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Portal Go 62 > Blog > Brasil > Ansiedade é a principal causa de incapacidade entre crianças brasileiras de 5 a 9 anos
Brasil

Ansiedade é a principal causa de incapacidade entre crianças brasileiras de 5 a 9 anos

Redação
Atualizado em 4 de setembro de 2026 11:58
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Sobre o tema envolvendo causa de incapacidade, (FOLHAPRESS) – Antes mesmo de completar dez anos, uma criança brasileira já tem mais chance de conviver com algum grau de incapacidade causada por ansiedade do que por qualquer doença física, aponta um dos achados da mais abrangente análise já feita sobre saúde mental infantojuvenil no Brasil.

Além disso, A pesquisa, publicado na The Lancet Regional Health – Americas, usa dados do estudo GBD 2023 (Global Burden of Disease, ou Estudo da Carga Global de Doenças) e mostra que mais de 15 milhões de crianças, adolescentes e jovens adultos brasileiros de 5 a 29 anos convivem com pelo menos um transtorno mental -20,91% de toda a população nessa faixa etária no país. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a causa de incapacidade continuam sendo acompanhados com atenção.

Dessa forma, outros 2,5 milhões, 3,36% do total, preenchem critérios para um transtorno por uso de substâncias. Com isso, É a primeira vez que a situação é detalhada por faixa etária, em janelas de cinco em cinco anos. Nesse sentido, A pesquisa é liderada pelo psiquiatra Christian Kieling, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de causa de incapacidade nos últimos dias.

Contexto e detalhes sobre causa de incapacidade

Portanto, para ele, esse recorte da infância ao início da vida adulta é decisivo para pensar política pública. “Se eu olho para infância e adolescência como um conjunto único, daqui a pouco estou oferecendo serviços que atendam questões de depressão para menores de dez anos.” Especialistas destacam que novas atualizações sobre causa de incapacidade devem surgir em breve.

Em seguida, não é que não exista depressão nessa faixa etária, mas é um problema muito menos frequente. De acordo com as apurações, depois dos 14, 15 anos essa prevalência aumenta, mais em meninas do que em meninos. Por outro lado, com o álcool, o padrão se inverte, crescendo mais entre os meninos.

Vale destacar que para Kieling, essa granularidade expõe também um erro estrutural: o corte abrupto aos 18 anos, que separa serviços de crianças e adolescentes dos de adultos justamente no pico de demanda por saúde mental. “É justo na idade em que o adolescente está tendo as maiores transições da vida que a gente diz para ele: agora não é mais aqui. Sendo assim, essa quebra não parece ajudar, parece até atrapalhar.”

Principais pontos e impactos da decisão

Além disso, de acordo com o estudo, já entre cinco e nove anos mais de 10% das crianças brasileiras preenchem critérios para pelo menos um transtorno mental, proporção que sobe ao longo da infância e da juventude, chegando a quase 25% entre 25 e 29 anos.

Dessa forma, no estado de São Paulo, as internações por transtornos mentais e comportamentais entre crianças e adolescentes foram as que mais cresceram entre 2020 e 2025. Com isso, A faixa etária de 5 a 9 anos registrou o maior aumento percentual de internações entre todas as idades, com alta de 98,3%.

Comparando com as mais de 300 condições de saúde monitoradas pelo GBD no Brasil, os transtornos de ansiedade aparecem em primeiro lugar como causa de incapacidade em todas as faixas etárias. Nesse sentido, A partir dos 15 anos, ansiedade e depressão ocupam o primeiro e o segundo lugares do ranking geral, à frente de qualquer doença física, com impacto maior entre meninas e mulheres. Portanto, já álcool e outras drogas são mais prevalentes entre homens a partir dos 20 anos.

O que dizem as partes envolvidas

Em seguida, kieling ressalta que “ansiedade” é um guarda-chuva que muda de forma ao longo da vida. Predominam quadros de ansiedade de separação na infância, transtorno de ansiedade social na adolescência e, mais adiante, ansiedade generalizada ou transtorno de pânico.

O dado fica ainda mais expressivo entre 20 e 29 anos, entre mulheres, padrão que já havia aparecido num levantamento global anterior do mesmo grupo. “Na comparação com os dados mundiais, o Brasil chama muito atenção pelos dados de ansiedade mais altos, principalmente puxado pela ansiedade em mulheres.”

