Zubeldía – Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC
O técnico Luis Zubeldía, do Fluminense, questionou a atuação do VAR após a derrota por 2 a 1 para o Mirassol, em partida atrasada da 13ª rodada do Campeonato Brasileiro, disputada na noite de quarta-feira (8), no Estádio José Maria de Campos Maia, em Mirassol (SP). O treinador apontou um gol anulado de Lucho Acosta como exemplo de decisão equivocada, que influenciou o resultado final. Zubeldía destacou que recursos tecnológicos disponíveis não evitam erros graves na competição.
A anulação ocorreu aos 31 minutos do primeiro tempo, em contra-ataque iniciado por Canobbio e Keno, com falta supostamente cometida pelo uruguaio em Danielzinho na origem do lance. O árbitro Rodrigo José Pereira de Lima, orientado pelo VAR comandado por Caio Max Augusto Vieira, revisou e invalidou o gol. Minutos depois, Guilherme Marques marcou para o Mirassol, abrindo o placar.
No segundo tempo, o Fluminense empatou com Martinelli, aos 10 minutos, em jogada de escanteio cobrado por Renê e escorado por Freytes. No entanto, Negueba garantiu a vitória dos donos da casa aos 42 minutos, após erro de Samuel Xavier na saída de bola. Com o revés, o Fluminense permanece na 7ª posição, com 38 pontos, enquanto o Mirassol sobe para 4º, com 46.
- Principais lances polêmicos: Gol anulado do Fluminense por falta na origem; pênalti não revisado para o Mirassol no segundo tempo.
- Cartões distribuídos: 7 amarelos no total, incluindo Thiago Silva e Hércules pelo Tricolor.
- Escalações iniciais: Fluminense com Fábio; Samuel Xavier, Freytes, Thiago Silva e Renê; Mirassol com Alex Muralha e Negueba no ataque.
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) October 9, 2025
Análise do lance anulado
O árbitro central chamou o VAR para revisar o contato entre Canobbio e Danielzinho, que ocorreu antes do gol de Acosta. Imagens mostraram que o jogador do Mirassol pisou na bola inicialmente, mas o toque posterior foi considerado faltoso pela equipe de vídeo.
Zubeldía argumentou que o bom senso deveria prevalecer, já que ninguém do Mirassol reclamou no momento e o afetado se recuperou rapidamente. Ele enfatizou que decisões sob pressão comprometem a qualidade do campeonato.
Essa intervenção reflete uma tendência recente de revisões mais rigorosas, mas o treinador vê inconsistência em sua aplicação.
Repercussão da polêmica no Choque-Rei
A crítica de Zubeldía conectou o episódio ao clássico entre São Paulo e Palmeiras, no domingo (5), no Morumbi, onde um pênalti não marcado de Allan em Tapia gerou indignação. O São Paulo liderava por 2 a 0 quando o lance ocorreu, e o VAR não chamou o árbitro Ramon Abatti Abel para revisão.
A CBF afastou Abatti e o VAR Ilbert Estevam da Silva para treinamento, reconhecendo erros na partida que terminou em 3 a 2 para o Palmeiras. Áudios divulgados pela entidade confirmaram que o carrinho de Allan foi interpretado como “escorregão acidental”, mas o São Paulo contestou a decisão.
Outros incidentes no Choque-Rei incluíram cartões amarelos para Andreas Pereira e Gustavo Gómez, vistos como passíveis de vermelho por comentaristas. A Federação Paulista registrou formalmente as queixas.
O Palmeiras emitiu nota sobre pressões à arbitragem, destacando marcações contra si, como não expulsões de Bobadilla e Alan Franco.
Declarações de Zubeldía sobre o VAR
Em coletiva pós-jogo, Zubeldía afirmou que os árbitros enfrentam uma fase negativa, com decisões que condicionam resultados. “Com tantos recursos, é evidente que estão sendo inoperantes, e isso preocupa todos no futebol”, declarou o argentino, que assumiu o Fluminense em setembro.
Ele mencionou que a primeira derrota em cinco jogos não apaga o progresso da equipe, mas reforçou a necessidade de correções na arbitragem. Zubeldía evitou culpar apenas o VAR, citando erros individuais como o de Freytes na saída de bola.
O treinador justificou substituições no segundo tempo, como a entrada de John Arias por Keno, visando mais velocidade, mas admitiu que o time recuou após o empate.
Contexto das mudanças táticas no Fluminense
Zubeldía optou por um esquema 4-3-3 inicial, com John Kennedy no ataque para explorar contra-ataques. A ausência de Kevin Serna, convocado para a Colômbia, forçou ajustes, com Keno atuando pela esquerda.
No intervalo, o técnico promoveu trocas para equilibrar o meio-campo, inserindo Arias e Ganso, mas o Mirassol manteve pressão alta. O Fluminense criou chances, mas falhas defensivas permitiram os gols adversários.
Essa partida expôs vulnerabilidades na defesa tricolor, que sofreu 22 faltas no jogo. Zubeldía planeja correções para o próximo compromisso, contra o Juventude, no dia 16, no Maracanã.
A sequência de jogos atrasados pelo Brasileirão exige rodízio, e o treinador monitora lesões, como a de Montoro no Botafogo, para evitar sobrecargas.
Posição da CBF sobre erros recentes
A Comissão de Arbitragem da CBF anunciou avaliações internas para os responsáveis por decisões polêmicas nas últimas rodadas. Além do Choque-Rei, o jogo Bragantino x Grêmio também motivou afastamentos temporários.
Treinamentos focam em critérios unificados para faltas na origem de lances e uso de bom senso em revisões. A entidade divulgou áudios do VAR em casos selecionados, visando transparência.
No total, o Brasileirão 2025 registra mais de 10 erros graves identificados por analistas, com pênaltis sonegados e gols indevidamente anulados. A CBF planeja workshops com clubes para alinhar expectativas.
Perspectivas para o Fluminense no Brasileirão
O time carioca mira o G-4 para vaga na Libertadores, mas a derrota interrompeu uma série invicta sob Zubeldía. Com 38 pontos, o Tricolor depende de vitórias em casa para recuperar terreno.
O próximo adversário, Juventude, ocupa a 15ª posição, e o jogo no Maracanã favorece o Flu. Zubeldía aposta em Acosta e Martinelli como peças-chave no meio-campo.
Estatísticas mostram que o Fluminense tem média de 1,8 gol por partida, mas concede 1,2, o que exige equilíbrio defensivo.


