Zé Mulato e Cassiano – Viver Sertanjo
A dupla Zé Mulato e Cassiano, ícones da música caipira, participou do programa Viver Sertanejo neste domingo, 5 de outubro de 2025, na Globo. Os veteranos dividiram o palco com Diego & Arnaldo e explicaram o rompimento temporário de 13 anos na trajetória profissional. A pausa ocorreu devido à divisão imposta por gravadoras entre sertanejo e caipira, o que limitou oportunidades de gravação. O encontro aconteceu na fazenda de Daniel, em Brotas, interior de São Paulo.
Cassiano destacou que as gravadoras viam o estilo caipira com restrições, priorizando apenas artistas agenciados em linhas comerciais específicas. Essa barreira levou à decisão de interromper as atividades em estúdio.
A apresentação incluiu interpretações de sucessos como Saudação e Meu Céu, reforçando a tradição da viola.
Motivos da pausa prolongada
Cassiano relatou que as gravadoras criaram uma separação artificial entre gêneros, tratando o caipira como secundário. Essa visão excluiu a dupla de contratos regulares nos anos 1980 e 1990.
O impacto se estendeu a apresentações, com recusas frequentes por falta de enquadramento comercial.
Influências iniciais na formação
Zé Mulato e Cassiano nasceram em Passabém, Minas Gerais, em 1949 e 1955, respectivamente. A dupla se formou oficialmente em 1974, após apresentações informais em Brasília, para onde se mudaram em 1969.
A primeira gravação veio em 1978, impulsionada por Carreirinho, da dupla Zé Carreiro & Carreirinho, que os levou a São Paulo.
Eles gravaram sucessos de Carreiro e Carreirinho, como Bouquet de Flores, a pedido da mãe, Dona Inhazinha.
Apoio de Pena Branca e Xavantinho
Pena Branca e Xavantinho descobriram a dupla no Clube do Violeiro Caipira, em Brasília, durante uma pausa difícil.
Os veteranos incentivaram Zé Mulato e Cassiano a persistir e os apresentaram à gravadora Velas em 1997.
Essa conexão resultou nos álbuns Meu Céu e Navegantes das Gerais, produzidos por Roberto Corrêa.
O violeiro elogiou a dupla como referência na música caipira, gravando ao vivo para capturar a essência de palco.
Encontro geracional no palco
Diego & Arnaldo, representantes do sertanejo moderno, uniram-se aos veteranos em Minas Gerais, canção que homenageia as raízes mineiras.
O programa, apresentado por Daniel, destacou a continuidade da tradição sertaneja.
- Interpretações de O Homem e a Espingarda marcaram o repertório clássico.
- Histórias de Zé Venâncio & Salino foram relembradas como primeiras parcerias.
- A moda de viola ganhou ênfase na conversa sobre evolução do gênero.
Prêmios e legado consolidado
A dupla ganhou o Sharp em 1998 como melhor dupla regional após retorno autônomo. Em 2003, recebeu o Prêmio TIM por contribuições à cultura caipira.
Zé Mulato compôs hits como Caipira de Gravata, inspirado em 30 anos na Câmara dos Deputados.
Em 2018, celebraram 40 anos com o álbum Rei Caipira, homenageando 90 anos da música caipira.
O repertório inclui temas sociais, como em A Mentira e Mineiro de Passabém, com participação de familiares.
Detalhes da trajetória em números
A dupla lançou cinco LPs, 14 CDs e um DVD em mais de 50 anos de carreira.
Eles participaram de coletâneas e documentários, além de eventos culturais em feiras e movimentos sociais.
O hiato de 13 anos, entre os anos 1980 e 1990, coincidiu com a ascensão do sertanejo romântico, alterando o mercado.
Roberto Corrêa dirigiu gravações que preservaram o som raiz, gravado no estúdio ZEN em Brasília.
Produção do Viver Sertanejo
O episódio teve produção de Nathália Pinha e direção artística de Gian Carlo Bellotti.
Monica Almeida assinou a direção de gênero, com Anelise Franco na produção executiva.
O programa vai ao ar aos domingos, após o Globo Rural, focando em histórias autênticas do sertanejo.


