Além disso, O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi reeleito neste domingo (25) para o quarto mandato após derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais. Dessa forma, em discurso realizado por volta das 22h20 em um auditório do hotel InterContinental, em São Paulo, o chefe do Executivo agradeceu a votação recebida e anunciou que fará a regulação das plataformas digitais após enfrentar interferência externa durante a campanha.
“É uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Com isso, não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual crime na vida real”, afirmou Lula em seu primeiro pronunciamento após a confirmação do resultado. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Flávio Bolsonaro continuam sendo acompanhados com atenção.
Foto: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam segundo turno acirrado – Internet
Contexto e detalhes sobre Flávio Bolsonaro
Nesse sentido, na sequência, o petista criticou a atuação financeira e política das empresas de tecnologia no Brasil. “Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande, ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, declarou. Logo após falar no hotel, Lula seguiu para a Avenida Paulista para comemorar com apoiadores.
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Votação de Lula e virada inédita no segundo turno
Em seguida, com 98% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula obteve mais de 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,75% dos votos válidos, contra 59.825.000 votos recebidos por Flávio Bolsonaro. De acordo com as apurações, A vantagem do candidato reeleito no segundo turno ficou em cerca de 4,5 milhões de votos.
Por outro lado, É a primeira vez na história das eleições presidenciais brasileiras que um candidato reverte a desvantagem do primeiro turno — quando Lula ficou pouco mais de 2,2 milhões de votos atrás do adversário — para vencer a disputa final. Vale destacar que na divisão geográfica do pleito, o petista venceu em 13 estados, abrangendo os nove do Nordeste, Amazonas, Pará, Amapá e Minas Gerais, enquanto o senador do PL venceu nas outras 14 unidades da federação.
Sendo assim, no pronunciamento, o presidente declarou que o pleito registrou o menor índice de abstenções e de votos nulos da história do país. “Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, foi uma derrota da mentira”, disse. Além disso, ele também agradeceu a mobilização de jovens e idosos. “Eu queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, neste segundo turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para rua para defender a democracia, quero agradecer às pessoas idosas.”
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Lula relatou ainda o comparecimento de eleitores com problemas de saúde às seções eleitorais. “Eu vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para ir votar, pessoas impossibilitadas de se locomover, pessoas com câncer e com outros tipos de doença, e as pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia do país”, afirmou.
Mudanças na comunicação do governo Lula e alianças políticas
Ao avaliar o processo eleitoral de 2026, o presidente prometeu alterar a condução administrativa do Executivo federal. “Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, declarou. Ele acrescentou críticas a setores da imprensa: “Não vou ficar permitido ser interpretado por jornalista com má fé. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço”.
Na área digital, Lula agradeceu diretamente ao deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), que coordenou a campanha nas redes sociais durante o segundo turno e criou o canal Exército do Lula no aplicativo WhatsApp, grupo que alcançou quase 11 milhões de integrantes. A entrevista coletiva no hotel InterContinental reuniu ministros, parlamentares e lideranças aliadas ao lado do presidente reeleito, como o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, o governador reeleito do Piauí e coordenador de comunicação da campanha, Rafael Fonteles, o senador Camilo Santana, as deputadas federais Sâmia Bomfim e Marina Silva, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet, o deputado estadual Eduardo Suplicy, o ex-ministro da Fazenda e candidato derrotado ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-prefeito do Recife e candidato derrotado ao governo de Pernambuco, João Campos.
O titular da Secretaria-Geral da Presidência da República também esteve no ato, mas não teve o nome divulgado.
Histórico de Lula e diferenças entre os candidatos
Prestes a completar 81 anos na terça-feira, 27 de outubro de 2026, Lula destacou ser o único presidente sem diploma universitário eleito quatro vezes no país. Antes da vitória de 25 de outubro de 2026, ele governou o Brasil por dois mandatos entre 2003 e 2010 e no período de 2023 a 2026. Ex-deputado federal constituinte de 1987 a 1991, o líder petista também disputou a Presidência sem sucesso em 1989, 1994 e 1998.
Entre o primeiro e o segundo turno de 2026, manifestações de rua ocorreram em cidades de todas as regiões do país em defesa da Constituição Federal e dos direitos estabelecidos após a ditadura militar. A pauta de direitos humanos demarcou diferenças históricas entre os dois concorrentes: enquanto Lula iniciou a trajetória política no fim da década de 1970 no enfrentamento ao regime militar, Flávio Bolsonaro é herdeiro político do pai, Jair Bolsonaro, defensor do regime e admirador do coronel Carlos Brilhante Ustra, apontado pela Comissão Nacional da Verdade como responsável por torturas e mortes na ditadura.
Propostas para a economia, educação e data da posse de Lula
Para o mandato que começa em 2027, o plano de governo de Lula na área econômica prevê a manutenção do arcabouço fiscal — regra que fixa limites para o crescimento das despesas públicas — e a defesa de maior progressividade tributária, cobrando proporcionalmente mais das rendas mais altas. A plataforma inclui a valorização real do salário mínimo, a preservação de direitos trabalhistas, investimentos em infraestrutura, reindustrialização e energia renovável, além da continuidade dos programas Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida.
Na educação, o presidente reeleito propõe construir creches e pré-escolas, ampliar matrículas em tempo integral e reforçar os programas Pé-de-Meia, Pé-de-Meia Licenciatura e Bolsa Mais Professores para atrair docentes à rede pública. A posse presidencial para o novo mandato está marcada para terça-feira, 5 de janeiro de 2027.
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