Sobre o tema envolvendo baixa para proteger, além disso, hoje, Otavio Berwanger é diretor executivo do George Institute for Global Health e e professor do Imperial College London, no Reino Unido. Mas as duas colegas que chamou logo no início para tocar os estudos no Einstein, a neurologista Gisele Sampaio e a cardiologista Karla Espírito Santo, continuaram firmes na investigação, percorrendo uma longa estrada que foi dar, no dia de hoje (7/11), em duas apresentações lotadas na principal sala do McCormick Place, o maior centro de convenções dos Estados Unidos.
Nos dois estudos OPTIMAL, um com pessoas com diabetes e outro com pacientes que sofreram um AVC (acidente vascular cerebral), ficou bem claro: quem corre maior risco de ter um problema cardiovascular e até de morrer por causa disso, não deveria achar aceitável uma pressão, por exemplo, 130/80 mmHg (milímetros de mercúrio), como dizem os médicos. Ou 13 por 8, como o povo fala por aí. No máximo, a pressão sistólica — o valor mais alto da medição, que representa a pressão do exato momento em que o coração se contrai ao bater — deve ser 12. E olhe lá.
Baixa para proteger: Pressão na cabeça
Talvez você, como eu, tenha imaginado que o fluxo sanguíneo, ao pressionar com muita força a parede dos vasos no cérebro, só aumentaria o risco de um AVC hemorrágico, quando eles se arrebentam e o sangue vaza. Mas a médica Gisele Sampaio, líder de ensaios clínicos em neurologia do Einstein, garante que esse é um engano: a pressão elevada também alavanca a ameaça de um AVC isquêmico, quando a passagem da circulação fica bloqueada, deixando os neurônios morrer no sufoco, sem receber oxigênio. E diga-se: oito em cada dez casos de AVC são desse segundo tipo.
“O que a gente não sabia até o momento era se, diminuindo a pressão diastólica para um nível abaixo de 120 mmHg, isso ajudaria a de evitar um novo AVC em quem já sofreu um acidente desses”, conta a neurologista. Porque é fato: em matéria de AVC, uma vez que o raio despencou na cabeça, ele tende a cair nela outra vez. Lamento informar.
No estudo OPTIMAL- STROKE, publicado nesta tarde no New England Journal of Medicine, no mesmo instante em que Gisele Sampaio apresentou seus resultados no AHA, foram 4.368 pacientes de 30 centros espalhados pelo país. Todos tinham pressão elevada e ofreram um AVC isquêmico ou um ataque isquêmico transitório, ou seja, uma interrupção temporária do fluxo sanguíneo no cérebro que se resolveu espontaneamente, mas nem sempre sem deixar marcas. Os participantes foram sorteados. Metade caiu no grupo que recebeu tratamento padrão para ficar com a pressão sistólica não muito abaixo de 140 mmHG , ou seja, 14 por “alguma coisa”.
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