Arlindo de Souza, conhecido nacionalmente como “Popeye Brasileiro”, faleceu aos 55 anos no Recife. A morte ocorreu na madrugada de 13 de janeiro de 2026, no Hospital Otávio de Freitas, localizado em Tejipió, na Zona Oeste da capital pernambucana. Parentes atribuíram o óbito a complicações decorrentes de problemas renais crônicos.
O olindense ganhou fama no início dos anos 2000 ao participar de programas de televisão em rede nacional. Ele exibia braços exageradamente volumosos, resultado de injeções caseiras de óleo mineral. A prática, condenada pela comunidade médica, causou danos progressivos à saúde ao longo dos anos.
Arlindo morava no bairro de Águas Compridas, em Olinda, e mantinha rotina simples. Ele realizava trabalhos informais como servente de pedreiro e vivia com a mãe idosa.

Trajetória pessoal de Arlindo de Souza
Arlindo de Souza começou a frequentar academias ainda na adolescência. Ele treinava ao lado de um irmão, que morreu vítima de assalto violento. O episódio marcou profundamente sua vida e intensificou o foco nos exercícios físicos.
Após a perda familiar, Arlindo associou-se a grupos locais de musculação. Nessa época, ele adotou a prática de injetar substâncias oleosas nos braços para acelerar o ganho de volume muscular. A técnica caseira rapidamente alterou sua aparência e atraiu atenção da mídia.
Nos anos 2000, ele participou de diversos programas televisivos. Apresentadores destacavam a comparação com o personagem Popeye, o marinheiro dos desenhos animados conhecido pelos braços hipertrofiados.
Fama nacional nos programas de TV
A exposição midiática transformou Arlindo em figura reconhecida em todo o país. Ele recebia convites frequentes para exibir o físico em estúdios de televisão no Rio de Janeiro e São Paulo. Os apelidos “Arlindo Anomalia” e “Arlindo Montanha” surgiram nesse período.
Produtores de programas sensacionalistas exploravam o contraste entre a aparência extrema e a rotina humilde. Arlindo viajava ocasionalmente para gravações, mas retornava sempre à vida simples em Olinda. Ele evitava holofotes constantes e preferia o anonimato no dia a dia.
A fama trouxe reconhecimento temporário, mas não alterou significativamente sua condição financeira. Ele continuou dependendo de trabalhos informais e do apoio familiar.
Riscos associados à injeção de óleos
Médicos alertam há décadas sobre os perigos da aplicação intramuscular de óleos minerais ou similares. Essas substâncias não são absorvidas pelo organismo e provocam reações inflamatórias crônicas. O corpo forma granulomas ao redor do material injetado.
Com o tempo, surgem complicações como infecções localizadas, necrose tecidual e fibrose extensa. Os óleos podem migrar para vasos sanguíneos, causando embolias graves. Especialistas em cirurgia plástica registram casos frequentes de deformidades permanentes.
- Inflamação crônica nos tecidos musculares
- Formação de abscessos e cistos
- Risco elevado de infecções bacterianas
- Possibilidade de embolia pulmonar ou cerebral
Complicações médicas detalhadas
Estudos médicos brasileiros apontam que a autoinjeção de agentes oleosos leva a doenças granulomatosas. O sistema imunológico reage ao material estranho, gerando inflamação persistente. Em casos avançados, os músculos perdem função normal.
Pacientes desenvolvem dor crônica e limitação de movimentos. Cirurgiões enfrentam dificuldades para remover o óleo acumulado, pois ele se espalha pelo tecido conjuntivo. Muitos necessitam de múltiplas intervenções para drenagem ou reconstrução.
Órgãos distantes também sofrem impactos. Problemas renais surgem por sobrecarga tóxica ou infecções sistêmicas. O fígado processa substâncias estranhas com dificuldade, agravando quadros preexistentes.
Internação e causa da morte
Arlindo foi internado em dezembro de 2025 com quadro de insuficiência renal aguda. Um dos rins parou de funcionar inicialmente, seguido pelo outro na semana do Natal. Líquido acumulou nos pulmões, configurando edema pulmonar.
Ele sofreu parada cardíaca antes de iniciar hemodiálise. Parentes relataram que o atestado de óbito indicou falência múltipla de órgãos como causa principal. O sobrinho Denis Gomes de Luna acompanhou o caso de perto.
O corpo foi velado e sepultado no Cemitério de Águas Compridas na tarde de 14 de janeiro de 2026. Familiares optaram por cerimônia discreta, evitando exposição midiática.
Casos semelhantes no Brasil
Outros brasileiros adotaram práticas similares em busca de hipertrofia rápida. Valdir Segato, conhecido como “Hulk Brasileiro”, faleceu em 2022 aos 55 anos em Ribeirão Preto, São Paulo. Ele injetava synthol há anos e morreu por complicações cardiovasculares.
Romário dos Santos Alves quase perdeu os braços em 2010 após injeções excessivas. Ele relatou infecções graves e necessidade de cirurgias emergenciais. O caso ganhou repercussão internacional e serviu de alerta.
Pesquisas em academias indicam prevalência da prática em comunidades de musculação amadora. Frequentadores buscam resultados visuais imediatos sem treinamento adequado. Médicos registram aumento de atendimentos relacionados nos últimos anos.
Alertas da comunidade médica
Sociedades de cirurgia plástica e endocrinologia condenam o uso de óleos para fins estéticos. Profissionais enfatizam que substâncias como synthol não têm aprovação médica para aplicação intramuscular. Elas causam danos irreversíveis na maioria dos casos.
Especialistas recomendam treinamento supervisionado e nutrição adequada para ganho muscular saudável. Esteroides anabolizantes, embora ilegais sem prescrição, apresentam riscos distintos, mas também elevados. A combinação de métodos extremos multiplica complicações.
- Consulta regular com médicos do esporte
- Exames periódicos de função renal e hepática
- Evitar substâncias não regulamentadas
- Buscar apoio psicológico para distúrbios de imagem corporal
Contexto cultural da musculação extrema
O culto ao corpo hipertrofiado ganhou força nas últimas décadas no Brasil. Academias multiplicaram-se em periferias e centros urbanos. Redes sociais amplificam imagens de fisiculturistas profissionais, influenciando jovens.
Práticas arriscadas surgem em contextos de baixa acesso a orientação profissional. Comunidades locais compartilham técnicas caseiras sem conhecimento dos perigos. Campanhas educativas tentam combater a disseminação dessas informações.
Autoridades de saúde monitoram o uso indevido de substâncias dopantes. Fiscalização em farmácias e suplementos busca reduzir a oferta de produtos perigosos. Educadores físicos reforçam a importância de métodos seguros.
Legado e reflexões familiares
Arlindo deixou memória dividida entre a fama passageira e a vida reservada. Familiares destacam sua dedicação à mãe idosa e a simplicidade cotidiana. Ele era solteiro, sem filhos, e mantinha laços próximos com parentes.
O sobrinho Denis Gomes de Luna expressou tristeza pela perda precoce. Ele evitou detalhes sensacionalistas e focou no aspecto humano. A família preservou privacidade durante o luto.
A história de Arlindo serve como exemplo dos limites do corpo humano frente a intervenções artificiais. Profissionais de saúde continuam alertando sobre riscos semelhantes em outras regiões do país.

