Cientistas que dedicam suas pesquisas a marmotas nas montanhas do Colorado, nos Estados Unidos, encontraram uma maneira bastante incomum de arrecadar fundos para manter suas atividades. Em 28 de julho, eles lançaram uma página no OnlyFans, batizada de “OnlyMarms”, onde compartilham fotos e vídeos dos roedores selvagens em seu habitat natural, buscando apoio financeiro por meio de gorjetas dos seguidores. A iniciativa surgiu após cortes no financiamento federal que colocaram em risco um programa de pesquisa com mais de seis décadas de existência.
Um programa de longa data ameaçado pelo corte de verbas
O projeto de estudo de marmotas amarelas, sediado no Rocky Mountain Biological Laboratory, tem uma história que remonta a 1962, sendo um dos mais longos do mundo sobre mamíferos de vida selvagem. Daniel Blumstein, professor do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade da Califórnia, Los Angeles, lidera a pesquisa. No ano passado, porém, a administração do então presidente Donald Trump cancelou várias bolsas de pesquisa, deixando o programa em uma situação financeira precária e ameaçando sua continuidade. A perda desses recursos obrigou a equipe a buscar alternativas criativas para garantir a sobrevivência do estudo, que gera dados cruciais sobre ecologia e comportamento animal.
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OnlyMarms: a solução inesperada do OnlyFans
Para reverter a falta de fundos, Blumstein e sua equipe decidiram criar o “OnlyMarms”. A página no OnlyFans oferece aos assinantes acesso a um conteúdo “G-rated”, ou seja, adequado para todos os públicos, com o dia a dia das marmotas. A estudante de mestrado Emily Renkey, que faz parte do programa desde 2022, é a responsável pela criação e manutenção da página. Ela compartilha regularmente imagens e vídeos dos animais, transformando a plataforma conhecida por conteúdo adulto em um espaço para a divulgação científica e arrecadação de doações. Os fãs podem acompanhar a vida “sem filtros” das marmotas de barriga amarela nas Montanhas Rochosas e contribuir com gorjetas para a pesquisa.
Transparência e propósito educativo por trás da plataforma
Os criadores do OnlyMarms são claros sobre a natureza da iniciativa. Daniel Blumstein afirmou que a proposta é manter o conteúdo familiar e divertido, sem qualquer conotação sexual. “Será G-rated, e não vamos sexualizar isso. Vamos apenas nos divertir compartilhando”, disse Blumstein ao jornal The New York Times. Emily Renkey, por sua vez, defende a escolha da plataforma como um meio de engajar o público e educar. Ela revelou que, embora às vezes publique vídeos que considera fofos, prefere usar as imagens para demonstrar comportamentos específicos e ensinar as pessoas sobre as marmotas.
A criatividade como motor da ciência
Emily Renkey também argumentou que a busca por métodos não convencionais para financiar a pesquisa é inerente à natureza da ciência. Para ela, ser “oportunista e criativo” faz parte do processo científico e da pesquisa. A estudante reconhece que engajar o público dessa forma pode ser intimidante, mas questiona o propósito do trabalho se não for para “ajudar a humanidade a avançar”. A decisão reflete uma tendência crescente de cientistas buscando formas inovadoras de manter projetos importantes diante de um cenário de financiamento instável.
Outras iniciativas de arrecadação de fundos
Além do OnlyMarms, o programa de pesquisa de marmotas está explorando outras estratégias para levantar os recursos necessários. Essas iniciativas buscam diversificar as fontes de apoio e alcançar diferentes públicos.
- Lançamento da cerveja “Marmot Tears IPA”: No início de julho, a Irwin Brewing Co. de Crested Butte lançou uma cerveja artesanal em parceria com o projeto, com parte das vendas revertida para a pesquisa.
- Evento “Fat Marmot Week”: Inspirado no famoso “Fat Bear Week” do Katmai National Park, um evento similar será realizado em agosto, incentivando a votação popular nas marmotas mais “robustas” para celebrar a saúde dos animais e arrecadar fundos.
Essas ações demonstram o esforço contínuo dos pesquisadores para garantir a longevidade de um estudo que tem contribuído significativamente para o entendimento da vida selvagem e dos ecossistemas.

