O atacante colombiano José Enamorado, jogador do Grêmio, se tornou uma das vítimas de um golpe em que um homem se passava pelo técnico Luís Castro para solicitar transferências via PIX. A investigação revelou que o atleta efetuou uma transferência de R$ 22 mil para o golpista.
Lucas de Oliveira Eduardo, de 29 anos, foi detido preventivamente na manhã de 2 de setembro de 2026, no Rio de Janeiro. Ele é alvo de inquérito por estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade, e um detalhe relevante aponta que Lucas é ex-jogador das categorias de base do próprio Grêmio.
🚨 Suspeito de se passar por Luís Castro, técnico do Grêmio, e pedir PIX a jogadores é preso no Rio de Janeiro; Enamorado transferiu R$ 22 mil.
Segundo a Polícia, o homem fazia parte de um grupo que usava perfis falsos para se passar pelo treinador e pedir dinheiro a atletas,… pic.twitter.com/6iR8xQA1J9
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) September 2, 2026
As autoridades policiais informaram que o indivíduo era parte de um esquema que utilizava perfis falsos em aplicativos de mensagens, simulando ser o treinador do Grêmio.
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Os alvos eram jogadores do Grêmio e de outras equipes, que recebiam pedidos de doação de cestas básicas. Quando contatado, o Grêmio optou por não emitir declarações, considerando o caso uma questão pessoal do atleta envolvido.
Foi confirmado que o zagueiro Walter Kannemann, também do Grêmio, foi contatado pelo golpista, mas desconfiou da situação e prontamente acionou a polícia.
O ex-jogador e atual dirigente do Internacional, Andrés D’Alessandro, também esteve na mira do estelionatário. Contudo, a polícia já estava monitorando a situação, o que impediu que o argentino realizasse qualquer pagamento.
Além desses casos, a apuração identificou que outros atletas e figuras públicas ligadas a clubes de diversos estados, uma equipe de futebol europeia e um artista de grande visibilidade nacional também foram visados pelo golpe.
Detalhes da investigação sobre o estelionato
A 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre conduz a investigação, batizada de Operação Falso 9. Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão na cidade de Itaperuna, no Rio de Janeiro, em 2 de setembro de 2026, com o apoio da Polícia Civil fluminense.
A apuração começou após a polícia receber a denúncia de que um suspeito havia entrado em contato com quatro atletas pelo WhatsApp, utilizando uma imagem do técnico do Grêmio para criar a falsa identidade. O golpista os instruía a comparecerem mais cedo ao centro de treinamento no dia seguinte para uma “conversa”.
Com um dos jogadores, o falso treinador manteve diálogos por vários dias, indagando sobre sua rotina, família e desempenho em treinos, além de tecer elogios à sua dedicação. Em certo ponto, ele solicitou que o atleta não comentasse o contato com os colegas, uma tática para isolar a vítima e evitar a descoberta da fraude.
Finalmente, era feito o pedido financeiro, sob o pretexto de auxiliar um grupo social no Rio de Janeiro por meio da doação de cestas básicas. O pedido totalizou 300 cestas básicas, avaliadas em R$ 75 cada, somando R$ 22,5 mil. Em 6 de maio de 2026, o estelionatário enviou uma chave PIX aleatória, alegando pertencer a uma suposta responsável pela instituição, e orientou o atleta a efetuar o pagamento.
Uma primeira tentativa de transferência foi bloqueada devido ao limite diário de movimentação bancária da vítima, o que levou o golpista a remarcar o pagamento para a manhã seguinte e, novamente, pedir sigilo. No dia seguinte, a transação foi efetivada via PIX. Logo depois, o suspeito enviou ao atleta uma suposta confirmação do recebimento das cestas pela instituição, encerrando aquela etapa da fraude.
No mesmo dia da primeira transferência bem-sucedida, o golpista tentou aumentar o prejuízo: informou à vítima que outro atleta, supostamente “de fora do Brasil” e incomunicável devido ao fuso horário, também desejava colaborar com 600 cestas básicas, no valor de R$ 50 mil, e solicitou que o jogador adiantasse a quantia, prometendo reembolso posterior. Para dar mais credibilidade ao pedido e pressionar o jogador, o suspeito chegou a mencionar a participação de outros atletas do time. Contudo, a nova transferência não foi concretizada por exceder, novamente, o limite diário de movimentação financeira da vítima, o que encerrou a série de tentativas do golpe.

