Sobre o tema envolvendo UTIs brasileiras, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – No Brasil, 48,5% dos médicos que trabalham nas UTIs de hospitais públicos e privados apresentam exaustão emocional elevada e se sentem incapazes de realizar suas tarefas dos pontos de vista físico e mental.
Além disso, É o que aponta o Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras, conduzido pela Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) em parceria com o CFM (Conselho Federal de Medicina).
Dessa forma, segundo a pesquisa, 16% apresentam nível agudo de despersonalização, caracterizada pelo distanciamento afetivo que resulta em perda da empatia, habilidade indispensável ao intensivista, e em posturas frias ou cínicas no trato com pacientes e colegas. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a UTIs brasileiras continuam sendo acompanhados com atenção.
Contexto e detalhes sobre UTIs brasileiras
Com isso, O levantamento também mostra que 46,4% dos médicos de UTI sentem baixa realização profissional. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de UTIs brasileiras nos últimos dias.
Nesse sentido, carga de trabalho extensa, com horas seguidas de plantão e múltiplos vínculos de emprego, exposição a situações críticas, como dor, sofrimento e morte, e pressão por decisões rápidas e assertivas são as principais causas da deterioração da saúde mental. Especialistas destacam que novas atualizações sobre UTIs brasileiras devem surgir em breve.
Portanto, as respostas foram coletadas de março a outubro de 2024 por meio do questionário MBI (Maslach Burnout Inventory), considerado padrão-ouro para identificar e medir a síndrome de burnout. Não se trata, contudo, de um instrumento de diagnóstico. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a UTIs brasileiras continuam sendo acompanhados com atenção.
Principais pontos e impactos da decisão
Em seguida, participaram do levantamento 2.338 médicos com pelo menos um ano de atuação contínua em UTI, em 26 estados e no Distrito Federal.
De acordo com as apurações, as respostas foram reunidas em 22 situações relacionadas ao trabalho e, depois, divididas em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e realização profissional. Por outro lado, O mapeamento aponta que 68,9% dos médicos intensivistas apresentaram pelo menos uma dessas três dimensões alterada.
Vale destacar que outro questionário mediu a satisfação com a vida, e 54,2% responderam estar satisfeitos.
“Alta satisfação com a vida diminui o risco de burnout. Sendo assim, este é um aspecto que não está olhando apenas para o trabalho, mas para o bem-estar global. Além disso, durante muito tempo, cometeu-se o erro de associar o burnout à falta de resiliência e inteligência emocional do profissional. Dessa forma, hoje, está claro que as condições de trabalho são o fator mais importante”, afirma Ederlon Rezende, presidente do conselho consultivo da Amib.
O esgotamento emocional é um dos componentes da síndrome de burnout, que se caracteriza pela exaustão física e mental associada a um estresse crônico e grave relacionado ao ambiente de trabalho.
O inquérito também dividiu os médicos que trabalham nas UTIs do país em três grupos. O objetivo foi comparar o impacto do nível de qualificação e especialização na assistência aos pacientes críticos, nas condições de trabalho e na saúde mental dos profissionais.
O primeiro grupo é formado por aqueles com RQE (Registro de Qualificação de Especialista) em medicina intensiva. O segundo reúne profissionais com especialidades correlatas, como clínica médica, cirurgia geral, pediatria, cardiologia, nefrologia, anestesiologia e pneumologia, que atuam em UTIs.
O terceiro abrange profissionais com RQEs que não sejam de áreas correlatas à UTI e aqueles sem nenhum registro, mas que trabalham nas unidades de terapia intensiva.
A pesquisa mostra ainda que o risco de burnout é 20% menor entre médicos com sono saudável. Índice semelhante foi observado entre aqueles satisfeitos com a vida, que apresentam risco 25% menor de desenvolver a síndrome.
“É curioso que alguns hábitos, como atividade física, convívio social, lazer e alimentação adequada, estiveram associados a uma melhor satisfação com a vida e menor risco de burnout”, afirma Ederlon Rezende.
“A medicina intensiva precisa garantir a presença de um médico 24 horas por dia, sete dias por semana. Muitos desses médicos terão que trabalhar em plantão noturno. É fundamental garantir que eles tenham qualidade de sono. Para isso, não podem trabalhar 72 horas seguidas, nem todas as noites”, acrescenta Rezende.
Na avaliação de Cristiano Franke, presidente da Amib, as ações mais urgentes para a melhoria das condições de trabalho dos médicos de UTI envolvem regulamentações relacionadas à estrutura e ao dimensionamento das equipes, tanto em quantidade quanto em qualificação.
Franke afirma ainda que é preciso adequar as normas técnicas à carga horária nas UTIs.
“Muitas horas seguidas de jornada levam a mais estafa e implicam maior probabilidade de erros e consequências para os pacientes.”
Sem se aprofundar no tema, o inquérito sinaliza que a educação continuada e a titulação acadêmica atuam como fatores de proteção contra o estresse crônico.
Para José Eduardo Dolci, presidente eleito da AMB (Associação Médica Brasileira) para o período de 2027 a 2029, falta qualificação médica.
“A criação do programa Mais Médicos gerou a abertura indiscriminada de escolas médicas, o que esbarra em dois problemas: na falta de campos de estágio e de professores qualificados. Quanto mais escolas abrirmos, mais médicos serão formados sem qualificação. E o formado sem qualificação precisa de quê? De uma residência médica. E nós não residências para todos os egressos do curso de medicina”, afirma Dolci.

Ministério Público de SP denuncia falsos médicos suspeitos de envolvimento em oito mortes na capital
Ministério Público denunciou dois falsos médicos suspeitos de ligação com a morte de oito pacientes em hospital particular da zona leste de São Paulo. Investigação afirma que eles usavam registros profissionais de outros médicos e teriam atendido cerca de 8.000 pessoas
Folhapress | 07:00 – 24/09/2026
Veja também: Suspeito de quatro homicídios morre em confronto com a CPE em Anápolis


