Um forte abalo sísmico de magnitude 7,2 atingiu o sul do Peru em 21 de agosto de 2026, apenas dez dias após um terremoto de 7,4 ser registrado no oeste da Colômbia. A proximidade desses eventos no tempo, somada ao fato de ambos os países estarem na mesma placa tectônica, trouxe novamente à tona a questão sobre a possível conexão entre tremores ocorridos a milhares de quilômetros de distância.
O recente movimento sísmico no Peru teve seu epicentro localizado 35 quilômetros ao norte de Coracora, na província de Parinacochas, região de Ayacucho, com uma profundidade de 108 quilômetros, conforme informações do Instituto Geofísico do Peru (IGP). O tremor foi perceptível em Arequipa, Ica, Cusco, Apurímac e até mesmo nos andares superiores de edifícios em Lima, ocorrendo às 13h (horário local). Até o momento, não há relatos de vítimas fatais, mas foram observados deslizamentos de terra em áreas rurais próximas ao ponto central. O chefe do IGP, Hernando Tavera, comentou que “por enquanto não ocorreu nada crítico”, enquanto as avaliações prosseguem nas zonas mais impactadas.
🔥 RING OF FIRE 🫨: A magnitude 6.7 earthquake struck Peru on Thursday amid a recent stretch of powerful earthquakes along the Pacific Ring of Fire and nearby plate boundaries. The quake follows a magnitude 7.7 near Indonesia last week, a magnitude 7.4 in Colombia earlier this… pic.twitter.com/LyLgPsZsjD
— FOX Weather (@foxweather) August 20, 2026
Dois processos, uma mesma faixa tectônica
O terremoto que afetou a Colômbia, registrado em 10 de agosto de 2026, teve seu epicentro em San José del Palmar e uma profundidade próxima aos 100 quilômetros. O Serviço Geológico Colombiano (SGC) considerou este o mais intenso do país neste século, explicando que sua origem está na subducção da placa de Nazca sob a Sul-Americana, um processo geológico que é responsável por grande parte da atividade sísmica no oeste colombiano.
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Essa mesma placa percorre a maior parte da costa ocidental da América do Sul. O sismólogo colombiano Darío Rivera Vargas esclareceu que “a placa de Nazca abrange o que é o Chile, Peru, Colômbia”, incluindo, portanto, todos os países situados nesse segmento do Oceano Pacífico.
Essa região corresponde ao Círculo de Fogo do Pacífico, uma área que se estende por cerca de 30 nações, incluindo Colômbia e Peru, e que concentra aproximadamente 90% da atividade sísmica global. Nele, diversas placas oceânicas se deslocam constantemente sob o continente, liberando energia na forma de abalos e, em certos casos, erupções vulcânicas.
Compartilham placa, mas estão relacionados?
Embora compartilhem o cinturão e a placa tectônica, isso não implica que dois terremotos distantes tenham a mesma origem. Esse ponto foi abordado por diversos geólogos após um incidente similar ocorrido semanas antes, quando a Venezuela e a Colômbia registraram sismos de grande magnitude com apenas seis semanas de intervalo.
O geólogo argentino Andrés Folguera, professor da Universidade de Buenos Aires e pesquisador do Conicet, detalhou na ocasião que os mecanismos de ruptura de cada sismo dependem da placa envolvida, da profundidade e do tipo de falha ativada. Essas variáveis, explicou, frequentemente diferem, mesmo entre países vizinhos.
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Sobre a possível conexão entre eventos sísmicos distantes, Folguera foi categórico, afirmando que o tema ainda está em estágio inicial de estudo acadêmico e será objeto de futuras pesquisas, embora sua hipótese pessoal aponte para a ausência de uma relação direta entre eles.
A geóloga colombiana Adriana Ocampo, que atuou por décadas na Nasa, concordou com essa avaliação. Em entrevista após o terremoto da Colômbia, ela informou que a atividade sísmica observada neste ano em países como Colômbia, Venezuela e México é resultado da dinâmica tectônica própria de cada área, e não de um fenômeno anômalo ou de uma sequência de causa e efeito entre abalos distantes.
O que explica a coincidência
A percepção de que “tudo treme ao mesmo tempo” pode ser explicada pela frequência natural da atividade sísmica na região. O Peru, por exemplo, registra entre dois e três movimentos telúricos diários, segundo o IGP, e já acumulava 569 sismos ao longo de 2026. A Colômbia, por sua vez, apresenta uma média de 2.500 eventos sísmicos por mês, com a maioria deles imperceptível para a população, conforme o SGC.
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Nesse contexto, a ocorrência de dois abalos sísmicos de grande magnitude com poucos dias ou semanas de diferença em diferentes pontos do mesmo cinturão sísmico é uma manifestação da constante atividade geológica da região.