O estudo também traça um retrato da mortalidade por suicídio entre jovens brasileiros: 5.402 mortes anuais entre 10 e 29 anos, das quais 77% entre rapazes. A taxa por 100 mil habitantes sobe de 1,24 entre 10 e 14 anos para 13,43 entre 25 e 29. A partir dos 15 anos, o suicídio se torna a terceira causa de morte prematura entre todas as causas monitoradas pelo GBD no país.

Próximos passos e desdobramentos

“Os números mostram uma diferença grande entre os sexos, que precisa orientar políticas específicas de prevenção voltadas a jovens do sexo masculino, um grupo historicamente pouco alcançado pelos serviços de saúde mental”, afirma Claudia Buchweitz, pesquisadora e primeira autora do estudo. Entre povos indígenas, as taxas chegam a mais que o dobro da média nacional, reflexo de uma lacuna grave de informação e política pública.

Para Kieling, mesmo números absolutos baixos em crianças pequenas já deveriam ser inaceitáveis: “Qualquer número para uma criança em termos de suicídio está acima do que deveria ser aceitável pela sociedade.”

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Mais detalhes sobre causa de incapacidade

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O crescimento acentuado na adolescência, diz ele, acompanha o aumento dos transtornos mentais. “Aqui a gente vê uma oportunidade para prevenção, para atuar precocemente antes que o problema se cronifique.”

As prioridades, resume, deveriam ser identificação precoce e acesso a cuidado efetivo, o que a maioria da população brasileira não tem. “O padrão de busca por ajuda no país tende a ser tardio. O quadro precisa ficar muito grave para chegar numa emergência, muitas vezes numa tentativa de suicídio, para conseguir um encaminhamento adequado.”

Apesar da dimensão do problema, o estudo revela uma lacuna na produção de conhecimento. Para estimar a situação de toda a população de 5 a 29 anos, o GBD contou com apenas 66 fontes de dados nacionais, concentradas quase inteiramente em São Paulo e Rio Grande do Sul, com praticamente nada vindo do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

“Esse volume limitado reflete e contribui para a falta de atenção à saúde mental dos jovens no Brasil”, diz Buchweitz. “Mesmo com fontes limitadas, as análises são rigorosas. Precisamos de ação, imediatamente.”

O GBD recorre a modelagens estatísticas para estimar prevalência mesmo em “vazios epidemiológicos”, extrapolando a partir de renda e estrutura demográfica regional. Kieling defende a metodologia, mas reforça a necessidade de mais dados regionais.

Porém, ele diz que não dá para esperar por eles para agir: “Tenho muita dificuldade de acreditar que vão vir números muito diferentes do resto do país. Aguardar os dados para agir seria um desserviço para as crianças e adolescentes.”

Para os pesquisadores, os números reforçam a urgência de incorporar a saúde mental às políticas voltadas à infância e à juventude, algo que ainda não acontece de forma explícita em marcos como o Estatuto da Criança e do Adolescente.

“Os problemas de saúde mental nos jovens nem sempre apresentam contornos de diagnóstico formal, mas prestar atenção a esses sinais é essencial para evitar que se tornem um transtorno estabelecido.”

Entre as propostas estão ampliar as portas de entrada para o cuidado além dos serviços tradicionais, passando por escolas e serviços comunitários, e maior transparência no uso de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) destinados à área. A escola, defende Kieling, é ponto estratégico de identificação precoce, mas não pode ser sobrecarregada sozinha com essa responsabilidade.

Ele cita como inspiração o Headspace, serviço australiano de porta aberta para jovens de 12 a 24 anos, replicado em países como Irlanda, Canadá e Dinamarca: “A gente não tem experiências de grande monta em países de baixa e média renda, o que para mim é um contrassenso, pensando que a imensa maioria dos jovens do planeta vive justamente nesses países.”

Aponta também uma lacuna na Raps (Rede de Atenção Psicossocial), hoje concentrada em pacientes já graves, sem espaço para quadros leves a moderados: “Parece que muitas vezes tem que esperar o quadro ficar mais grave para só então conseguir um atendimento. Só que a gente perdeu a oportunidade de atuar precocemente.”

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

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