A administração de Donald Trump reiterou a Doutrina Monroe como um pilar de sua política externa para a América, mais de 200 anos após sua instauração em 1823.
Um vídeo com mais de cinco minutos, divulgado em 11 de agosto de 2026 nas redes sociais do Departamento de Estado dos Estados Unidos, afirmou que a “doutrina encontrou seu mais recente defensor em Donald Trump”.
O material visual, conforme o vídeo, apresentou a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro no começo deste ano como um dos exemplos atuais da aplicação da doutrina pela gestão Trump.
“Ao longo de dois séculos, a declaração de Monroe moldou a política externa dos EUA através de diferentes mandatos e em áreas geopolíticas fundamentalmente distintas. O que começou como um alerta às potências europeias evoluiu para uma estrutura de domínio regional — uma base que permanece, até hoje, a pedra angular da conduta americana no hemisfério”, disse o vídeo, narrado por Kevin Marino Cabrera, embaixador dos Estados Unidos no Panamá.
Na mesma publicação, o Departamento de Estado declarou que “o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado”.
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A doutrina leva o nome do ex-presidente dos Estados Unidos, James Monroe (1758-1831), seu idealizador.
Em 1823, durante o tradicional discurso presidencial de encerramento do ano no Capitólio, o então líder estabeleceu sua diretriz geopolítica. Ele declarou que qualquer esforço de nações europeias para impor seus sistemas políticos “a qualquer porção desse hemisfério seria considerada como um perigo à paz e à segurança” dos Estados Unidos.
Naquele período, as independências de diversas ex-colônias eram recentes e o ambiente geopolítico era marcado por intensas disputas imperiais pelos territórios.
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Desse modo, a Doutrina Monroe determinava que qualquer ação intervencionista da Europa no continente americano seria vista como uma ameaça à segurança dos Estados Unidos. Em contrapartida, os EUA se comprometiam a não interferir em conflitos internos europeus.
Essa postura consolidava os Estados Unidos como uma espécie de “tutores” das demais nações do continente, designando a região como estratégica e de alta prioridade para os interesses americanos.
A partir de então, a doutrina foi objeto de diversas reinterpretações por diferentes administrações da Casa Branca. Ela também serviu de justificativa para intervenções, tanto diretas quanto indiretas, em várias partes do continente, especialmente no Caribe e na América Central.
Tais reinterpretações são conhecidas como “corolários”, que são conceitos que ampliam ou adicionam elementos a declarações anteriores.
Uma das reformulações mais notáveis da Doutrina Monroe é o Corolário Roosevelt, estabelecido em 1904.
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O então presidente Theodore Roosevelt instituiu que os Estados Unidos teriam o direito de intervir nos assuntos internos de qualquer país latino-americano que não conseguisse honrar suas obrigações internacionais.
Tal interpretação deu origem a um outro conceito frequentemente associado à política externa americana para a América: a abordagem do “big stick”, ou “grande porrete”, que simboliza a iminente ameaça de intervenção dos Estados Unidos em nações de sua esfera de influência.
A “Doutrina Donroe” e a visão de Trump para o continente americano
O vídeo divulgado em 11 de agosto de 2026 não representa o primeiro contato do governo Trump com a Doutrina Monroe.
A combinação dos nomes “Monroe” e “Trump” deu origem a um apelido para a diretriz da atual administração: a “Doutrina Donroe”.
No final do ano anterior, a Casa Branca lançou sua mais recente Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Strategy). Neste documento, a Doutrina Monroe foi expressamente mencionada como um guia para as relações dos EUA com a América Latina.
Poucos dias antes da publicação do documento, Donald Trump emitiu uma mensagem oficial em comemoração ao aniversário da doutrina. O presidente republicano declarou que a orientação definida por Monroe é “fundamental” para a história americana e que sua gestão está dedicada à salvaguarda do hemisfério ocidental.
A Estratégia de Segurança Nacional aponta que, na perspectiva da atual gestão da Casa Branca, as nações da América Latina são a fonte de questões que impactam diretamente os Estados Unidos, como a imigração e o tráfico de entorpecentes.
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Enquanto no passado a Doutrina Monroe visava proteger o continente americano da influência de potências europeias, o governo Trump aparenta estar atualizando essa diretriz para, neste momento, limitar o avanço do poder da China na região.
Em uma entrevista concedida no ano anterior, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que o país deveria restaurar sua influência em seu “quintal”, que estaria “perdida” para a China.
A declaração de Hegseth ocorreu em meio à crescente pressão exercida por Washington sobre o Canal do Panamá, uma obra construída pelos EUA no início do século 20 e sob controle do país centro-americano desde 1999.
A administração Trump tem demonstrado oposição à crescente influência chinesa no canal marítimo, que conecta os oceanos Pacífico e Atlântico.
O Canal do Panamá, conforme o vídeo divulgado em 11 de agosto de 2026 pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a Doutrina Monroe, é um “símbolo da liderança duradoura dos Estados Unidos na região”.

