A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) volta aos trabalhos nesta quinta-feira (5/2) com foco em empréstimos consignados oferecidos por instituições financeiras, incluindo a polêmica do Banco Master.
O convocado desta vez será o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.
O colegiado deve tentar mudar o foco para os consignados do Master para ganhar mais holofotes, já que o período de funcionamento durante o ano de 2025 teve um baixo desempenho, como mostrou o Metrópoles.
Em resposta aos desdobramentos do caso, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a CPMI, levou para deliberação nesta quinta dois pedidos que tratam da suspensão dos sigilos fiscal e bancário do Master.
As solicitações, apresentadas por deputados e senadores do partido Novo, buscam detalhar a movimentação financeira da instituição, incluindo contas, investimentos e demais patrimônios registrados no sistema bancário.
“Diante desse quadro, revela-se imprescindível que esta CPMI do INSS tenha acesso às informações relacionadas às contas bancárias e movimentações financeiras do Banco Master, por meio da autorização para quebra de sigilo bancário da instituição. O acesso a esses elementos financeiros permitirá análises comparativas com as informações declaradas publicamente e subsidiará as conclusões técnicas desta CPMI, em atendimento ao dever constitucional de fiscalização e em defesa dos interesses dos beneficiários do INSS”, diz trecho de um dos requerimentos.
O pedido foi assinado pelos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Adriana Ventura (Novo-SP), Luiz Lima (Novo-RJ) e pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE).
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relatou, em dezembro, que “várias instituições financeiras parecem envolvidas, incluindo o Banco Master”. Segundo o parlamentar, não há dúvidas de que a polêmica do banco constará no relatório final.
A volta da CPMI do INSS vai mirar no Banco Master
- CPMI do INSS retoma trabalhos focada em empréstimos consignados, com atenção ao Banco Master, alvo de polêmica;
- Senador Carlos Viana leva à votação dois pedidos de quebra de sigilo fiscal e bancário do Master, apresentados por parlamentares do Novo;
- Requerimentos buscam detalhar contas, investimentos e patrimônio do banco, para subsidiar análises e conclusões técnicas da comissão;
- Presidente do INSS, Gilberto Waller, será ouvido; bloqueio de R$ 2 bilhões em consignados do Master afeta mais de 250 mil contratos.
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KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

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Oitiva
Haverá uma fase de oitiva. O convocado desta vez será o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Ele foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 30 de abril de 2025. Ele é servidor de carreira da Advocacia-Geral da União.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Milena Teixeira, Waller afirmou que realizou uma reunião virtual com o liquidante e com dois diretores do Banco Master.
“Apresentamos o problema das irregularidades e vamos notificar o Banco Master, que terá um prazo de 15 dias para comprovar que não houve irregularidade. Foi um primeiro contato, e eles se mostraram dispostos a resolver”, declarou o chefe do INSS.
Segundo o presidente do instituto, caso o banco não apresente resposta no prazo estabelecido, o INSS poderá rescindir o contrato.
Ele já havia informado que os repasses de empréstimos consignados do banco foram bloqueados após o surgimento de suspeitas de irregularidades. O bloqueio é de cerca de R$ 2 bilhões e está relacionado a mais de 250 mil empréstimos que estão sob análise do órgão de Previdência.
CPMI do INSS
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.

