Dona Janete Freitas Nascimento teve quatro filhos homens, mas ainda queria uma menina para colocar vestido, dar bonecas e transformá-la em uma princesa. Deus ouviu suas preces e seu quinto herdeiro foi, justamente, uma mocinha. Mas que surpresa ela teve quando recebeu o recado de que sua filha, a pequena Jacqueline, de 6 anos, toda meiga, estava descendo de carrinho de rolimã pelos morros de Rio Verde com um bando de meninos e o cabelo todo esvoaçado.
“Eu era uma menina moleca. Até hoje não aceito rótulos”, afirmou a empresária e produtora rural Jacqueline Zaiden, hoje com 58 anos, filiada ao PSDB e vice na chapa do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás.
Natural de Rio Verde (onde reside atualmente), a tucana se formou em administração pela UniRV, em 1999, e hoje administra fazendas de soja, milho, cana-de-açúcar e gado no município, mas também em Caiapônia, Palestina e Araraquara (SP). Além de Janete, ela é filha de Iturival Nascimento, ex-deputado estadual e quatro vezes deputado federal – inclusive, ela viveu em Brasília por 16 anos, devido aos compromissos do pai.
Jacqueline, então, não esconde que sua convivência política vem do pai. “Quando nasci, ele era deputado estadual.” Já no agro, a principal influência é o marido, George Zaiden. “Ele que me levou para esse meio”, brinca.
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Política classista
A empresária também presidiu a Associação Comercial e Empresarial de Rio Verde (Acirv), entre 2015 e 2017, e foi da diretoria da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) de 2022 até este ano. Ela também foi presidente da Comissão Mulher da Aprosoja entre 2022 e 2024.
Foi quando estava na Associação que Jacqueline atuou contra a “taxa do agro”, em Goiás. O tributo sobre produtos agropecuários era destinado ao Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra) para investimento em infraestrutura. Ele entrou em vigor em 2023, mas foi extinto neste ano.
Segundo a tucana, ela tentou articular junto ao então presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Lissauer Vieira, para segurar a votação e ampliar as discussões sobre o tema. Contudo, não houve sucesso. “Atuamos muito, fizemos audiência, mas foi uma grande decepção. O produtor confiava no ex-governador Ronaldo Caiado, e a forma como ele conduziu foi decepcionante.” A produtora rural confessa que chegou a votar em Caiado para senador. Ao governo, não.
Ainda sobre a taxa do agro, ela classifica como “grande mico”. “Arrumaram dois problemas: um com o produtor e outro que é para gastar. Não tem sido fácil licitar e o resultado é muito aquém do esperado.”
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Jacqueline se filiou ao PSDB há cerca de 2 anos. Porém, ela se aproximou de Marconi quando estava à frente da Acirv. “Nós tínhamos embates, pois uma de nossas demandas era a duplicação da GO-174 entre Rio Verde e Montividiu, pois havia muitos acidentes.”
Ela lembra que foi “para cima” do governo e fez toda uma movimentação. “Por motivos de caixa, não conseguimos a duplicação, mas garantimos a terceira faixa. Nesses embates, por incrível que pareça, eu me aproximei de Marconi. ‘Essa pode ser minha aliada’, ele dizia”, afirmou.
Antes disso, a empresária confessa que já tinha admiração pelo ex-governador. Ela lembra que, quando vivia em Brasília, a visão das pessoas era extremamente preconceituosa em relação a Goiás. “Meus colegas me perguntavam se tinha cipó e carroça em Goiás. Era isso que pensavam. Porém, Marconi abriu o Estado para o Brasil, então sempre tive admiração. Ele foi muito disruptivo.”
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Convite para a chapa
Questionada sobre como entrou na chapa, ela afirma que Marconi já a havia procurado há cerca de um ano. Naquele momento, ela pediu que ele buscasse outras pessoas, mas que toparia, se fosse necessário.
“Ontem, então, ele me disse que deveria ser eu. Mas durante esse um ano, sempre esteve me cutucando. Era por volta das 10h30 da noite quando eu decidi que iria avançar na política partidária.”
Apesar de entender que o ex-governador tem boa relação com o setor do agronegócio, ela enfatiza: “Eu sou de dentro do agro e com certeza consigo trazer o agro para mais perto. Além disso, sou fato novo, nunca estive na política partidária, sou mulher e tenho história.”
Jacqueline também faz questão de destacar sua luta para conseguir a Casa de Prisão Provisória em Rio Verde. “Eu capitaneei durante minha gestão da Acirv e conseguimos fazer por meio da sociedade civil. Tenho serviço prestado de forma voluntária.”
O tema, inclusive, levou a conversa até uma pauta recorrente: a segurança. Ela diz que, em conversa com membros das forças de segurança, entendeu que boa parte dos resultados da atual gestão foi plantada no governo Marconi. “Ele começou a trabalhar para equipar as polícias, abrir concursos e o resultado veio na gestão seguinte. É como comprar uma Ferrari, encher o tanque e não ficar para dirigir. A estrutura estava feita, mas chegou no outro mandato.”


