A amizade entre Vanessa Setúbal e o capital de navio Iran Peixoto, que morreu vítima de um mal súbito em restaurante de um shopping de Goiânia, começou quando ela tinha 13 anos, durante ações voluntárias das quais os dois participavam. O que começou na adolescência se transformou em uma relação que atravessou 20 anos, com viagens, conquistas, conversas, risadas e também momentos difíceis.
Em entrevista ao Mais Goiás, Vanessa, de 33 anos, profissional de Relações Públicas, relembrou momentos da convivência com Iran e falou sobre a relação que os dois construíram ao longo da vida.
- Homem de 39 anos morre após passar mal em restaurante de shopping em Goiânia
“Antes de qualquer coisa, eu sou amiga e irmã de coração do Iran. Foram 20 anos de uma amizade muito presente, de estar junto nos momentos bons e também nos mais difíceis”, afirmou.
Uma das lembranças mais marcantes aconteceu no dia da formatura de Vanessa. Na época, Iran trabalhava em alto-mar e não estaria de folga para participar da cerimônia. Para conseguir estar presente, ele trabalhou uma semana a mais e trocou a escala com um colega.

A amiga não sabia que ele conseguiria chegar. Iran apareceu de surpresa na colação de grau e tornou aquele momento ainda mais especial para ela.
“Ele chegou de surpresa à cerimônia e a presença dele foi um dos maiores presentes que eu poderia receber naquele dia”, contou.
Anos depois, foi a vez de Vanessa acompanhar uma conquista importante do amigo. Ela viajou ao Rio de Janeiro para participar da formatura de Iran como Capitão de Cabotagem.

“Pude ver de perto o quanto ele estava irradiante, feliz e realizado. Foi lindo testemunhar aquele momento tão importante da vida dele”, relembrou.
Uma amizade de 20 anos
A relação dos dois também foi construída nos momentos simples do dia a dia. Vanessa conta que eles compartilhavam viagens, conversas, risadas e períodos difíceis. Iran gostava de estar perto dos amigos e da família e, segundo ela, demonstrava esse carinho nas próprias atitudes. Entre os programas de que gostava, o karaokê também fazia parte dos momentos de diversão.
“Ele amava estar perto dos amigos e da família e demonstrava isso em atitudes”, disse.
- Quem é o homem que morreu após cair com o filho de 10 anos no Lago Paranoá, em Brasília
Vanessa lembra ainda que Iran era uma das pessoas que os amigos procuravam quando precisavam conversar ou de um conselho.
“Era aquele ombro em que a gente podia se apoiar, o conselheiro, o amigo espirituoso e a pessoa que fazia questão de estar presente”, afirmou.
A última tarde juntos
Entre tantas lembranças, um encontro recente passou a ter um significado especial para Vanessa. Ela contou ao Mais Goiás que esteve com Iran na última terça-feira. Os dois passaram a tarde juntos, foram ao shopping, conversaram e riram.
Naquele momento, Vanessa não imaginava que aquele encontro seria um dos últimos momentos que os dois passariam juntos.

“Naquele momento, eu jamais poderia imaginar que estava vivendo uma das nossas últimas tardes. Não sabia que aquela seria uma despedida”, contou.
Depois da morte de Iran, aquele encontro ganhou um significado ainda maior para a amiga. As horas de conversa, risadas e carinho que compartilharam naquele dia passaram a representar uma despedida que ela não sabia que estava vivendo.
- ‘Não consigo imaginar a vida sem você’: irmã de Amilton Filho se despede após morte do deputado em acidente
“Talvez a vida tenha me dado um presente imenso… a oportunidade de estar ao lado dele, abraçá-lo, rir com ele, conversar e guardar, sem saber, uma última tarde da nossa história”, afirmou.
Ao lembrar da relação construída desde a adolescência, ela diz que vai guardar consigo as experiências que marcaram a trajetória dos dois e o carinho por Iran, a quem sempre considerou seu irmão de coração.
Leia também


