Além disso, aos 86 anos, Edson Franco Gomes, um dos pioneiros na difusão da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em Goiás, vai receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Goiás (UFG).
A homenagem será entregue na próxima segunda-feira (28), às 9h, em cerimônia promovida pelas faculdades de Educação e de Letras da instituição. “Apesar de sentir orgulho de ser o primeiro professor surdo em Goiás, o que mais me dá orgulho é saber que pude ajudar outras pessoas surdas a perceberem que elas também tinham capacidade de aprender, de ensinar e de construir sua própria história”, disse ao Mais Goiás. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a título de doutor continuam sendo acompanhados com atenção.
Dessa forma, nascido em 20 de junho de 1940, em Jaguari, na Bahia, Edson é filho de pais ouvintes e foi o primeiro de seis filhos, sendo quatro ouvintes e dois surdos. Com isso, A família se mudou para Goiás quando ele tinha sete meses de idade. Nesse sentido, antes de ter contato com a língua de sinais, a comunicação dentro de casa era feita de maneira própria com os familiares. Portanto, A mãe o ensinou a ler e escrever utilizando uma máquina de escrever. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de título de doutor nos últimos dias.
Em seguida, aos 10 anos, Edson foi estudar no Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), no Rio de Janeiro, onde permaneceu por sete anos e concluiu o ensino médio. De acordo com as apurações, foi durante esse período que teve contato com outras pessoas surdas e aprendeu a língua de sinais. Especialistas destacam que novas atualizações sobre título de doutor devem surgir em breve.
“Quando estudei no Ines, a realidade brasileira era bastante difícil. Por outro lado, havia poucas oportunidades de educação e pouca compreensão sobre as necessidades das pessoas surdas. Vale destacar que mas poder encontrar outras pessoas surdas e estabelecer uma forma de comunicação foi muito importante para mim”, afirmou.
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Título de doutor: Primeiro professor surdo de Goiás
Depois de retornar a Goiás, em 1957, aos 17 anos, Edson passou a trabalhar na educação de pessoas surdas e assumiu a responsabilidade de divulgar a língua de sinais no estado. Em 1960, iniciou sua trajetória como educador no Instituto Pestalozzi de Goiânia, ligado à Secretaria de Educação de Goiás, onde trabalhou com 15 crianças surdas.
“Poder compartilhar aquilo que eu havia aprendido e contribuir para que outras pessoas tivessem acesso à educação e à comunicação foi algo muito importante para mim”.

Pesquisas sobre a história da Libras no estado o apontam como o primeiro professor surdo de Goiás e um dos responsáveis pela formação de professores surdos e ouvintes que passaram a atuar com a língua de sinais. No Instituto Pestalozzi, alunos surdos costumavam se reunir com o professor nos intervalos para conversar.
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Criador da Associação dos Surdos de Goiânia
Foi também a partir desses encontros que começou a surgir a ideia de criar uma entidade voltada à comunidade surda. Em 1968, Edson foi um dos fundadores da Associação dos Surdos de Goiânia (ASG), que foi oficializada em 12 de julho de 1975. Ele se tornou o primeiro presidente da instituição, cargo que ocupou até 1985.
Antes de a associação conseguir um espaço próprio, documentos, troféus e outros itens eram guardados em um pequeno quarto na casa do professor. A atuação de Edson também ajudou a ampliar os espaços de convivência e organização da comunidade surda em Goiás.
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Formação de profissionais
A atuação dele também passou pela formação de novos profissionais. Em 1987, Edson, com o filho e a nora, fundou o Sistema Educacional Chaplin, a primeira escola em Goiás voltada à formação de tradutores e intérpretes de Libras.
Décadas depois, Edson também colaborou na criação do Projeto Pedagógico do curso de Letras: Libras da UFG, que iniciou suas atividades em 2008 e se tornou o primeiro curso presencial de Licenciatura em Libras no Brasil.
Ao longo da vida, o professor também se dedicou à expansão e à promoção da Libras por meio de palestras, cursos e projetos voltados à inclusão e ao reconhecimento da língua de sinais.
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Orgulho de ajudar
A trajetória do professor virou livro neste ano. Publicada em junho, a obra A Língua de Sinais em Goiás e as memórias de um professor surdo – Uma história sinalizada, da professora Edna Misseno, reúne fotografias, documentos, relatos e memórias para reconstruir a história da Libras no estado a partir da vida de Edson.
Ao recordar a própria trajetória, Edson destaca que o maior motivo de orgulho não está apenas no reconhecimento de ter sido o primeiro professor surdo de Goiás, mas na possibilidade de ter contribuído para que outras pessoas surdas reconhecessem suas próprias capacidades.
Para o professor, muita coisa mudou desde o início de sua trajetória. Ele avalia que hoje existe maior consciência sobre os direitos das pessoas surdas, a importância da Libras e a necessidade de inclusão, além de mais espaço e reconhecimento para a comunidade surda.
“Muita coisa mudou. Hoje existe uma consciência muito maior sobre os direitos das pessoas surdas, sobre a importância da Libras e sobre a necessidade de inclusão. A comunidade surda também conquistou mais espaço e passou a ser mais reconhecida. É muito diferente de quando eu era jovem, quando havia muito menos informação e oportunidades”, afirmou.
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