Encontro com 16 representantes ocorreu no Alvorada; presidente busca reduzir resistência
De olho em ampliar seu eleitorado a pouco mais de um mês do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na noite de segunda-feira (31), empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada, residência oficial do Executivo em Brasília. O objetivo do encontro foi reduzir a resistência do setor à sua reeleição neste ano.
Ao todo, 16 representantes do setor empresarial e bancário estão presentes na reunião. São eles: Josué Gomes (Coteminas); André Esteves (BTG); Luiz Carlos Trabucco Cappi (Bradesco); Rubens Ometto Silveira Mello (Cosan); Joesley Batista (JBS); José Seripieri Filho (Amil); Henrique Constantino (Gol Linhas Aéreas); André Gerdau Johannpeter (Gerdau); Rubens Menin (MRV Engenharia); Eraí Maggi (Grupo Bom Futuro); Fábio Ermírio de Moraes (Votorantim Cimentos); José Luís Cutrale Júnior (Cutrale); Chain Zaher (Grupo SEB); Roberto Setúbal (Itaú Unibanco); João Alves de Queiroz Filho (Hypera Pharma) e Ricardo Lacerda (BR Partners).
Além dos empresários, parte da campanha e do governo também estiveram presentes, como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB); o presidente do PT, Edinho Silva; os ministros da Fazenda, Dario Durigan, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, do Planejamento, Bruno Moretti; e os presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e da Caixa, Carlos Vieira.
Os participantes começaram a chegar por volta das 19h30 à residência oficial da presidência da República. Foi servido um jantar aos convidados.
Nas últimas semanas, a equipe de Lula vem fazendo um esforço para aproximar o presidente, que disputa a reeleição, ao empresariado, na tentativa de diminuir a resistência que o mercado tem ao petista. Como forma de fazer essa ponte, a cúpula da campanha estabeleceu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, como o porta-voz com o segmento.
Como mostrou o Valor, o PT pretendia fazer um encontro com empresários antes do lançamento da candidatura de Lula na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no dia 16 de agosto. A ideia era reunir, em um jantar na véspera ou café da manhã, um grupo mais amplo. O chefe do Executivo, porém, vetou. Como o mote de Vila Euclides era uma “volta às origens”, um encontro com empresários colado naquele evento misturaria os assuntos e confundiria o eleitor.
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Em paralelo, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, hoje principal adversário de Lula ao Palácio do Planalto, tem feito trabalho semelhante. Na semana passada, o parlamentar teve encontros com empresários e banqueiros em São Paulo. Em um jantar, por exemplo, ele reuniu nomes que estiveram na segunda com Lula, como Trabuco, além de representantes do Itaú Unibanco, da Gerdau, do Santander e da Ambev.
A leitura de petistas é que, embora parte do mercado ainda tenha ressalvas em relação a Flávio na disputa presidencial, a rejeição a Lula permanece elevada e dificulta a conquista de apoios às vésperas da eleição de outubro. Isso porque alguns economistas têm alertado que medidas lançadas pelo governo federal podem elevar a dívida pública e dificultar o controle da inflação pelo Banco Central (BC).
Desde o início deste mandato de Lula, a dívida bruta da gestão já subiu mais de oito pontos percentuais em relação ao Produto Interno Bruto, superando os 80% do PIB. Além disso, tanto o Executivo quanto especialistas projetam que o indicador continuará em alta nos próximos anos.
Diante desse quadro, o atual chefe do Executivo tem sido orientado a se aproximar desse eleitorado. Uma ala da campanha defende que Lula evite assumir compromissos de elevado impacto fiscal durante a disputa eleitoral. A avaliação é que uma campanha sem propostas que possam gerar insegurança no mercado ampliaria a margem de manobra para um eventual novo governo negociar sua agenda e implementar medidas consideradas necessárias.
Segundo aliados, desde o início do terceiro mandato, em 2023, Lula foi aconselhado a construir uma interlocução mais próxima com empresários, tanto para facilitar a governabilidade quanto para reduzir resistências no setor. O presidente, no entanto, não seguiu essa estratégia e, na avaliação de interlocutores, acabou se distanciando ainda mais do segmento.
Na última quinta-feira (27), Lula tentou fazer aceno aos empresários e disse, durante entrevista à TV Globo, que a responsabilidade fiscal “baliza” sua vida. Por outro lado, porém, afirmou não se preocupar com a dívida pública do Brasil.
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