Além da Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, o Google, dono do YouTube, também é réu no processo que está sendo julgado no Tribunal de Los Angeles (EUA). O júri, formado por 12 pessoas, deve se estender até o fim de março.
As duas big techs são acusadas de desenvolverem propositalmente produtos viciantes com o objetivo de aumentar seus lucros.
O TikTok e o Snapchat também eram alvos da ação, mas fecharam acordos confidenciais antes do início do julgamento.
Durante o júri, Zuckerberg disse que o Instagram demorou para identificar usuários menores de 13 anos e que se arrepende disso. “Eu sempre desejei que tivéssemos chegado lá mais cedo”, acrescentou.
Questionado sobre reclamações feitas dentro da própria empresa de que a checagem era insuficiente, ele disse que já houve avanços nesse sentido.
O bilionário também rebateu a sugestão de um advogado de que teria enganado o Congresso sobre o design das plataformas da empresa.
Ele foi questionado sobre declarações feitas em 2024, quando afirmou, durante uma audiência, que a bigtech não estabelecia como meta para suas equipes maximizar o tempo de uso dos aplicativos.
O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, chega ao Tribunal de Los Angeles. — Foto: REUTERS/Mike Blake
Mark Lanier, advogado da jovem que deu início ao processo (saiba abaixo), mostrou aos jurados e-mails de 2014 e 2015 nos quais Zuckerberg detalhava objetivos para aumentar o tempo de uso do aplicativo em percentuais de dois dígitos.
Zuckerberg disse que, embora a companhia já tenha tido metas relacionadas ao tempo que os usuários passavam no aplicativo, isso mudou.
“Se você está tentando dizer que meu depoimento não foi preciso, eu discordo fortemente disso”, afirmou Zuckerberg.

A analogia entre redes e máquinas de caça-níquel
Como surgiu o júri
Esse é o primeiro júri popular nos EUA que vai julgar a responsabilização das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes.
A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada nos documentos do processo pelas iniciais K.G.M, e chamada de Kaley no tribunal.
Ela afirma que começou a usar redes sociais aos 6 anos e que foi exposta a conteúdos e a filtros que contribuíram para que ela desenvolvesse depressão, ansiedade, pensamentos suicidas e distorções na forma como se enxerga.
O processo, no entanto, não envolve só o caso de Kaley. Cerca de 800 pessoas estão envolvidas na ação judicial, disse Carolina Rossini, especialista em Direito da Tecnologia e professora na Escola de Direito na Universidade de Boston, ao podcast O Assunto.
“Nos EUA, tem um procedimento específico que, se existem vários casos semelhantes, a Corte pode trazer esses casos conjuntamente”, afirmou.
“Nesse caso, a gente tem por volta de 800 demandas reunidas sendo representadas pelo caso da KGM. E essa decisão vai ser vinculante a esses outros 800 demandantes”, explicou.
Uma mulher abraça Lori Schott, do Colorado, uma das mães que perderam seus filhos por causa das redes sociais, do lado de fora do Tribunal de Los Angeles. Foto tirada em 18 de fevereiro de 2026. — Foto: REUTERS/Mike Blake
Reação global
A Meta pode ter que pagar indenização se perder o caso, e o resultado pode enfraquecer a principal linha de defesa jurídica das gigantes de tecnologia contra acusações de danos aos usuários.
O processo faz parte de uma reação global contra o impacto das redes na saúde mental de crianças e adolescentes.
A Austrália, por exemplo, proibiu o acesso às redes sociais para menores de 16 anos, enquanto outras nações, como a Espanha, estudam adotar medidas semelhantes.
Nos EUA, o estado da Flórida proibiu que empresas permitam usuários com menos de 14 anos, e entidades do setor de tecnologia contestam a lei na Justiça.
Redes sociais negam
Mark Zuckerberg durante o Meta Connect em setembro de 2025 — Foto: REUTERS/Carlos Barria
As empresas negam as acusações e dizem que vêm criando ferramentas de proteção aos usuários. A Meta também cita estudo das National Academies of Sciences que, segundo a companhia, não encontrou provas de que as redes sociais alterem a saúde mental de crianças.
O processo é visto como um teste para milhares de ações semelhantes movidas nos EUA contra empresas como Alphabet, Snap e TikTok.
Famílias, distritos escolares e estados acusam essas companhias de alimentar uma crise de saúde mental entre jovens.
Na semana passada, Mosseri, afirmou que desconhecia um estudo recente da própria empresa que não encontrou relação entre supervisão dos pais e maior controle dos jovens sobre o uso das redes.
O documento apresentado no julgamento indica que adolescentes em situações difíceis relataram usar a plataforma de forma habitual ou sem perceber.
Advogados da empresa disseram aos jurados que os registros médicos da autora mostram que os problemas de saúde têm origem em uma infância conturbada e que as redes sociais funcionaram como um espaço de expressão criativa para ela.

