Sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Goiás

Homem relembra explosão de fogos de artifício em Caldas Novas: ‘não encerrou minha história’

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Homem relembra explosão de fogos de artifício em Caldas Novas: ‘não encerrou minha história’

Sobre o tema envolvendo fogos de artifício, além disso, aos 19 anos, Samuel Rodrigues tinha a vida dedicada aos grandes eventos. Dessa forma, trabalhava na montagem e operação de iluminação cênica, já havia participado de produções de artistas conhecidos nacionalmente e sonhava em integrar a equipe de uma banda. Em novembro de 2012, porém, uma explosão durante o trabalho, em Caldas Novas, no sul de Goiás, mudou completamente os rumos de sua vida.

Com isso, em entrevista ao Mais Goiás, Samuel, hoje com 33 anos, relembra o acidente que provocou graves lesões no rosto, classificadas como fratura de Le Fort III, um tipo severo de trauma que atinge a região média da face. Nesse sentido, ele perdeu a visão do olho esquerdo, teve uma redução significativa da capacidade visual do olho direito e ficou com sequelas estruturais permanentes. Portanto, encaminhado para atendimento médico, passou vários dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e enfrentou um longo processo de recuperação. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a fogos de artifício continuam sendo acompanhados com atenção.

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Em seguida, morador de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, ele é pai de dois filhos. De acordo com as apurações, mais de uma década após o acidente, ele compartilha como aprendeu a conviver com as sequelas e a reconstruir a vida, sem deixar que o episódio determine toda a sua história. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de fogos de artifício nos últimos dias.

Contexto e detalhes sobre fogos de artifício

“Para mim, superação não significa esquecer o que aconteceu. Por outro lado, significa reconhecer o que mudou, aprender a conviver com aquilo que não pode ser mudado e continuar construindo a vida possível”, relata. Especialistas destacam que novas atualizações sobre fogos de artifício devem surgir em breve.

Explosão aconteceu durante a desmontagem de equipamentos

Vale destacar que antes do acidente, Samuel havia construído uma trajetória profissional no setor de eventos. Sendo assim, começou como carregador e, com o tempo, aprendeu a trabalhar com equipamentos, cabeamento, programação, foco de iluminação e montagem de estruturas. Além disso, também realizava serviços em altura. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a fogos de artifício continuam sendo acompanhados com atenção.

Dessa forma, ele conta que gostava muito da profissão e tinha orgulho de participar de grandes produções musicais. Com isso, ao longo da carreira, trabalhou em eventos envolvendo artistas como Jorge & Mateus, Gusttavo Lima, Israel & Rodolffo, Matheus & Kauan, Luan Santana e Humberto & Ronaldo. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de fogos de artifício nos últimos dias.

Principais pontos e impactos da decisão

Nesse sentido, entre os eventos que marcaram sua trajetória, Samuel destaca o Caldas Country de 2011. Portanto, fã de Jorge & Mateus, ele assistiu ao show na lateral do palco e se emocionou ao perceber que a iluminação da apresentação havia sido montada e ajustada por ele e sua equipe.

fogos de artifício
Samuel Rodrigues antes do acidente (Foto: Arquivo pessoal)

“O que me emocionava era saber que aquelas luzes que estavam iluminando o palco tinham passado pelas minhas mãos. Em seguida, eu havia ajudado a montar e ajustar aquela estrutura”, recorda.

De acordo com as apurações, no ano seguinte, ele já planejava deixar a empresa para buscar novas oportunidades, de preferência trabalhando diretamente com uma banda. Por outro lado, no fim de outubro de 2012, comunicou a decisão ao gerente, que pediu que permanecesse até a edição daquele ano do Caldas Country. Vale destacar que samuel aceitou, sem imaginar que aquele seria seu último evento naquela etapa da vida.

O que dizem as partes envolvidas

Sendo assim, no dia do acidente, ele trabalhou normalmente. Além disso, após a montagem da estrutura, recebeu a orientação de instalar proteções contra a chuva nos equipamentos posicionados na parte superior das torres de LED. Dessa forma, depois de concluir a tarefa, foi ao restaurante, retornou ao hotel, tomou banho e descansou.

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Com isso, mais tarde, voltou ao evento. A equipe trabalhou durante a apresentação de Luan Santana e, após o show, o líder pediu que Samuel retirasse as coberturas que havia colocado para proteger os aparelhos da chuva.

Enquanto a equipe estava no hotel, fogos de artifício haviam sido instalados na mesma estrutura, mas Samuel não sabia da presença dos artefatos. Durante a retirada das coberturas, ele removeu três e pediu a um colega que retirasse outras duas enquanto seguia para o lado oposto, onde continuou o trabalho.

Próximos passos e desdobramentos

Foi nesse momento que um artefato pirotécnico explodiu muito próximo ao rosto dele.

“A sensação foi de uma pancada muito forte. Fiquei atordoado por aproximadamente um segundo, mas permaneci consciente”, relata.

Mesmo ferido, ele demorou a compreender a gravidade da situação. Começou a ter dificuldade para respirar e percebeu que a língua estava inchando. Para tentar manter a passagem de ar aberta, colocou três dedos da mão direita na garganta.

A preocupação inicial, segundo ele, chegou a ser voltar para o evento, pois ainda queria assistir à apresentação de Jorge & Mateus. Entretanto, os ferimentos já dificultavam seus movimentos, e ele estava a aproximadamente 14 metros do chão.

