O Metrô de São Paulo recebeu o oitavo trem destinado à Linha 17-Ouro, na quarta-feira, 3 de dezembro de 2025, no Pátio Água Espraiada, na zona sul da capital paulista. A composição, fabricada pela empresa chinesa BYD, integra a frota de 14 unidades projetadas para o monotrilho de 6,7 quilômetros de extensão. Essa entrega ocorre durante a fase de testes e instalação de equipamentos, com o objetivo de preparar a linha para operação assistida em março de 2026. O avanço responde à demanda por integração entre o Aeroporto de Congonhas e o sistema metroferroviário, beneficiando cerca de 100 mil passageiros diários.
A chegada do trem reforça o cronograma de conclusão das obras civis, que ultrapassam 90% de execução. Técnicos realizam movimentações iniciais para validar os sistemas automatizados. O pátio serve como base para manutenção e testes, garantindo eficiência na futura operação.
- Capacidade de cada trem: 616 passageiros em cinco carros.
- Autonomia com baterias: até 8 quilômetros sem energia externa.
- Integrações planejadas: Linha 5-Lilás na estação Campo Belo e Linha 9-Esmeralda na Morumbi.
Avanços nos testes de movimentação
Os testes com o oitavo trem iniciam imediatamente após a integração ao pátio. Em março de 2025, uma composição similar percorreu 1.200 metros até a estação Washington Luís usando apenas baterias. Equipes monitoram desempenho em horários simulados de pico.
Desde setembro de 2024, quando o primeiro trem chegou, seis unidades já operam em rotas experimentais. O nono trem segue em trânsito pelo Porto de Santos e deve se juntar à frota em breve. Esses procedimentos validam a tecnologia UTO, que permite operação sem condutor.
Especificações técnicas das composições
Cada monotrilho da Linha 17-Ouro mede 70 metros de comprimento e inclui passagem livre entre carros. O ar-condicionado mantém temperatura controlada, enquanto câmeras de vigilância cobrem todo o interior. Sistemas de comunicação exibem mapas dinâmicos para orientação dos usuários.
A iluminação em LED reduz consumo energético em 30% comparado a modelos anteriores. Um intercomunicador conecta passageiros ao centro de controle em tempo real. O combate a incêndios usa detectores automáticos integrados às baterias.
Estações em fase de acabamento
Obras na estação Vereador José Diniz atingem 97% de conclusão, com foco em elevadores e portas de embarque. Passarelas metálicas já instaladas facilitam acesso em Washington Luís e Campo Belo. Coberturas protegem plataformas de intempéries na Brooklin Paulista e Vila Cordeiro.
Paisagismo avança em Chucri Zaidan, com plantio de espécies nativas ao redor das estruturas. A estação Aeroporto de Congonhas finaliza o túnel de ligação, medindo 300 metros. Testes de sinalização ocorrem simultaneamente em todas as oito paradas.
Histórico de construção e prazos
A Linha 17-Ouro iniciou em 2012, com promessa de entrega para a Copa do Mundo de 2014. Paralisações ocorreram em 2016 e 2019 devido a rescisões contratuais. Em setembro de 2023, o governo retomou os trabalhos sob a Agis Construção, elevando o progresso de 61% para os atuais 90%.
O custo total acumula R$ 5,8 bilhões, financiados por empréstimos do BNDES e recursos estaduais. Até dezembro de 2025, sistemas de telecomunicações devem estar operacionais. A licença de operação da Cetesb segue para o mesmo período.
O ramal em Y conecta Morumbi a Congonhas via Campo Belo, otimizando fluxos na Marginal Pinheiros. Demanda projetada inclui 15 mil usuários por hora em cada sentido durante picos.
Preparação para operação assistida
A fase assistida começa em março de 2026, com horários limitados aos fins de semana. Seis a oito trens bastam para cobrir o trecho integral, das 4h40 à meia-noite. Treinamentos de equipes focam em protocolos de emergência e integração tarifária.
Subestações elétricas instalam-se até novembro de 2025, suprindo energia para sinalização e ventilação. Totens de autoatendimento substituem bilheterias tradicionais nas estações. A ViaMobilidade gerenciará a linha após inauguração plena no terceiro trimestre de 2026.
Benefícios para a mobilidade na zona sul
A integração direta ao Aeroporto de Congonhas reduz tempo de viagem em 40 minutos para usuários da Linha 9. O monotrilho alivia congestionamentos na avenida Washington Luís, principal acesso ao terminal. Capacidade diária de 90 mil passageiros atende fluxo crescente de 25 milhões de embarques anuais no aeroporto.
Conexões com ônibus alimentadores expandem alcance para bairros como Brooklin e Itaim Bibi. Redução de emissões ocorre com recarga de baterias em estações, promovendo eficiência ambiental. O projeto inclui acessibilidade total, com rampas e áudio-descrição para deficientes visuais.
A Linha 17-Ouro totaliza 203 vigas-guia elevadas, construídas desde 2024. Manutenção preditiva usa sensores para prever falhas em trilhos. Operação plena espera liberação gradual, monitorando adesão inicial de passageiros.
Cronograma de entregas de trens
O lote de 14 composições avança com entregas mensais da BYD. Até novembro de 2025, todas as unidades estarão no pátio para calibração. Testes de carga simulam 100% de ocupação em rotas de 4,5 quilômetros.
- Primeira unidade: setembro de 2024, testes iniciais concluídos.
- Unidades 2 a 5: chegadas entre janeiro e julho de 2025.
- Unidades 6 a 8: novembro e dezembro de 2025, com foco em autonomia.
- Unidades restantes: janeiro a março de 2026, calibração final.
Equipamentos como mapas interativos instalam-se nos últimos trens. A frota suporta expansão futura para Jabaquara, suspensa desde 2013.

