A Ucrânia receberá acesso ao avançado sistema de mísseis Storm Shadow, desenvolvido em colaboração pelo Reino Unido e França, conforme o governo britânico informou em 24 de julho. A iniciativa, anunciada pelo primeiro-ministro Andy Burnham, permitirá que o país do Leste Europeu fabrique as próprias armas em seu território.
Conhecidos como Storm Shadow no Reino Unido e SCALP na França, esses projéteis representam a mesma tecnologia de armamento, criada pela empresa europeia MBDA.
Os militares ucranianos já empregam esses dois tipos de mísseis em operações contra alvos russos. Eles são lançados de aeronaves de combate e utilizados principalmente para atingir instalações fortificadas, como centros de comando e bunkers.
Contudo, a expectativa é que a implementação da tecnologia para produção local não altere imediatamente o curso da guerra. A fabricação de cada míssil possui um custo elevado, estimado em cerca de 1 milhão de libras (equivalente a R$ 7,02 milhões), e requer a construção de uma complexa rede de fornecedores dentro da Ucrânia.
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Especialistas da área de defesa preveem que a produção em grande escala pode levar anos para ser alcançada, mesmo com a familiaridade da Ucrânia com os mísseis Storm Shadow e SCALP, devido aos significativos desafios industriais envolvidos.
Iniciativas para a autossuficiência militar em tempos de guerra
Essa situação reflete uma questão mais ampla enfrentada por nações ocidentais. Por décadas, o Reino Unido e outros membros da Otan priorizaram o investimento em armamentos de alta tecnologia, mas com volumes de produção relativamente baixos. Em conflitos prolongados, essa estratégia pode resultar no rápido esgotamento dos arsenais.
Diante desse cenário, o Reino Unido já ajustou sua própria estratégia de defesa. O país cessou a aquisição de novos mísseis Storm Shadow para focar no desenvolvimento do Brakestop, um novo projétil de longo alcance projetado com menor dependência de componentes importados e um custo de fabricação mais acessível que a versão franco-britânica.
Em contraste, a Ucrânia demonstrou uma rápida expansão de sua indústria militar durante o conflito em curso. O país tem produzido drones e outras armas em larga escala, frequentemente utilizando componentes comerciais de baixo custo. Os drones de longo alcance tornaram-se um recurso essencial para Kiev atacar alvos russos a centenas de quilômetros da fronteira.
Apesar desse progresso, o país ainda depende da ajuda de aliados para armamentos mais sofisticados, especialmente sistemas de defesa antimísseis capazes de interceptar projéteis balísticos russos.
O sistema Patriot, fabricado nos Estados Unidos, é um exemplo crucial dessa dependência. A escassez de interceptadores tem tornado partes da defesa aérea ucraniana vulneráveis a ataques russos. Em agosto, o presidente Volodymyr Zelensky informou que as entregas de interceptadores para 2026 haviam caído para aproximadamente um terço do volume recebido no ano anterior.
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A carência dos sistemas Patriot também se agravou pela crescente demanda em outros teatros de conflito. A Ucrânia solicitou autorização para produzir os interceptadores em seu território, mas o governo de Donald Trump reverteu um apoio inicial à ideia.
Enquanto isso, empresas ucranianas, como a Fire Point, estão ativamente desenvolvendo alternativas nacionais. Elas produzem mísseis de cruzeiro e drones com capacidade para atingir alvos de longo alcance dentro da Rússia.
A Ucrânia também investe no desenvolvimento de seus próprios interceptadores, com o suporte de nações europeias. Este é um desafio técnico ainda maior, pois destruir um míssil em alta velocidade exige uma tecnologia significativamente mais complexa do que a empregada em drones de ataque.
A decisão de compartilhar a tecnologia provocou a reação da Rússia. O Kremlin acusou o Reino Unido de intensificar sua participação no conflito, afirmando que a transferência de tecnologia representa uma escalada no envolvimento britânico na guerra.
O reforço do apoio financeiro da União Europeia à Ucrânia
A visita do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, ocorreu no mesmo dia em que a União Europeia anunciou um novo pacote de ajuda de € 6,1 bilhões (aproximadamente R$ 36 bilhões) para a Ucrânia. Este montante faz parte de um empréstimo maior, totalizando € 90 bilhões, concedido ao país.
A Comissão Europeia enfatizou a crescente urgência do reforço militar, dada a intensidade dos ataques russos. Somente em julho, a Rússia disparou quase 400 mísseis contra alvos ucranianos.
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Mais da metade dos recursos desse novo pacote será direcionada para a área militar. O objetivo primordial é fortalecer a defesa aérea ucraniana e aumentar a disponibilidade de mísseis e munições, com os interceptadores Patriot entre as principais necessidades.

O anúncio coincidiu com a celebração dos 35 anos de independência da Ucrânia. Nesta ocasião, o presidente Zelensky esteve reunido com líderes europeus que compõem a “Coalizão dos Dispostos”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou o apoio ao país e a manutenção do compromisso da UE com os ucranianos.

