Adriana Moreira de Castro, de 51 anos, convive com o diabetes tipo 1 desde os 10 anos e encontrou no crochê uma forma de ajudar a custear o próprio tratamento. Moradora de Goiânia, ela produz canetas e outras peças artesanais que são vendidas com a ajuda da mãe, Maria Helena Moreira do Nascimento, de 70 anos.

Adriana perdeu a visão do olho direito por causa da retinopatia diabética e hoje usa uma prótese ocular. Para manter o diabetes controlado e cuidar da saúde, ela precisa fazer cinco aplicações de insulina por dia, medir a glicose cerca de seis vezes e praticar atividade física diariamente. Também tem gastos com colírios, suplementos, alimentação e academia.
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A prótese ocular custou cerca de R$ 7 mil e precisa passar por manutenção anual, que custa aproximadamente R$ 1 mil. Diante dos gastos, o artesanato passou a ser uma fonte de renda para ajudar nas despesas.
“Eu faço as canetas, o meu trabalho em crochê, e a minha mãe acaba me ajudando a vender para custear o tratamento, que não é fácil”, explica Adriana.
Uma história que começou em Uruaçu
Adriana descobriu que tinha diabetes quando ainda morava em Uruaçu, no interior de Goiás. Na época, aos 10 anos, passou mal e foi levada a um hospital. Segundo ela, recebeu soro com glicose sem ter feito exames e entrou em coma.
“Eu fui para o hospital andando e conversando, mas sentindo muito mal. Sem fazer nenhum exame me aplicaram soro de glicose e no mesmo dia entrei em coma”, lembra.
O pai decidiu levá-la para Goiânia em busca de atendimento. Adriana chegou à capital e foi encaminhada para uma UTI, onde permaneceu em coma por três dias.
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“Os médicos diziam que eu morreria na estrada, mas meu pai disse que, se isso acontecesse, pelo menos estava tentando me trazer para onde tivesse recurso”, conta.
Ao acordar, a primeira coisa que viu foi o nome do hospital escrito na fronha do travesseiro. “A única coisa que me lembro é que, quando acordei, eu li na fronha do travesseiro ‘Hospital Santa Genoveva’ e perguntei: ‘Cadê meus pais?’. Era a última cena que eu tinha visto.”
Ao longo dos 41 anos convivendo com o diabetes, Adriana ainda passou por outros dois períodos em coma. Um deles ocorreu por hipoglicemia e o outro após uma pneumonia.
Mãe ajuda nas vendas das canetas
A relação de Adriana com Uruaçu continua mesmo depois da mudança para Goiânia. Como é conhecida na cidade, a mãe passou a ajudar nas vendas das peças produzidas pela filha. Maria Helena costuma ficar aos domingos na feira, na banca do Joel da Melancia, onde oferece as canetas e outros produtos.
“Minha mãe me ajuda a vender as canetas porque eu morava no interior. Sou muito conhecida em Uruaçu”, explica Adriana.
As canetas de crochê, assim como os marca-páginas de tulipa e amor-perfeito, custam R$ 20 cada. Adriana também produz tapetes, jogos americanos e outras peças. Em pedidos maiores, os produtos podem ser enviados pelos Correios para outras cidades do Brasil.
A ideia das canetas surgiu depois de um período de oração. Adriana conta que pediu a Deus uma forma de produzir algo que fosse bonito, útil e acessível. “Vi em sonho as canetas exatamente desse jeito que faço. Deus é maravilhoso!”, afirma.
Além de ajudar com os próprios gastos, ela conta que utiliza parte do dinheiro das vendas para ajudar outras pessoas.
“Com a renda das coisas que vendo ainda ajudo levando alimento físico e espiritual aos outros”, diz.
As encomendas podem ser feitas pelo Instagram @adrianamoreiracroche ou pelo telefone (62) 98186-0151. O pix para quem quiser contribuir com o tratamento é CPF: 76431401115. As peças também podem ser compradas diretamente com Maria Helena aos domingos, na Feira Coberta de Uruaçu, conhecida como CEPALUR, na Rua Anápolis, 615-649, Vila Santana, na parte de baixo da feira, na banca do Joel da Melancia, pai de Adriana.
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