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Portal Go 62 > Blog > Brasil > Alertas de desmatamento na amazônia caem ao menor patamar da série histórica
Brasil

Alertas de desmatamento na amazônia caem ao menor patamar da série histórica

Redação
Atualizado em 4 de setembro de 2026 11:55
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A área sob alerta de desmatamento na amazônia no último ano caiu ao menor patamar já registrado pelo sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), que iniciou o monitoramento no bioma em 2015. Além disso, entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram perdidos 2.874 km² de mata, queda de 37% na comparação com os 12 meses anteriores.

Dessa forma, já no cerrado, a queda foi menor, de 8%, e o índice ficou em 5.119 km² no mesmo período. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a desmatamento na continuam sendo acompanhados com atenção.

Com isso, os dados foram divulgados no início da tarde desta sexta-feira (7). Normalmente, os índices são atualizados na madrugada de sexta, em um portal de acesso aberto. Desta vez, foram publicizados em um evento na sede do Inpe, em São José dos Campos (SP), como parte das comemorações dos 65 anos do instituto. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de desmatamento na nos últimos dias.

Contexto e detalhes sobre desmatamento na

O Deter emite alertas de desmate para orientar ações de fiscalização. Já os números oficiais são de outro sistema do instituto, o Prodes, mais preciso e tradicionalmente publicado em novembro. Especialistas destacam que novas atualizações sobre desmatamento na devem surgir em breve.

O Inpe mede o período anual do desmatamento na amazônia e no cerrado de 1º de agosto de um ano a 31 de julho do ano seguinte. Isso porque a época de seca -que vai, principalmente, de julho a setembro- tem menos nuvens e melhores condições de captar imagens de satélite, além de concentrar a derrubada de vegetação. Assim, o recorte possibilita obter dados mais precisos sobre cada “temporada” de desmate.

A redução nas taxas da floresta amazônica representa uma vitória da retomada das políticas de combate à destruição ambiental sob a tutela de Marina Silva (Rede), que voltou a chefiar o Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Principais pontos e impactos da decisão

No período de agosto de 2021 a julho de 2022, o último ano-desmatamento cheio do governo Jair Bolsonaro (PL), o Deter registrava 8.590 km² perdidos no bioma -quase três vezes o número atual.

Para o coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo, essa é a maior entrega deste mandato de Lula.

“O mais importante nesse dado é a comprovação de que o Brasil aprendeu a reduzir desmatamento”, afirma ele, explicando que chegar novamente a um patamar muito baixo mostra que o resultado não é derivado de sorte, mas da aplicação de medidas de fiscalização que funcionam.

O que dizem as partes envolvidas

“Além disso, o número demonstra o descolamento entre desmatamento na amazônia e produção agropecuária no Brasil, porque o PIB [Produtor Interno Bruto] do agro continua crescendo com desmatamento caindo. Ou seja, não precisa expandir mais a área desmatada para ganhar mais dinheiro”, diz o especialista.

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Ane Alencar, diretora de Ciências do Ipam (Instituto de Pesquisa da Amazônia), afirma que uma soma de ações do governo federal explica tamanha redução nos índices de desmate na amazônia: fiscalização mais atuante, embargar remotamente áreas produtivas com derrubada ilegal, restringir o crédito a desmatadores e articulação e repasse de recursos para os municípios abordarem o problema.

Próximos passos e desdobramentos

“Mas isso precisa ser uma questão permanente, porque agora temos várias brigas no Congresso Nacional para destruir coisas que são importantes para essa agenda, como, por exemplo, a redução na Floresta Nacional do Jamanxim, a redução de outras unidades de conservação, a restrição ao embargo remoto, que são instrumentos importantes”, alerta a pesquisadora.

Alencar, que também estuda o cerrado, afirma que os índices ainda muito altos de derrubada no bioma se devem a maiores dificuldades legais. A legislação ambiental é mais permissiva para o cerrado, onde é possível desmatar até 80% de imóveis rurais -o limite na amazônia é de 20%.

Além disso, a maioria do cerrado é de propriedades privadas, enquanto na amazônia a maior parte é terra pública.

“Então, uma das formas para reduzir o desmatamento no cerrado é avançar no entendimento da regularização fundiária”, explica ela. “Além disso, melhorar o processo de licenciamento, para que possamos realmente identificar o que é legal e ilegal, e investir em instrumentos econômicos que valorizem quem conserva além daquele mínimo exigido por lei.”

Apesar de não ser o dado oficial do desmatamento, os números do Deter apontam para um resultado positivo para a floresta amazônica também no Prodes.

“Há sempre uma diferença entre os resultados do Prodes e do Deter, visto que usam imagens diferentes e têm metodologias diferentes, mas em geral o Deter tem sido um bom sinalizador de tendências”, diz o coordenador do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros do Inpe, Cláudio Almeida, em entrevista à Folha.

Ele afirma que o controle do desmatamento no país mostra como políticas públicas bem concebidas passam por evidências concretas e bases científicas.

“A existência de monitoramento contínuo produz dados que são usados para conceber os planos de combate do desmate”, explica, ressaltando a importância do monitoramento diário do Deter para a atuação da fiscalização.

O desmatamento é a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Em 2024, último ano analisado, respondeu por 42% do total de carbono emitido pelo país, segundo dados do Seeg (Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa). A meta de zerar o desmate é essencial para o cumprimento do plano climático nacional assumido pelo governo federal sob o Acordo de Paris.

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