Morte de Rafael Anjos Martins eleva para oito óbitos por bebidas alcoólicas contaminadas com metanol em São Paulo

Rafael Anjos Martins

Rafael Anjos Martins – Foto: Arquivo Pessoal

Rafael Anjos Martins, de 28 anos, morreu nesta quinta-feira em um hospital de Osasco, na Grande São Paulo, após 52 dias em coma induzido por intoxicação grave com metanol. O jovem ingeriu gin falsificado comprado em uma adega na Cidade Dutra, zona sul da capital paulista, durante uma confraternização em 30 de agosto. O laudo médico apontou 155 mg/l de metanol no organismo, nível que excede o limite de 100 mg/l associado a coma profundo e falência orgânica.

A família acompanhou o caso desde o diagnóstico inicial, em 1º de setembro, quando Rafael foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva e mantido em ventilação mecânica. Amigos que consumiram a mesma bebida apresentaram sintomas leves, como náuseas e perda visual parcial, mas recuperaram-se com tratamento rápido. A Polícia Civil investiga a origem da adulteração, com perícia em garrafas apreendidas no local de compra.

Autoridades de saúde registram aumento de notificações no estado, com foco em destilados como gin, vodca e uísque. O Ministério da Saúde orienta notificação imediata de casos suspeitos para conter a disseminação.

Circunstâncias do consumo

A compra ocorreu em uma adega local, onde Rafael adquiriu duas garrafas de gin junto com energéticos e gelo. Os amigos se reuniram em sua residência para uma reunião casual que se estendeu até a madrugada.

Nenhum dos participantes notou irregularidades na embalagem ou no sabor da bebida. Horas após o término, Rafael relatou dores abdominais intensas e visão turva, sintomas iniciais da toxina.

O grupo buscou atendimento no Hospital Geral do Grajaú, onde exames confirmaram a presença elevada de metanol. A transferência para Osasco permitiu hemodiálise contínua, mas o dano cerebral progrediu.

Efeitos clínicos do metanol

O metanol afeta o sistema nervoso central e o nervo óptico em poucas horas. Valores acima de 100 mg/l no sangue provocam acidose metabólica e lesões irreversíveis.

Pacientes com níveis como o de Rafael enfrentam risco de 80% de coma irreversível, segundo protocolos toxicológicos. Tratamentos incluem etanol intravenoso para bloquear a metabolização tóxica.

  • Náuseas e vômitos surgem em até 12 horas;
  • Perda visual ocorre em 24 horas;
  • Convulsões e coma instalam-se em 36 horas;
  • Falência renal e hepática seguem sem intervenção.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica registra que detecção precoce eleva chances de sobrevivência para 70%.

Investigação policial em curso

A Polícia Civil abriu inquérito por falsificação de produto medicinal. Agentes recolheram amostras da adega, incluindo garrafas abertas e fechadas da marca Tanqueray.

O delegado responsável aguarda laudos periciais para traçar a cadeia de suprimento. Fábricas clandestinas em Americana foram desmanteladas recentemente, com produção de 17 mil unidades falsificadas.

  • Dois suspeitos presos por adulteração;
  • 50 mil garrafas apreendidas em 2025;
  • Ligação possível com importação irregular via Paranaguá.

A operação envolveu a Polícia Federal, que analisa contrabando de metanol industrial.

Medidas de saúde pública

O governo paulista instalou comitê de crise em setembro para monitorar casos. Seis estabelecimentos foram interditados por venda de bebidas suspeitas, com inspeções em bares da zona sul.

O Ministério da Saúde emitiu nota técnica para notificação obrigatória. Hospitais realizam testes laboratoriais em até uma hora para casos de ressaca atípica.

Pacientes devem procurar emergência com sintomas como tontura persistente. O Centro de Vigilância Sanitária recomenda descarte seguro de embalagens vazias para evitar reutilização.

Escala do surto em São Paulo

Desde junho, o estado acumulou 42 casos confirmados de intoxicação por metanol em bebidas. Oito óbitos foram registrados, com sete nas últimas semanas.

Notificações nacionais somam 225, concentradas em São Paulo com 90% dos registros. Pernambuco e Bahia reportam casos iniciais em investigação.

Protocolos de detecção rápida

Médicos enfatizam exames de sangue e urina para diferenciar de etilismo comum. O metanol metaboliza em formaldeído e ácido fórmico, causadores de acidez letal.

Avaliação oftalmológica é essencial para vítimas com queixas visuais. Laboratórios em Campinas e Ribeirão Preto processam amostras com eficiência.

Tratamento precoce com fomepizol inibe a enzima responsável pela toxina. Sem intervenção, o prognóstico piora em 50% dos atendimentos tardios.

Recomendações para consumidores

Estabelecimentos devem verificar selos da Casa da Moeda em destilados importados. Consumidores evitam compras em locais sem nota fiscal ou preços abaixo do mercado.

A Abrasel orienta armazenamento seguro de garrafas usadas. Vigilância reforçada inclui análise de vodca e uísque em pontos de venda.

  • Prefira marcas com selo fiscal;
  • Descarte vidros em reciclagem controlada;
  • Monitore sintomas pós-consumo por 48 horas;
  • Notifique autoridades em casos suspeitos.

A campanha visa reduzir falsificações, que representam 36% do mercado de bebidas no Brasil.

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