
Além disso, O mais recente boletim da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), divulgado na tarde desta quinta-feira (10) pela agência vinculada ao governo dos Estados Unidos, revelou que o cenário esperado para o El Niño se agravou ainda mais ao longo das últimas semanas.
Dessa forma, A probabilidade de um evento considerado “histórico” no último trimestre do ano aumentou de 69%, patamar calculado no mês de agosto, para 75%, conforme as estimativas atualizadas dos pesquisadores (entenda a classificação).
Com isso, isso significa que é muito provável que o aquecimento da água superficial do Oceano Pacífico atinja o maior grau desde 1950, quando teve início a série de dados padronizados utilizada pela NOAA. Nesse sentido, podem ter ocorrido episódios mais intensos antes disso, mas que não integram a atual base de comparações.
Portanto, na prática, isso significaria que a região do Pacífico usada como referência para estimar a potência do El Niño deve atingir pelo menos 2,5ºC acima dos padrões históricos. O relatório sustenta que “durante a temporada de outubro a dezembro, há uma chance de 75% de um evento histórico que excederia a força de eventos anteriores de El Niño que datam desde 1950″.
Em seguida, O texto admite que “com um evento dessa magnitude, as chances de se experimentar impactos consistentes com El Niño são maiores”, mas faz a ressalva de que “não são garantidos“.
A ocorrência desse fenômeno tende a elevar o volume de chuva e o risco de cheias no sul do Brasil. Vários episódios de tempo severo registrados recentemente entre o Rio Grande do Sul e o Paraná, como tornados e chuvas torrenciais e persistentes, já foram relacionadas por especialistas à alteração de temperatura no Pacífico. Entre o final de julho e início de agosto, por exemplo, tornados atingiram municípios como Giruá e Pedro Osório.
Cenário exige monitoramento e preparação, alerta especialista
O novo cenário amplia a necessidade de alerta e preparação para possíveis impactos no Estado.
— A nova atualização da NOAA reforça um cenário de atenção: o El Niño continua se intensificando. Para o Rio Grande do Sul, esse cenário aumenta o risco de chuva acima da média, episódios mais frequentes de precipitação intensa, temporais e elevação dos níveis dos rios, especialmente durante a primavera e o início do verão — afirma a meteorologista Natália Pereira, da Catavento Meteorologia.
Natália faz uma ressalva:
— Isso não significa que choverá continuamente nem que todos os episódios serão extremos, mas indica um ambiente atmosférico mais favorável à recorrência e à persistência desses eventos. Por isso, os próximos meses exigem monitoramento contínuo e maior preparação dos municípios, da agricultura e dos setores de infraestrutura.
O documento da NOAA mostra ainda que, entre os meses de julho e de agosto, a anomalia de temperatura no Pacífico (o quanto está acima do esperado) saltou de 1,4ºC para 1,8ºC — patamar que já se enquadra como um El Niño “forte”. Acima de 2ºC, já estaria configurado uma ocorrência “muito forte”, também chamada de “super El Niño”.
O risco desse nível ser ultrapassado já está em 97% para o período de setembro a novembro e de 98% entre outubro e dezembro — ou seja, é praticamente certo de que vai se confirmar.
O relatório ainda aponta uma possibilidade de 82% de que o aquecimento do Pacífico se prolongue até o trimestre de março a maio de 2027. No período de abril, maio e junho, esse percentual já se reduz para 43%, sugerindo a conversão para um cenário de neutralidade.
A classificação do El Niño
Fraco — Elevação de 0,5ºC a 0,9ºC.
Moderado — Elevação de 1,0ºC a 1,4ºC.
Forte — Elevação de 1,5ºC a 1,9ºC.
Muito Forte (Super El Niño) — Elevação de 2ºC ou mais.
Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.


