Bebê de 6,5 kg nasce por parto normal em Colatina (ES) e mãe leva 55 pontos após hemorragia

Redação
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Bebê de 6,5 kg nasce por parto normal em Colatina (ES) e mãe leva 55 pontos após hemorragia
Pés de recém nascido

Pés de recém nascido – Foto: Ratchat/istock

Um bebê pesando 6,5 kg e medindo 55 cm nasceu por parto normal no Hospital São José, em Colatina, no noroeste do Espírito Santo, no dia 9 de agosto de 2025. A mãe, Ariane Borges, de 39 anos, moradora de Água Doce do Norte, sofreu hemorragia e recebeu 55 pontos após o procedimento. O recém-nascido, Alderico, seu nono filho, teve o ombro deslocado e ficou cinco minutos sem respirar, o que levou a uma internação de dez dias na UTI neonatal.

A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) abriu auditoria para investigar as condições do parto, que ocorreu apesar de indicação inicial para cesariana, com conclusão prevista em 60 dias.

O peso médio de recém-nascidos a termo no Brasil é de cerca de 3,3 kg, segundo dados do Ministério da Saúde, tornando casos como esse raros e associados a riscos elevados.

  • Alderico nasceu com lesão no plexo braquial, afetando movimentos do braço.
  • A mãe realizou pré-natal completo, sem alertas graves em ultrassons.
  • Dez profissionais atuaram no parto, induzido com 42 semanas de gestação.

Gestação sem alertas iniciais

Ariane Borges seguiu todos os exames pré-natais recomendados. As ultrassonografias indicaram apenas que o bebê seria grande, sem estimativas precisas de peso excessivo.

Ela chegou ao hospital com encaminhamento para cesariana, mas a equipe optou pela indução do parto normal, considerando seu histórico de oito partos vaginais anteriores.

Complicações durante o procedimento

O cordão umbilical rompeu no momento do nascimento, complicando a extração. Alderico não respirou por cinco minutos e precisou de reanimação imediata.

A mãe enfrentou hemorragia intensa, exigindo sutura com 55 pontos na região perineal. O episódio ocorreu com participação de cerca de dez profissionais da equipe médica.

Ambos receberam atendimento na unidade, com o bebê entubado por parte dos dez dias de internação.

A lesão no plexo braquial, comum em partos de bebês acima de 4,5 kg, afeta nervos do ombro e é tratável com fisioterapia. No Brasil, macrossomia fetal ocorre em cerca de 9% dos nascimentos, segundo estudos da UFRJ, elevando riscos de distocia de ombro em 25% dos casos.

Ariane relata que o médico comentou sobre a facilidade do parto baseado em partos prévios, mas o tamanho surpreendeu a todos.

Bebê nasce com 6,5 kg
Bebê nasce com 6,5 kg – Foto: Reprodução/Tv Gazeta

Recuperação atual da família

Com quase dois meses, Alderico pesa 10 kg, o dobro do esperado para a idade, e segue em consultas regulares. Ele inicia sessões de fisioterapia para restaurar movimentos no braço, com prognóstico de recuperação total.

A família reside em Água Doce do Norte e relata adaptação ao cuidado do bebê, que exige alimentação reforçada. O hospital realiza mais de 300 partos mensais e enfatiza protocolos para casos complexos, fornecendo dados à investigação da Sesa.

Riscos associados a bebês macrossômicos

Bebês acima de 4 kg ao nascerem enfrentam maior chance de lesões durante o parto vaginal, como deslocamento de ombro ou fraturas. Mães correm risco de lacerações graves e hemorragia pós-parto, principal causa de mortalidade materna no país, conforme dados da OMS.

Fatores como diabetes gestacional dobram a incidência de macrossomia, embora não diagnosticado no caso de Ariane. Idade paterna acima de 35 anos eleva o risco em 10%, segundo pesquisas internacionais adaptadas ao contexto brasileiro.

Histórico familiar de Ariane

Ariane já havia dado à luz oito filhos por parto normal, sem complicações semelhantes. O nono filho representou surpresa pelo tamanho, contrastando com pesos médios anteriores na família.

Ela descreve o parto como o mais desafiador, mas destaca o suporte médico pós-procedimento. A rotina em casa inclui monitoramento diário do desenvolvimento de Alderico, com foco na nutrição e exercícios.

Protocolos em maternidades públicas

Hospitais como o São José seguem diretrizes do Ministério da Saúde para avaliação de risco em gestações a termo. Indução de parto ocorre quando há dilatação inicial, mas cesariana é recomendada para fetos estimados acima de 4,5 kg.

A auditoria da Sesa visa revisar a decisão clínica e aprimorar treinamentos para equipes obstétricas.

Casos semelhantes no país, como em Tocantins e Mato Grosso, resultaram em indenizações por negligência, reforçando a necessidade de protocolos rigorosos.

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