Furação Melissa – Foto: X
Furacão Melissa atingiu a Jamaica na tarde de terça-feira (28) como um ciclone de categoria 5, com ventos sustentados de 298 km/h, próximo a New Hope, no sudoeste da ilha. O fenômeno, um dos mais intensos já registrados na bacia atlântica, provocou pelo menos três mortes no local, elevando o total para sete no Caribe, incluindo três em Haiti e uma na República Dominicana. Autoridades jamaicanas ativaram abrigos e alertas para inundações e deslizamentos, enquanto o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos EUA previa danos extensos à infraestrutura.
O landfall ocorreu por volta das 13h (horário local), com o centro do furacão avançando lentamente para nordeste a 13 km/h. Essa velocidade reduzida agravou os impactos, com rajadas acima de 322 km/h em áreas montanhosas. O NHC classificou o evento como histórico, superando o furacão Gilbert de 1988, que registrou 209 km/h na Jamaica.
Cerca de 25 mil turistas estavam na ilha no momento, segundo o ministro do Turismo, Edmund Bartlett. Equipes de emergência coordenaram evacuações e distribuição de suprimentos, priorizando regiões costeiras.
- Chuvas acumuladas podem superar 760 mm em zonas elevadas, causando deslizamentos.
- Maré de tempestade de até 4 metros afeta a costa sul.
- Ventos danosos persistem até a noite em áreas internas.
Trajetória atual do furacão
O furacão Melissa enfraqueceu para categoria 4 após cruzar a Jamaica, com ventos de 233 km/h às 17h ET, posicionado 24 km a leste de Montego Bay. O centro emerge da costa norte da ilha, rumando para o mar do Caribe, mas os perigos não acabaram para os jamaicanos.
Autoridades alertam para ventos danosos contínuos em regiões montanhosas até o fim da tarde. Previsões indicam mais 150 a 300 mm de chuva, elevando totais para até 762 mm em alguns pontos. O diretor do NHC, Michael Brennan, recomendou que residentes permaneçam em abrigos durante a noite.
O movimento para nordeste acelera ligeiramente, aproximando o furacão do sudeste de Cuba para a noite de terça ou madrugada de quarta. Essa fase mantém a intensidade major, com alertas para Santiago de Cuba e Guantánamo.
Alertas em Cuba
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel convocou a população para abrigar-se em meio à aproximação de Melissa, descrito como um dos furacões mais fortes a cruzar o território. O landfall previsto ocorre entre Granma e Holguín, com ventos de 225 a 233 km/h.
Transportes aéreos, terrestres e marítimos suspensos no leste da ilha, conforme embaixada dos EUA em Havana. Até 51 cm de chuva esperados, com maré de tempestade de 2,4 a 3,6 metros na costa sudeste. Autoridades enfatizam solidariedade e cumprimento de medidas para minimizar perdas humanas e materiais.
Aeroportos no oeste permanecem operacionais, mas viagens ocorrem por conta própria. O NHC prevê condições de furacão no sudeste de Cuba até quarta-feira de manhã.
O furacão segue para as Bahamas centrais na quarta-feira, possivelmente como categoria 3 ou 2, com ventos de força de furacão em Long Island e Crooked Island. Ondas de 1,5 a 2,4 metros de swell afetam Hispaniola, Jamaica e Ilhas Cayman nos próximos dias, gerando correntes de retorno perigosas.
Danos iniciais na Jamaica
Inundações rápidas tomaram ruas em Kingston e Montego Bay logo após o landfall. Conectividade de internet caiu para 42% dos níveis normais, segundo o grupo NetBlocks, dificultando comunicações. Árvores caídas bloquearam estradas, e postes de energia foram derrubados em várias paróquias.
O hospital de Black River sofreu danos graves, interrompendo serviços médicos na costa sudoeste. Autoridades de saúde da região sudeste alertam para jacarés deslocados por cheias em rios e pântanos de Kingston, St. Andrew, St. Catherine e St. Thomas. Residentes devem evitar águas alagadas e reportar avistamentos.
Cerca de 881 abrigos abriram, mas apenas mil pessoas os usaram inicialmente, preocupando autoridades. O setor de turismo, vital para a economia, ativou o Centro de Operações de Emergência para proteger visitantes e locais.
Medidas de apoio oficial
O governo jamaicano lançou o site supportjamaica.gov.jm para relatar incidentes como inundações e danos estruturais, além de canalizar doações. A ministra da Informação, Dana Morris Dixon, incentivou o uso da plataforma oficial para evitar fraudes.
Equipes com mais de 50 geradores posicionadas para restaurar energia pós-tempestade. O ministro de Água e Meio Ambiente, Matthew Samuda, orientou conservação de água potável em meio a cortes generalizados.
Voluntários preparam caixas com bens essenciais em Doral, Flórida, via Global Empowerment Mission, para envio a comunidades afetadas. A cooperação com o governo dos EUA discute assistência para recuperação.
Previsões para as Bahamas
O NHC emitiu alerta de furacão para o sudeste e centro das Bahamas na quarta-feira, com Melissa a 322 km de Nassau. Chuvas de 250 mm e maré de 1,5 a 2,4 metros previstas, isolando comunidades.
A ilha de Long Island e Crooked Island enfrentam os ventos mais fortes, com aceleração do furacão para nordeste. Swells chegam às Turks e Caicos, elevando riscos de erosão costeira. Preparações incluem fechamento de escolas e evacuações em áreas baixas.
O furacão pode atingir Bermudas quinta-feira à noite como tropical, mas com ventos remanescentes. A trajetória afasta ameaças à Flórida continental.
Histórico da intensificação
Melissa formou-se como depressão tropical em 21 de outubro ao norte da Venezuela, evoluindo para tempestade com o mesmo nome. Intensificação rápida no fim de semana a elevou a categoria 4 no Caribe, atingindo categoria 5 na segunda-feira com 257 km/h.
O movimento lento, de apenas 8 km/h, permitiu acúmulo de umidade, agravando chuvas. Aviões caçadores de furacões da NOAA coletaram dados, confirmando pressão de 892 mb no landfall, empatando recordes atlânticos. Essa fase de 34 horas em categoria 5 é incomum na temporada de 2025, que já viu três ciclones máximos.
A bacia atlântica registra Melissa como o mais forte global este ano, superando o tufão Ragasa no Pacífico. Registros jamaicanos desde 1851 não superam tal intensidade em landfall direto.
Impactos em Haiti e República Dominicana
Chuvas de Melissa causaram três mortes por deslizamentos e árvores caídas em Haiti no fim de semana, destruindo 15 hectares de milho em regiões com fome aguda afetando 5,7 milhões de pessoas. Autoridades haitianas relataram relutância em evacuações, com 200 casas danificadas.
Na República Dominicana, uma morte e um desaparecido ocorreram, com mais de 750 residências afetadas e 3.760 deslocados. Inundações isolaram 48 comunidades, cortando água para meio milhão. Escolas e repartições fecharam em nove províncias sob alerta vermelho.
O furacão adicionou até 300 mm de chuva em Hispaniola, exacerbando vulnerabilidades em áreas montanhosas. Equipes do Programa Mundial de Alimentos posicionaram suprimentos limitados, priorizando regiões com fome emergencial.


