Morreu neste sábado (25), aos 53 anos, Lucimar das Neves Ferreira, uma das vítimas diretas do acidente radiológico com o Césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987. Irmão de Leide das Neves Ferreira, menina de 6 anos que se tornou o principal símbolo da tragédia, Lucimar foi encontrado morto pela esposa na casa onde morava, em Abadia de Goiás. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
As informações foram confirmadas ao Mais Goiás por Marcelo Santos Neves, presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio).
Segundo Marcelo, Lucimar enfrentava um quadro de depressão, era alcoolista e já havia tentado tirar a própria vida. A causa da morte deverá ser esclarecida pelos exames realizados pelo IML.
Um dos mais atingidos pela radiação
Quando o acidente aconteceu, em setembro de 1987, Lucimar tinha 14 anos. Irmão de Leide das Neves e filho de Ivo Ferreira e Lourdes das Neves, ele fazia parte da família diretamente exposta ao material radioativo.
De acordo com Marcelo Santos, Lucimar foi considerado um dos sobreviventes mais atingidos pela contaminação. Por causa da gravidade da exposição, ele recebia as maiores indenizações pagas às vítimas, tanto pelo Governo de Goiás quanto pela União.
A pensão estadual foi criada como forma de indenizar as vítimas reconhecidas do acidente pelo Estado de Goiás. Já a pensão federal é concedida pela União às pessoas oficialmente reconhecidas como atingidas pela tragédia, levando em consideração o grau de contaminação e os impactos permanentes causados pela radiação.
Ainda segundo o presidente da AVCésio, apesar dos benefícios, Lucimar nunca conseguiu reconstruir completamente a vida após a tragédia.
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Marcas que permaneceram por quase quatro décadas
Assim como outros sobreviventes do acidente com o Césio-137, Lucimar conviveu durante décadas com as consequências físicas e emocionais da contaminação. Segundo pessoas próximas, os traumas deixados pelo episódio marcaram profundamente sua trajetória.
O acidente interrompeu a adolescência de Lucimar e alterou definitivamente a rotina de toda a família Ferreira. Ao longo dos anos, ele enfrentou dificuldades para retomar uma vida considerada normal, convivendo com problemas de saúde e emocionais.
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O acidente com o Césio-137 aconteceu em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada foi retirado por catadores de materiais recicláveis, que desconheciam o risco existente no equipamento.
Dentro do aparelho havia uma cápsula contendo material altamente radioativo. O pó azul brilhante chamou a atenção de diversas pessoas e acabou sendo distribuído entre familiares, vizinhos e conhecidos, provocando uma das maiores tragédias radiológicas da história.
A contaminação se espalhou rapidamente por diferentes regiões de Goiânia. Mais de 200 pessoas foram expostas à radiação e, oficialmente, quatro morreram em decorrência direta do acidente: Leide das Neves Ferreira, de 6 anos; Maria Gabriela Ferreira; Israel Batista dos Santos; e Admilson Alves de Souza.
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