MP pede indenização de R$ 200 mil à família de mulher atropelada pelo marido, em Orizona

Redação
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MP pede indenização de R$ 200 mil à família de mulher atropelada pelo marido, em Orizona

Valor, segundo o pedido endereçado à Justiça goiana, deve ser destinado especialmente às três filhas menores da vítima

Imagem mostra viatura da polícia em local onde o crime foi praticado

Autor do atropelamento fugiu, mas foi encontrado pela polícia em região de mata (Foto: Reprodução)

Felipe Cardoso

O Ministério Público de Goiás (MPGO) pediu à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 200 mil por danos morais à família de Nayara Eloá Rocha Gomes, de 34 anos, atropelada e morta pelo marido em Orizona em dezembro de 2025. O valor, segundo a denúncia a recente, deve ser destinado especialmente às três filhas menores da vítima.

De acordo com a promotora de Justiça da cidade, Ayla Quintella, o homem matou a companheira em via pública, por razões da condição de sexo feminino, no contexto de violência doméstica e familiar. Quintella chamou atenção para o fato de o crime ter sido praticado na presença do pai da vítima, além da dificuldade de defesa de Nayara.

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No dia do crime, a vítima teria manifestado seu interesse em pôr fim ao relacionamento e pediu que o acusado deixasse a residência. Inconformado com a situação, o homem se dirigiu ao caminhão e, depois, atropelou Nayara, que morreu no local.

O Ministério Público sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe, pela não aceitação do fim do relacionamento, e com emprego de meio cruel, diante da utilização de um veículo de grande porte como instrumento do homicídio.

Na denúncia, o MP reforçou a impossibilidade de celebração de acordo de não persecução penal, que é um trato entre o investigado e a justiça para que o crime seja respondido com pagamento de multa ou serviços. Em justificativa, o Ministério Público argumenta pela prática do crime de feminicídio, com pena de reclusão de 12 a 30 anos, praticado com violência extrema e no contexto de violência doméstica.

O órgão também defende a manutenção da prisão preventiva, argumentando que a gravidade do fato, o modo de execução e a fuga do acusado logo após o crime representam risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.

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60ª vítima

O caso ocorreu num domingo (28/12), no bairro Santa Luzia, em Orizona. Após utilizar o caminhão para atingir a mulher, o acusado fugiu com o veículo. Mais tarde, o caminhão foi encontrado abandonado na rodovia GO-219, no trecho entre o município e o distrito de Egerineu Teixeira. Revoltados com a história, moradores incendiaram o caminhão.

Depois de realizarem buscas pela região, policiais militares encontraram o suspeito do crime em uma área de mata. Ele terminou preso e conduzido à Central de Flagrantes do município. Com a morte de Nayara, o estado alcançou a marca de 60 casos de feminicídio em 2025.

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