Pedágio free flow expande em rodovias brasileiras com multas por evasão em alta no ano

Free Flow

Pedágio free flow na Rodovia Rio-Santos BR-101 – CCR 4 — Foto: CCR Rio-SP

O sistema de pedágio free flow, que permite passagem sem paradas em pórticos equipados com câmeras e sensores, registra expansão em rodovias federais e estaduais do Brasil. Em 2025, mais de 1 milhão de motoristas receberam multas por evasão após não quitarem tarifas em até 30 dias, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A modalidade, implementada inicialmente na Rodovia Rio-Santos em 2023, visa melhorar a fluidez do tráfego, mas exige adaptação dos usuários para evitar penalidades de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

Especialistas destacam que a tecnologia reduz congestionamentos em até 20% em trechos monitorados, com base em experiências internacionais. No entanto, a falta de sinalização clara em algumas vias contribui para o alto índice de não pagamentos. Concessionárias como CCR e EcoNoroeste operam os principais pontos, com foco em educação via aplicativos e sites oficiais.

A implementação ocorre em meio a debates sobre transparência, com ações judiciais questionando multas aplicadas sem notificação prévia.

Expansão acelera em São Paulo

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) planeja instalar 37 novos pórticos free flow até o fim de 2025, elevando o total para 40 no estado. Essa medida substitui gradualmente praças tradicionais em concessões como Raposo Tavares e Tamoios, promovendo cobrança por quilometragem percorrida.

Concessionárias lideram o processo: a CCR Sorocabana adicionará 23 estruturas, enquanto a Novo Litoral contribuirá com 15. O objetivo é cobrir 58 pórticos até 2030, com investimentos em infraestrutura estimados em bilhões de reais.

Motoristas relatam adaptação gradual, mas insistem em maior divulgação de prazos.

Como funciona o pagamento eletrônico

O free flow identifica veículos por leitura de placas ou tags eletrônicas como Sem Parar e Veloe. Sem tag, o usuário acessa o portal da concessionária para consultar e quitar a tarifa em até 30 dias via boleto ou Pix.

  • Tarifas variam de R$ 5 a R$ 15 por trecho, dependendo da rodovia e eixos do veículo.
  • Aplicativos como Carteira Digital de Trânsito centralizam consultas a débitos pendentes.
  • Veículos isentos incluem ambulâncias e oficiais, com verificação automática.
  • Pagamentos atrasados geram notificação por correio ou e-mail cadastrado.

Essa estrutura simplifica o fluxo, mas requer cadastro prévio para agilidade.

Multas crescem por falta de adaptação

Mais de 669 mil autuações foram registradas na Rodovia Rio-Santos até março de 2025, com arrecadação superior a R$ 200 milhões em penalidades. A Justiça Federal suspendeu temporariamente cobranças indevidas em alguns casos, determinando prazos estendidos para quitação.

Usuários sem tag enfrentam o maior risco, pois o sistema não emite alertas instantâneos em todos os trechos. No Rio Grande do Sul, concessionárias como CSG reportam inadimplência em 5% das passagens, após campanhas locais.

O Ministério Público Federal move ações para revisar multas excessivas, alegando desproporcionalidade em vias urbanas.

No primeiro mês de operação em São Paulo, 12 mil veículos foram autuados na EcoNoroeste, destacando a necessidade de sinalização aprimorada nos acessos. A ANTT monitora o cenário para ajustes regulatórios, visando equilíbrio entre eficiência e direitos dos condutores.

Benefícios para o tráfego rodoviário

A redução de paradas em pórticos free flow diminui emissões de carbono e tempo de viagem em rodovias concedidas. Estudos da Kearney indicam corte de 20% em congestionamentos em cidades como São Paulo, com base em modelos chineses e americanos adaptados ao Brasil.

Concessionárias investem em inteligência artificial para precisão na leitura de veículos, minimizando erros de identificação. Essa evolução apoia a transição para veículos elétricos, integrando rotas otimizadas em apps de mobilidade.

Parcerias público-privadas aceleram a instalação, com foco em manutenção de vias duplicadas como a BR-381 em Minas Gerais.

O sistema também facilita entregas logísticas, reduzindo custos operacionais em até 15% para frotas com tags instaladas. No Summit Futuro da Mobilidade, executivos da iFood e EON Grid enfatizaram a integração com políticas de descarbonização, promovendo hubs de recarga em trechos eletrônicos.

Educação evita evasões comuns

Campanhas publicitárias nas rodovias e mídias digitais orientam sobre o uso de tags para débitos automáticos. O Contran atualizou regras em outubro de 2024, estendendo prazos e exigindo placas padronizadas em pórticos.

Projetos pilotos em vias rurais testam notificações via SMS, alcançando motoristas sem acesso a apps. A ABCR estima adesão de 12 milhões de usuários a tags nacionais, cobrindo 90% das concessões.

Essa abordagem coletiva entre ANTT, concessionárias e órgãos estaduais visa zerar evasões até 2026.

Desafios na infraestrutura atual

Investimentos em recarga para elétricos acompanham a expansão, com hubs em 20% dos novos pórticos. Alexandre Miyahara, da EON Grid, aponta que a matriz energética brasileira favorece essa transição, mas exige alinhamento regulatório para aluguéis de veículos eletrificados.

Trechos como o Rodoanel Norte, em São Paulo, receberão free flow em setembro de 2025, integrando monitoramento inteligente de tráfego. Carlos Gazaffi, do Sem Parar, destaca a dependência de agendas macroeconômicas para viabilizar bilhões em obras.

A modalidade cobra proporcionalmente à distância, ajustando tarifas em horários de pico para desestimular picos de uso.

No Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, nove pórticos afetam rotas agrícolas, demandando adaptações para produtores locais. A Secretaria de Parcerias Gaúcha relata queda de 10% para 5% na inadimplência após treinamentos comunitários, ilustrando o impacto regional da tecnologia.

Integração com mobilidade urbana

O free flow estende-se a vias urbanas, como trechos da Via Dutra em Guarulhos, com testes para cobrança em acessos laterais. Arthur Zago, da iFood, defende rotas otimizadas para entregadores, reduzindo tempo de espera em 20% e emissões em centros congestionados.

Regulamentações do Contran incluem símbolos unificados em placas, facilitando a identificação por motoristas. Em 2025, o Brasil adota padrões semelhantes aos de Chile e Portugal, com 20 países como referência.

Essa expansão depende de transparência em contratos de concessão, com cláusulas para auditorias anuais de tarifas.

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