Criada em 8 de março de 2023, no Dia Internacional da Mulher, a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) ampliou a atuação para mais de 100 municípios goianos e consolidou uma rede de apoio voltada à defesa dos direitos das mulheres. A iniciativa foi implantada durante a gestão do presidente da Casa, deputado Bruno Peixoto, com foco no enfrentamento à violência de gênero, no incentivo à participação feminina na política e na articulação de políticas públicas.
A estrutura da Procuradoria é formada por uma procuradora especial e três procuradoras adjuntas, todas deputadas estaduais, com mandatos anuais. Desde a criação do órgão, a função principal foi ocupada por Rosângela Rezende (2023), Bia de Lima (2024), Dra. Zeli (2025) e Vivian Naves (2026).
Inspirada no modelo da Câmara dos Deputados, a Procuradoria da Mulher da Alego foi implantada quando Goiás ainda figurava entre os últimos estados brasileiros a adotar esse tipo de estrutura institucional.
A Secretaria da Procuradoria ficou sob responsabilidade da fisioterapeuta Cristina Lopes Afonso, ex-vereadora de Goiânia e ex-secretária municipal de Direitos Humanos. Conhecida pela atuação em defesa dos direitos das mulheres, Cristina sobreviveu, em 1986, a uma tentativa de feminicídio que provocou queimaduras em mais de 85% do corpo. O caso teve repercussão nacional e passou a ser citado como referência em discussões sobre o combate à violência contra a mulher.
De acordo com levantamento da Procuradoria, o órgão já visitou mais de 100 municípios goianos e contribuiu para a implantação de 77 Procuradorias da Mulher, das quais 73 já estão em funcionamento e quatro estão em fase de instalação.
Entre as ações desenvolvidas desde 2023 estão mais de 500 palestras e atividades educativas, além do atendimento a mais de mil mulheres por meio do Grupo Reflexivo, realizado em parceria com a Defensoria Pública do Estado de Goiás.
A Procuradoria também coordenou campanhas e projetos voltados à prevenção da violência, incentivo ao empreendedorismo feminino, promoção da saúde e ampliação da participação das mulheres em diferentes espaços. Entre as iniciativas estão o projeto Maria da Penha nas Escolas, campanhas de combate ao assédio em eventos esportivos, ações de conscientização durante o Carnaval e a Pecuária de Goiânia, além de programas em parceria com o Sebrae Goiás para incentivo ao empreendedorismo.
Segundo Cristina Lopes Afonso, quando os trabalhos começaram, apenas quatro municípios goianos possuíam Procuradorias da Mulher, todos localizados no Entorno do Distrito Federal. A primeira unidade implantada durante a nova fase do projeto foi em Nova Veneza, o que marcou o início da expansão para outras regiões do estado.
Ela afirma que a atuação da Procuradoria vai além do acolhimento de vítimas de violência doméstica e inclui ações voltadas à autonomia financeira, saúde, cidadania e fortalecimento da presença feminina na política.
Atualmente, 73 municípios goianos contam com Procuradorias da Mulher em funcionamento, entre eles Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Formosa, Luziânia, Senador Canedo, Trindade, Mineiros, Goianésia, Uruaçu e Valparaíso de Goiás.
A instalação de novas procuradorias depende da aprovação de projetos nas câmaras municipais, definição da estrutura de funcionamento e articulação com órgãos da rede de proteção, como Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), Ministério Público, Defensoria Pública, CREAS e secretarias municipais.
Desde a criação da Procuradoria Especial da Mulher, a expansão das unidades municipais passou a integrar uma rede de atendimento voltada ao acolhimento de denúncias, fiscalização de políticas públicas, realização de campanhas educativas e promoção de ações voltadas à proteção e aos direitos das mulheres em Goiás.

