticas sobre a condução jornalística do episódio que investiga a morte do cão comunitário Orelha. Nas redes sociais, ativistas da causa animal, moradores da Praia Brava e internautas de várias partes do país acusaram o programa de superficialidade, omissões e falta de sensibilidade diante da gravidade do caso.
- Manifestação cobra justiça por cão Orelha neste domingo (8) em Goiânia; saiba onde
A ativista Luísa Mell, que acompanha o caso desde o início, usou suas redes sociais para questionar o conteúdo. “O que você achou da matéria do Fantástico sobre o cão Orelha? Eu tô chocada”, publicou. A postagem rapidamente reuniu milhares de comentários, muitos deles com críticas à reportagem. Entre as principais reclamações estão a ausência de respostas para perguntas centrais da investigação, mudanças na narrativa em relação a informações divulgadas anteriormente e a sensação de que o programa teria “passado pano” para os envolvidos.
- Vídeo emociona internautas ao mostrar cão Orelha roubando a cena em casamento; veja
De forma irônica, alguns internautas chegaram a comentar que o Fantástico “só faltou culpar o cachorro por ter atentado contra a própria vida”. Também houve críticas pela ausência de imagens que outros veículos, como a Record e o jornalista Léo Dias, afirmam ter obtido com exclusividade.
A jornalista Rosana Hermann destacou como a escolha das palavras influencia a percepção do público. Segundo ela, termos como “agredido” e “estado crítico” suavizam a brutalidade do que ocorreu. “O cachorro foi espancado. Foi encontrado agonizando. As palavras criam imagens e despertam emoções”, escreveu.
- Vídeo de IA mostra encontro do cão Orelha com Jesus; ASSISTA

- Vídeo de cachorro paraplégico ansioso para usar cadeira de rodas emociona a web
Já a jornalista Katia Flávia avaliou que o Fantástico pecou pelo excesso de tecnicidade. “Cronologia, delegada, veterinário, pai de adolescente investigado, advogado afinado com discurso de manual jurídico. Tudo correto, tudo legal, mas tudo incapaz de competir com a fúria digital”, escreveu. Para ela, o resultado foi a emissora se tornar “vilã instantânea”, acusada de conivência e frieza.
Durante uma transmissão ao vivo no YouTube, Felipeh Campos disparou contra a atração global ao comentar a abordagem do assassinato do cão Orelha. “Reportagem lixo que o Fantástico entregou. Uma matéria completamente sem base. Jornalismo de verdade você não vê mais no Fantástico”.
- Vídeo: Cachorros resgatados de um laboratório andam na grama pela primeira vez
Morte do cão Orelha
O cachorro foi brutalmente espancado por quatro adolescentes no mesmo local onde costumava circular livremente. Devido à gravidade das agressões, o animal precisou ser submetido à eutanásia, o que intensificou a revolta popular e reacendeu o debate sobre punições para crimes de maus-tratos.
Conhecido na região da Praia Brava, Orelha, um cachorro comunitário de aproximadamente 10 anos, era descrito por moradores como extremamente dócil e afetuoso. Sua morte passou a simbolizar não apenas um caso isolado, mas a realidade enfrentada diariamente por milhares de animais em situação de abandono e violência no Brasil.


