Foto: Uma das medidas provisórias permite a renegociação das dívidas dos produtores rurais que perderam safras entre 2019 e 2025 – Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília Crédito: Toninho Tavares/Agência Brasília
O Congresso Nacional formalizou nesta quarta-feira (12) a criação de cinco comissões mistas, encarregadas de examinar um conjunto de medidas provisórias (MPs) com impacto significativo em diversas áreas. A instalação de uma sexta comissão, responsável pela análise da MP 1357/26, que trata da isenção temporária da conhecida “taxa das blusinhas”, foi adiada para esta quinta-feira (13), às 14h30, devido à falta de consenso entre os parlamentares para a escolha de seu presidente e relator. Este impasse sublinha a complexidade e a polarização em torno de temas econômicos cruciais.
As comissões mistas são essenciais no rito legislativo, pois avaliam as medidas provisórias antes que elas sejam votadas nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. O funcionamento dessas estruturas é vital para que as MPs, que possuem força de lei desde sua publicação, possam ser debatidas, emendadas e, eventualmente, convertidas em lei definitiva, garantindo a participação do Legislativo na matéria.
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A medida provisória 1357/26, que suspende a cobrança de 20% do Imposto de Importação federal sobre remessas postais internacionais de até US$ 50 (aproximadamente R$ 260), aguarda a definição de sua liderança. Popularmente chamada de “taxa das blusinhas”, essa tarifa foi instituída em 2024 com o objetivo de proteger o comércio nacional, mas teve sua aplicação suspensa pelo governo em maio do corrente ano. A controvérsia em torno da taxa reflete o debate entre a proteção da indústria local e o acesso a produtos importados, impactando diretamente consumidores e o setor varejista.
A ausência de acordo para a composição da mesa diretora da comissão demonstra a sensibilidade política e econômica do tema. A decisão final sobre a continuidade ou não da isenção terá repercussões consideráveis tanto para o comércio eletrônico internacional quanto para a produção e venda de produtos no mercado interno. A expectativa é que a reunião de quinta-feira traga uma resolução para essa questão, permitindo o avanço da análise da MP.
Comissões em funcionamento e seus desafios
As cinco comissões que iniciaram seus trabalhos nesta quarta-feira abordarão temas variados, desde a renegociação de dívidas no campo até a criação de exames para médicos. Entre os pontos de destaque, estão:
- Dívidas de produtores rurais: A MP 1376/26, que permite a renegociação de débitos de agricultores que sofreram perdas de safras entre 2019 e 2025, será presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), com o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) como relator. Calheiros enfatizou a busca por uma solução fiscalmente responsável e equilibrada para o endividamento rural, indicando a necessidade de aprimoramentos no texto.
- Benefícios do INSS e perícia médica: A MP 1369/26, que expande as atribuições do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) para reduzir as filas de análise de benefícios do INSS e da Perícia Médica Federal, terá a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) como relatora e a deputada Maria do Rosário (PT-RS) como presidente. Maria do Rosário salientou a relevância da medida para garantir prazos razoáveis na análise de benefícios e aprimorar a capacidade operacional do sistema.
- Regulamentação de mototaxistas e motofrete: A MP 1360/26, que simplifica as exigências para mototaxistas, motoboys e profissionais de motofrete, será liderada pelo senador Weverton (PDT-MA) na presidência, com o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) como vice-presidente e o deputado Alfredinho (PT-SP) como relator. Weverton destacou o potencial da medida para formalizar trabalhadores do setor, assegurando a manutenção das exigências de segurança.
Novos exames médicos e adicional para servidores de fronteira
Outras duas comissões também foram instaladas, focando em áreas estratégicas para o país. A MP 1370/26, que institui o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), será presidida pelo senador Camilo Santana (PT-CE). O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) atuará como vice-presidente e o deputado Doutor Luizinho (PP-RJ) como relator. Esta medida torna a aprovação no exame, coordenado pelo Ministério da Educação, um requisito obrigatório para o exercício da medicina, visando elevar a qualidade da formação e prática profissional no país.
Por fim, a comissão para analisar a MP 1375/26, que cria um “adicional de fronteira” para servidores de carreira da Controladoria-Geral da União (CGU) e analistas técnicos do Poder Executivo federal que atuam em localidades estratégicas, terá o deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) como presidente. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) foi eleito vice-presidente, e o senador Eduardo Gomes (PL-TO) será o relator, responsável por apresentar o plano de trabalho na próxima reunião. Essa iniciativa busca valorizar e reter profissionais em regiões de atuação crucial para a segurança e controle governamental.

