Foto: Profissional zootecnista teria piso salarial equivalente a engenheiros – Foto: Depositphotos Crédito: Depositphotos
Uma proposta legislativa que visava equiparar o piso salarial dos zootecnistas ao de diversas outras profissões de nível superior, como engenheiros e veterinários, foi integralmente vetada pela Presidência da República. O projeto de lei, aprovado no Congresso Nacional, buscava incluir a categoria na legislação que já regulamenta a remuneração mínima desses especialistas. A decisão governamental fundamenta-se em questões de constitucionalidade e interesse público, conforme a justificativa oficial.
O veto presidencial impede, por ora, que os zootecnistas passem a ter um piso mensal correspondente a seis salários mínimos para uma jornada diária de seis horas. Se a lei tivesse sido sancionada, a remuneração mínima para estes profissionais seria de R$ 9.726, considerando o salário mínimo de R$ 1.621 previsto para 2026. Para uma jornada de oito horas diárias, a legislação previa o pagamento de duas horas extras com adicional de 25% sobre o valor da hora normal, elevando ainda mais o montante.
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Detalhes do projeto e a equiparação salarial proposta
O Projeto de Lei (PL) 2816/23, originado no Senado Federal, tinha como objetivo principal integrar os zootecnistas à Lei 4.950-A/66. Esta lei histórica estabelece o piso salarial de profissionais como engenheiros, químicos, arquitetos, agrônomos e veterinários, reconhecendo a complexidade e a importância técnica de suas atividades. A iniciativa visava corrigir uma lacuna percebida pela categoria dos zootecnistas, que argumentava ter formação e responsabilidades compatíveis com as demais profissões já contempladas.
Para esses profissionais, a equiparação representaria não apenas um reconhecimento financeiro, mas também um alinhamento com outras carreiras que exigem formação acadêmica similar e contribuem significativamente para o agronegócio e a produção animal. A aprovação da proposta pela Câmara dos Deputados em maio deste ano gerou expectativa entre os zootecnistas, que aguardavam a sanção presidencial para ver a medida entrar em vigor.
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- Engenheiros: Profissionais com formação em diversas áreas da engenharia.
- Químicos: Especialistas em ciências químicas e suas aplicações industriais.
- Arquitetos: Responsáveis pelo planejamento e projeto de edificações e espaços urbanos.
- Agrônomos: Atuantes na produção agrícola e gestão de recursos naturais.
- Veterinários: Cuidadores da saúde e bem-estar animal, com foco em produção e clínica.
As razões do veto: constitucionalidade e impacto orçamentário
A justificativa apresentada pelo Poder Executivo para o veto foi clara e direta, apontando duas principais questões. Primeiramente, a proposição legislativa foi considerada inconstitucional. Embora o governo não tenha detalhado os aspectos específicos da inconstitucionalidade no comunicado divulgado, a falta de uma análise de impacto financeiro é frequentemente um ponto crítico em vetos presidenciais.
Em segundo lugar, o veto argumenta que o projeto contraria o interesse público. O principal ponto levantado foi a ausência de uma estimativa do impacto orçamentário-financeiro que a medida geraria. A legislação brasileira exige que propostas que criem ou aumentem despesas públicas venham acompanhadas de uma declaração de adequação orçamentária e financeira, demonstrando como os custos serão cobertos sem comprometer o equilíbrio fiscal. Este requisito visa garantir a responsabilidade na gestão das contas públicas e evitar desequilíbrios que possam afetar outros setores ou programas governamentais.
O que o veto significa para os zootecnistas e o mercado
A decisão presidencial representa um revés para a categoria dos zootecnistas, que esperava a valorização salarial e o reconhecimento formal de sua atuação. O piso salarial é um fator importante para atrair novos talentos à profissão e garantir condições mínimas de trabalho, especialmente para recém-formados. Sem a equiparação, a remuneração inicial dos zootecnistas permanecerá sujeita às negociações de mercado e aos pisos estabelecidos por convenções coletivas ou leis estaduais, que podem variar consideravelmente.
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Para o mercado de trabalho, a manutenção do veto significa que as empresas e instituições que empregam zootecnistas não terão a obrigação de se adequar ao piso proposto. Isso pode manter a competitividade em termos de custos para o setor, mas também pode gerar insatisfação e desmotivação entre os profissionais que buscam uma remuneração mais justa e padronizada. A zootecnia é fundamental para o desenvolvimento do agronegócio, contribuindo para a otimização da produção animal, melhoramento genético e sustentabilidade.
Os próximos passos: a análise do Congresso Nacional
Com o veto presidencial, a palavra final sobre o Projeto de Lei 2816/23 agora recai sobre o Congresso Nacional. Em uma sessão conjunta de deputados e senadores, os parlamentares terão a incumbência de decidir se mantêm ou derrubam o veto. Para que o veto seja derrubado, é necessária a maioria absoluta dos votos de ambas as Casas, ou seja, 257 votos de deputados e 41 votos de senadores. Caso o veto seja mantido, a proposição legislativa será arquivada.
A discussão no Congresso promete ser intensa, com a pressão de entidades representativas dos zootecnistas e o debate sobre a importância do equilíbrio fiscal versus a valorização profissional. A decisão dos parlamentares terá um impacto direto não apenas na carreira dos zootecnistas, mas também na dinâmica das relações entre o Executivo e o Legislativo, especialmente em temas que envolvem gastos públicos e reconhecimento de categorias profissionais.