Um colega procurou ajuda, e a equipe de resgate conseguiu retirá-lo da estrutura. Durante a descida, Samuel precisou segurar a corda para evitar que o corpo girasse. Ao chegar ao chão, foi colocado em uma maca e levado de ambulância para atendimento médico.

Sobre a instalação dos fogos, Samuel relata que, posteriormente, recebeu informações que levantaram a possibilidade de envolvimento da equipe do apresentador Cuiabano Lima. Ele ressalta, contudo, que se trata de um indício, e não de uma responsabilidade comprovada.

Recuperação exigiu reaprender movimentos e aceitar mudanças

Após o atendimento inicial em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Samuel permaneceu consciente por algum tempo, mas perdeu a consciência pouco depois. Acordou em Goiânia, passou pelo Hospital Jacob Facuri e foi transferido para o Hospital das Clínicas, onde ficou internado na UTI.

As primeiras lembranças foram confusas, em razão dos medicamentos e da gravidade dos ferimentos. A consciência foi voltando gradualmente e, por volta de 3 de dezembro de 2012, ele começou a se recordar dos acontecimentos com mais clareza, um dia antes de completar 20 anos.

Naquele momento, ainda não compreendia totalmente a dimensão das sequelas. Estava muito machucado, enfaixado e tinha dificuldade para falar. Aos poucos, os médicos explicaram a gravidade do trauma facial e as sequelas que permaneceriam.

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Samuel Rodrigues durante o período de recuperação após o acidente (Foto: Arquivo pessoal)

A recuperação foi difícil. Em cerca de 30 dias, Samuel perdeu aproximadamente 20 quilos e precisou fazer fisioterapia, além de receber acompanhamento oftalmológico, fonoaudiológico e psicológico. Até mesmo movimentos que antes realizava naturalmente passaram a exigir esforço e ajuda profissional.

Em uma das ocasiões, tentou se levantar sem saber que ainda não tinha condições de andar. A fisioterapia foi fundamental para recuperar gradualmente a mobilidade. Voltar a ficar em pé e dar os primeiros passos se tornaram conquistas importantes.

Entre as lembranças da internação, Samuel destaca a preocupação de não conseguir realizar novamente um gesto simples do cotidiano. Como havia perdido parte do céu da boca, ele não sabia se conseguiria beber água normalmente.

A dúvida foi esclarecida quando o médico Sandro o autorizou a tomar água. Para Samuel, aquele momento se tornou uma das lembranças mais importantes da recuperação.

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“Para muitas pessoas, isso poderia parecer algo pequeno. Para mim, naquele momento, foi uma das coisas mais importantes da recuperação”, conta.

Quando voltou para casa, encontrou uma realidade completamente diferente daquela que conhecia. Aos 19 anos, estava acostumado a uma rotina intensa de trabalho e independência. De repente, precisava aprender a conviver com limitações físicas e visuais permanentes.

O apoio recebido nos primeiros dias foi importante, mas, com o passar do tempo, as visitas diminuíram e as pessoas retomaram suas rotinas. Samuel começou a enfrentar uma sensação de inutilidade diante das mudanças e da dificuldade de encontrar um novo sentido para a própria vida.

“Naquele momento, eu não tinha intenção de reconstruir minha vida. Eu simplesmente vivia porque precisava viver”, relembra.

Família e humor ajudaram a reconstruir a vida após o acidente

Aos poucos, novas experiências passaram a fazer parte da trajetória de Samuel. Em 14 de julho de 2013, começou um relacionamento que se transformaria em casamento. Três anos depois, na mesma data, os dois se casaram. Em dezembro de 2018, nasceu o primeiro filho do casal. Em abril de 2025, veio a segunda filha.

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Samuel Rodrigues ao lado da esposa no dia do casamento, em 2016 (Foto: Arquivo pessoal)

A família se tornou parte importante desse processo de reconstrução, enquanto ele aprendia a lidar com as sequelas e a enxergar novas possibilidades para o futuro.

O acidente, no entanto, continua presente em sua vida. A perda da visão e as mudanças na aparência física exigiram adaptações que ultrapassam o período de internação e recuperação.

Uma das maiores barreiras que Samuel enfrentou foi sair de casa sem máscara. Durante muito tempo, expor o rosto era algo impensável. Com o passar dos anos, porém, sua relação com a própria aparência mudou, e ele passou a enxergar essa exposição como uma forma de ajudar outras pessoas a aceitarem suas diferenças físicas.

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O humor também ganhou espaço nesse processo. Ao tratar a própria experiência com descontração, Samuel encontrou uma maneira de lidar com as dificuldades do cotidiano e abordar as sequelas sem deixar que elas definam quem ele é.

Samuel compartilha no TikTok uma reflexão sobre autoestima e aceitação (Vídeo: Reprodução/Tiktok)

“Hoje, vejo como necessário andar sem máscara e percebo que isso também ajuda outras pessoas a aceitarem suas diferenças fisionômicas e perderem o medo de expor aquilo que consideram imperfeito”, afirma.

Para ele, falar abertamente sobre as sequelas é uma maneira de mostrar que as diferenças na aparência não precisam impedir ninguém de se relacionar, construir uma família ou viver plenamente.

Mais de 13 anos após a explosão, Samuel não afirma ter apagado as marcas do que aconteceu. Sua história, porém, deixou de ser definida apenas pelo acidente e passou a incluir também a recuperação, a família e a possibilidade de ajudar outras pessoas a enfrentarem suas próprias dificuldades.

“O acidente mudou o caminho que eu imaginava seguir. Mas não encerrou a minha história”, conclui.

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Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás