O anúncio reuniu apoiadores, lideranças políticas e eleitores. Cleitinho vinha protagonizando uma série de idas e vindas em relação à candidatura e chegou a anunciar, nesta semana, que não disputaria o governo de Minas.
Em ligação de vídeo com o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, Cleitinho agradeceu pela candidatura.
“Presidente, quero agradecer por ter confiado em mim. Estou passando um momento difícil, mas o soldado vai ferido para a guerra, pois eu sei que terei milhões de soldados me defendendo em Minas Gerais”, disse Cleitinho.
Em nota, o Republicanos afirmou que o presidente nacional do partido decidiu autorizar a candidatura de Cleitinho, após o senador reconhecer os equívocos cometidos durante o processo, apresentar formalmente suas desculpas à legenda e se comprometer a levar sua candidatura até o fim. Veja a íntegra abaixo.
O candidato a vice-governador na chapa será o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos. Presente na coletiva e apontado como possível candidato ao governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (Progressistas), confirmou que disputará uma vaga no Senado.
Cleitinho anunciando a candidatura ao governo de Minas Gerais durante coletiva de imprensa em Divinópolis. — Foto: TV Integração/Reprodução
Ainda durante o anúncio, Cleitinho afirmou que, se eleito, governará para todos.
“Estou aqui pelo meu pai, pela minha mãe, pelo meu irmão que não está mais aqui. É pelos professores, pela Polícia Militar, é pela enfermagem, é pela segurança pública, é por todo trabalhador, é pelo empreendedor, é pelo produtor rural, é pelos gays. É para todos que estão em Minas Gerais”.
Horas antes do novo anúncio, o deputado federal Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos, publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que havia ido a São Paulo para conversar com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, sobre a situação de Cleitinho.
Pettersen afirmou que pediu ao dirigente nacional que permitisse a candidatura do senador.
“Vim até São Paulo para tratar de um assunto que está mexendo com o povo mineiro. Pedi ao Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, que dê a vaga ao Cleitinho e deixe o povo mineiro decidir”, afirmou.
Reviravoltas na candidatura
Líder nas pesquisas de intenção de voto, Cleitinho foi lançado como pré-candidato ao governo de Minas, mas adiou sucessivamente a decisão sobre a disputa.
A ata da convenção estadual do Republicanos em Minas Gerais deixou em aberto a possibilidade de o partido registrar candidaturas após o prazo final das convenções partidárias, encerrado nesta quarta-feira (5).
O documento aprovado pelos convencionais delegou ao presidente estadual da legenda, Euclydes Marcos Pettersen Neto, “amplos poderes” para decidir e registrar, inclusive após 5 de agosto, candidatos aos cargos de governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual. A autorização inclui ainda o preenchimento de vagas, substituição de candidatos e indicação de nomes por partidos ou federações coligados.
A ata do Republicanos-MG registra que o partido discutiu lançar o senador Cleitinho como candidato ao governo de Minas, mas a definição ainda dependia de uma decisão do próprio político. A escolha do candidato a vice-governador também ficou pendente.
Na segunda-feira (3), o senador apareceu chorando em um vídeo e afirmou que não disputaria o governo mineiro. O Republicanos também informou que ele não seria candidato.
No dia seguinte, porém, durante a convenção nacional do partido, em Brasília, Cleitinho voltou atrás e pediu ao presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, para ser candidato.
O pedido foi negado pelo dirigente, que afirmou que a fase deliberativa da convenção já havia sido encerrada.
Sobre as reviravoltas na candidatura, Cleitinho disse que vive momento difícil devido à perda do irmão mais novo e isso o fez mudar de ideia algumas vezes.
“Quem nunca teve emoção na vida? Quem nunca chorou? Quem nunca teve uma perda? O que estou passando, só minha família sabe. Eu voltei atrás sim, quem nunca voltou atrás? Todas as vezes que eu precisar voltar atrás, terei a humildade de voltar”.
Cleitinho confirma candidatura ao governo de Minas Gerais
Veja a cronologia envolvendo a candidatura de Cleitinho abaixo:
Cronologia da candidatura de Cleitinho
- Fevereiro e agosto de 2025:
Antes mesmo de oficializar uma pré-candidatura ao governo de Minas, Cleitinho já aparecia como um dos principais nomes da disputa estadual. Levantamentos divulgados em fevereiro e agosto de 2025 mostravam o senador na liderança das intenções de voto, consolidando-se como favorito em uma possível candidatura ao Executivo mineiro.
- Março de 2026: pré-candidatura confirmada
O senador havia sido eleito por Minas Gerais em 2022, com mais de 4,2 milhões de votos. Antes, em 2018, foi eleito deputado estadual.
- Abril de 2026: liderança nas pesquisas e candidatura ainda indefinida
Em abril, a pré-candidatura de Cleitinho Azevedo ganhou força nas pesquisas. Levantamento Quaest divulgado pelo g1 em 28 de abril mostrou o senador na liderança em todos os cenários em que aparecia na disputa pelo governo de Minas Gerais, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Apesar do desempenho, a definição sobre a candidatura ainda não estava resolvida. Naquele momento, o cenário eleitoral mineiro seguia em articulação, e a oficialização dos nomes dependia das convenções partidárias.
- Julho de 2026: ausência em convenção e impasse no partido
Cleitinho Azevedo não compareceu ao evento. Na ocasião, o presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, disse que as definições sobre os cargos majoritários seriam feitas em conversas com partidos da coligação e que o momento de luto do senador seria respeitado. O irmão de Cleitinho Azevedo, Matheus Azevedo, morreu em 18 de julho.
- 28 de julho: PL já trabalhava com desistência
- 29 de julho: Republicanos barra candidatura, e Cleitinho diz que vai disputar
O impasse tinha um complicador jurídico: pela legislação eleitoral, Cleitinho Azevedo não poderia trocar de partido naquele momento para disputar o governo. Como o prazo de filiação partidária para as eleições de 2026 terminou em 4 de abril, uma eventual candidatura teria que ocorrer pelo Republicanos. Pelas regras brasileiras, não há candidatura avulsa.
- 3 de agosto: anúncio de desistência e pedido de perdão
Ao lado de Marcos Pereira e de Euclydes Pettersen, Cleitinho Azevedo chorou, pediu perdão e disse que não estava bem. Também afirmou que não adiantava entrar em uma campanha daquele jeito e que precisava cuidar de si e da família.
- 4 de agosto: novo pedido para ser candidato
No discurso, o senador disse que queria ser candidato e pediu a vaga a Marcos Pereira. O presidente nacional do Republicanos, no entanto, negou novamente o pedido, encerrou a fase deliberativa da convenção e afirmou que o senador teve oportunidades para se decidir.
Com isso, o vaivém da candidatura de Cleitinho Azevedo chegou ao ponto mais crítico: depois de ser anunciado como pré-candidato, liderar pesquisas, faltar à convenção estadual, ser barrado pelo partido, confirmar que disputaria, desistir em vídeo e voltar atrás no dia seguinte, o senador segue sem o aval do Republicanos para disputar o governo mineiro.
O “vai ou não vai” de Cleitinho ao governo de MG — Foto: Arte/g1
O que disse o Republicanos
“O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, decidiu autorizar a candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao Governo de Minas Gerais.
A decisão foi tomada após o senador reconhecer os equívocos cometidos durante o processo, apresentar formalmente suas desculpas à direção nacional e estadual do partido, à população mineira e às forças políticas envolvidas na construção eleitoral, além de assumir o compromisso definitivo de levar sua candidatura até o fim.
Marcos Pereira manteve sua posição enquanto permaneceram as incertezas. Reavaliou-a somente diante de fatos novos, compromissos objetivos e, sobretudo, dos reiterados apelos dos candidatos a deputado federal e estadual do Republicanos em Minas Gerais, que demonstraram a importância de uma candidatura própria e competitiva ao Governo do Estado para o fortalecimento do projeto partidário e das chapas proporcionais.
Também foi considerado o desempenho do senador nas pesquisas de intenção de voto e a manifestação de diferentes setores da sociedade mineira favoráveis à sua candidatura.
Cleitinho comunicou ainda que conduzirá sua campanha ao Governo de Minas sem utilização de recursos do Fundo Eleitoral destinados pelo Republicanos.
O Republicanos terá candidato próprio ao Governo de Minas Gerais, e Cleitinho Azevedo assume, a partir de agora, a responsabilidade de honrar os compromissos firmados com o partido, seus candidatos, seus aliados e, principalmente, com o povo mineiro.
O episódio está encerrado. O momento agora é de olhar para frente e trabalhar por Minas Gerais.”


