Em uma terra conhecida nacionalmente como celeiro de cantores sertanejos, um adolescente goianiense resolveu seguir por um caminho bem diferente. Aos 15 anos, Lucas Ayres prefere os riffs pesados do metal às modas de viola. Guitarrista apaixonado por nomes como Slash, James Hetfield, Kiko Loureiro e Eddie Van Halen, o jovem estuda música mais de seis horas por dia e já começa a construir uma trajetória que pode levá-lo para fora do Brasil.
O projeto é ambicioso. Lucas acaba de retornar de uma temporada de cinco semanas na Berklee College of Music, em Boston (EUA), uma das mais reconhecidas instituições de ensino de música do mundo.
“Foi uma das experiências mais marcantes da minha trajetória. Eu e minha banda, Black Dogs, participamos de uma batalha de bandas e conquistamos o segundo lugar. Foi uma experiência que me marcou profundamente e que reforçou ainda mais minha paixão pela música”, revela Lucas.
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A experiência, realizada em julho, faz parte de um planejamento da família para que o adolescente possa, no futuro, cursar uma graduação em música no exterior e tentar transformar a paixão pela guitarra em profissão.
História começa pela TV
Ainda criança, Lucas se acostumou a assistir repetidamente ao clipe de “Estranged”, do Guns N’ Roses, colocado pelo pai, Angelo Sousa. A música acabou se tornando uma das preferidas do garoto. Anos depois, foi justamente o Guns que daria o empurrão definitivo para que ele deixasse de ser apenas fã e pegasse um instrumento nas mãos.
“Comecei a tocar guitarra pouco depois do show do Guns N’ Roses em Goiânia. Lembro de ter ficado fascinado com o Slash e de como eu queria ser igual a ele”, conta. Hoje, inclusive, o jovem ostenta um visual bem parecido com o do Slash.
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A primeira “guitarra”, porém, estava bem distante dos instrumentos usados pelo ídolo. Depois do show, Lucas pediu à mãe para fazer aulas e começou a aprender em um violão de nylon, que custou menos de R$ 400. Foi o começo de uma paixão que cresceu rapidamente.

Hoje, o adolescente dedica mais de seis horas diárias ao estudo da guitarra, além de estar matriculado no primeiro ano do Ensino Médio em Goiânia. Thrash metal, hard rock e heavy metal estão entre os gêneros preferidos. Além de Slash, a lista de referências inclui Synyster Gates, Jason Becker, Kiko Loureiro, Dave Mustaine, Marty Friedman, Chuck Schuldiner, Eddie Van Halen, James Hetfield, Dimebag Darrell e Angus Young.
“Hoje, olho para trás e percebo o quanto evoluí e o quanto a música e a guitarra transformaram minha vida. Nesse caminho, tive a oportunidade de conhecer inúmeras pessoas incríveis e de viver experiências que jamais vou esquecer”, diz.
Da terra do sertanejo para Boston
Se Goiás revelou algumas das maiores estrelas da música sertaneja brasileira, Lucas sonha em construir seu espaço em um gênero bem diferente daquele que domina os palcos e as rádios do estado. A família decidiu levar o sonho a sério.
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O pai, que é empresário, explica que o incentivo não significa apenas comprar instrumentos ou pagar aulas. A intenção é oferecer ao filho uma formação capaz de prepará-lo para disputar espaço profissionalmente no mercado da música.
“Não enxergamos a música apenas como um hobby. Se é realmente o caminho que ele quer seguir, entendemos que precisa ter formação, disciplina e preparação profissional”, afirma Angelo.
O passo mais importante até agora aconteceu em julho, quando Lucas participou do Aspire: Five-Week Music Performance Intensive, programa da Berklee College of Music, em Boston. Foram cinco semanas de imersão, com aulas e convivência com jovens músicos de diferentes partes do mundo.

Segundo o pai, a participação foi planejada também pensando no futuro acadêmico do filho. Lucas fez o programa em um formato que permite aproveitar créditos caso venha a cursar uma graduação em música nos Estados Unidos.
“Nosso planejamento é que ele continue se preparando nos próximos anos para tentar ingressar em uma grande universidade de música, tendo a Berklee como uma das principais referências. E, se esse caminho se confirmar, a ideia é que faça a graduação nos Estados Unidos e comece a construir por lá sua carreira profissional como músico”, explica Angelo.
Sonho de viver da guitarra
Aos 15 anos, Lucas ainda tem um longo caminho pela frente. A própria família evita tratar o futuro como algo definido. O investimento é para que ele tenha condições de tentar.
“Sabemos que é um projeto de longo prazo e que existe um caminho enorme pela frente. Mas ele é muito jovem, tem paixão pela música e, principalmente, está disposto a estudar. Nosso papel é proporcionar as oportunidades para que desenvolva esse potencial e, aos poucos, transforme esse sonho em uma carreira”, diz o pai.
E exemplos brasileiros não faltam
Kiko Loureiro, um dos guitarristas e músicos brasileiros de maior projeção, construiu uma carreira internacional e integrou o Megadeth. Mais recentemente, o baterista brasileiro Eloy Casagrande passou a ocupar as baquetas do Slipknot, uma das maiores bandas de metal do mundo.
São trajetórias observadas de perto pela família de Lucas, que enxerga nelas a demonstração de que músicos brasileiros podem conquistar espaço entre gigantes internacionais. “Ele vai precisar se esforçar bastante, mas é bem possível”, conta o pai.
Por enquanto, o adolescente goiano continua fazendo aquilo que está ao seu alcance: estudar. Horas e horas por dia, guitarra nas mãos e os ídolos como referência.

