Yuri de Carvalho da Silva, meia-atacante de 30 anos do Goytacaz, entrou em campo com tornozeleira eletrônica durante o primeiro jogo da final da Série B2 do Campeonato Carioca, equivalente à quarta divisão estadual, disputado no domingo, 30 de novembro de 2025, no Estádio Cláudio Moacyr, em Macaé, no Rio de Janeiro. O confronto terminou empatado em 1 a 1, deixando a decisão aberta para o segundo duelo, marcado para o domingo seguinte, 7 de dezembro, às 15h locais, no Estádio Ary de Oliveira, em Campos dos Goytacazes. Preso em 2018 por tráfico de drogas e liberado em maio de 2025 para regime semiaberto, Yuri cumpre o restante da pena sob monitoramento judicial, o que permitiu sua volta ao futebol profissional.
O jogador, camisa 18 do time, foi acionado aos 25 minutos do segundo tempo e disputou toda a competição com o dispositivo preso ao tornozelo esquerdo, coberto pelo meião azul. Essa participação chama atenção por ilustrar a interseção entre o sistema prisional e o esporte, sem que haja proibição explícita no regulamento da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj).
A Federação emitiu nota destacando o papel do futebol na formação de cidadãos e na ressocialização, afirmando que verificará se existe impedimento legal para o exercício da atividade profissional com o equipamento. O Goytacaz, que retornou às competições oficiais em 2025 após hiato, garantiu acesso à Série B1 de 2026 com a classificação à final, ao lado do Macaé.
Trajetória de Yuri no futebol e na prisão
Yuri de Carvalho começou a carreira em clubes locais de Campos dos Goytacazes antes de enfrentar problemas judiciais em 2018. Preso por tráfico de drogas, passou sete anos na Casa de Custódia Dalton Crespo de Castro, na mesma cidade, onde manteve contato com o esporte por meio de atividades internas.

Em maio de 2025, obteve progressão de regime e passou a usar a tornozeleira eletrônica, o que facilitou sua reintegração ao time do Goytacaz. O clube o descreve como atleta dedicado, atuando como opção tática do técnico Wellington Gomes, embora sem gols marcados na Série B2.
O pedido do Goytacaz à Vara de Execução Penal para remover o aparelho durante jogos ainda aguarda análise, mas a diretoria planeja renovar o contrato do jogador ao fim da temporada.
Campanha do Goytacaz na Série B2
O Goytacaz avançou à final após vencer o Belford Roxo por 2 a 1 na semifinal de volta, em 23 de novembro de 2025, com gols de Redle e Lekinho, superando o empate sem gols do jogo de ida. Essa vitória garantiu o acesso à Série B1 de 2026, marcando o retorno do clube à divisão superior após anos de ausência.
No primeiro jogo da final, contra o Macaé, o time abriu o placar cedo, mas sofreu o empate com Pipico aos sete minutos do segundo tempo. A partida teve expulsões de três jogadores: Ryan e Souza, do Macaé, e Arcado, do Goytacaz, o que aumentou a tensão no Moacyrzão.
- Gols na final de ida: Um para cada lado, com placar de 1 a 1.
- Público estimado: Cerca de 1.200 torcedores no estádio.
- Árbitro principal: Registro de lances polêmicos na etapa final.
A Série B2 de 2025 contou com nove clubes em fase de grupos, classificando os quatro melhores para semifinais, em formato de mata-mata com ida e volta.
Posição da Ferj e regulamento da competição
A Ferj reforçou em comunicado que o esporte promove inclusão e que avaliará a legalidade da participação de atletas monitorados judicialmente. Não há menção explícita no regimento da Série B2 ou nas normas gerais da federação que vede o uso de tornozeleira em jogos.
Representantes do Goytacaz afirmam que o equipamento incomoda, mas não impede o desempenho, e destacam a ausência de qualquer cláusula restritiva. A federação planeja consultar autoridades para evitar equívocos em julgamentos futuros.
Essa abordagem reflete políticas de ressocialização no Brasil, onde o regime semiaberto permite trabalho e atividades profissionais sob supervisão eletrônica.
O caso de Yuri não altera o calendário da final, que segue inalterado.
Detalhes do primeiro jogo da final
A partida de ida ocorreu sob sol forte em Macaé, com o Goytacaz pressionando nos primeiros minutos e abrindo o marcador logo cedo. O Macaé reagiu com bola parada, empatando e controlando o ritmo na sequência.
Expulsões marcaram a reta final, forçando ajustes táticos de ambos os lados. Yuri, ao entrar, contribuiu para tentativas de desequilíbrio, mas o placar permaneceu igualado.
Transmissão oficial capturou o momento da entrada do meia, visível na perna esquerda, gerando debates sobre acessibilidade no esporte.
O confronto destacou a rivalidade regional entre times do Norte Fluminense, com o Goytacaz buscando seu primeiro título na B2 desde o retorno às disputas.
Expectativas para a decisão no Aryzão
O segundo jogo, no domingo, 7 de dezembro de 2025, às 15h locais, em Campos dos Goytacazes, define o campeão da Série B2. Empate leva à prorrogação e, se necessário, pênaltis.
Tanto Goytacaz quanto Macaé já garantiram promoção à B1, mas o troféu impulsiona moral para 2026. Técnico Wellington Gomes elogia a versatilidade de Yuri como reserva imediato.
Clube campista, fundado em 1914, vê na final chance de consolidar projeto de base. Yuri, integrado ao elenco, treina regularmente com monitoramento.
- Fatores decisivos: Desempenho em casa e aproveitamento de bolas paradas.
- Histórico recente: Goytacaz invicto em cinco jogos no Aryzão.
- Torcida esperada: Capacidade para 3.000 pessoas no estádio.
Contexto da ressocialização no esporte
Atletas em regime semiaberto enfrentam barreiras, mas casos como o de Yuri mostram viabilidade. No Brasil, cerca de 40 mil pessoas usam tornozeleiras, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional, com foco em reinserção laboral.
Futebol oferece estrutura para rotina disciplinada, ajudando na adaptação pós-prisão. Goytacaz adotou Yuri em 2025, priorizando perfil técnico.
Pedido de remoção do aparelho visa conforto em campo, mas decisão judicial pende. Clube monitora evolução para extensão contratual.
Essa dinâmica equilibra obrigações legais e aspirações profissionais, sem precedentes na Série B2.
Yuri de Carvalho representa persistência no futebol de base carioca, atuando em 14 partidas na B2 de 2025, com assistências em três jogos. Sua história, de prisão a final, reforça o potencial do esporte como ferramenta de mudança, enquanto o Goytacaz prepara logística para o duelo decisivo.


