Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Esportes

“Vou trabalhar!” Crise na seleção portuguesa tem novo capítulo entre Jorge Jesus e CR7

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Sobre o tema envolvendo Jorge Jesus, Jorge Jesus confirmou nesta quarta-feira (7) que tomou conhecimento da carta publicada por Cristiano Ronaldo, na qual o atacante apresentou sua versão para o desentendimento entre os dois e explicou a decisão de deixar a concentração da seleção portuguesa. Além disso, apesar da repercussão do episódio, o treinador preferiu não prolongar a discussão e afirmou que seguirá focado no trabalho com a equipe nacional.

“Li o comunicado e agora, como faço todos os dias, vou para a federação trabalhar, pensar na equipa e na seleção”, declarou Jesus a jornalistas ao deixar sua residência.

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Cristiano Ronaldo tornou pública sua versão na terça-feira (6), após a saída da concentração portuguesa. Dessa forma, O episódio teve origem na partida contra a Noruega, vencida por Portugal por 2 a 1 pela Liga das Nações. Com isso, irritado por ter sido chamado para o aquecimento e, posteriormente, permanecer no banco, o atacante questionou a condução da situação pelo treinador. Veja o post com a carta de CR7 a seguir

Contexto e detalhes sobre Jorge Jesus

Nesse sentido, segundo Cristiano, uma conversa entre ele, Jorge Jesus e Simão Coutinho, diretor esportivo do Al-Nassr, havia estabelecido alguns pontos que seriam posteriormente esclarecidos pelo técnico em entrevista coletiva. Portanto, entre eles estaria o reconhecimento de que não foi adequada a decisão de mandar um jogador da dimensão de Pelé ou Maradona aquecer sem depois colocá-lo em campo.

Em seguida, A declaração faz referência a uma fala anterior de Jesus, que havia citado os dois ídolos do futebol mundial ao explicar a opção de manter Cristiano no banco. De acordo com as apurações, O treinador afirmou que pretendia utilizá-lo, mas mudou de decisão em razão do andamento da partida.

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Cristiano, porém, apresentou uma interpretação diferente. Por outro lado, de acordo com o atacante, Jesus havia informado que ele entraria em campo por aproximadamente 30 minutos. Vale destacar que mesmo com a alteração em relação ao planejamento físico inicial, o jogador aceitou a orientação e começou a se aquecer no segundo tempo. Sendo assim, como acabou não sendo utilizado, entendeu que o combinado não foi cumprido. A seguir o post do dia em que CR7 comunicou que deixou a seleção portuguesa

Principais pontos e impactos da decisão

Além disso, O atacante também relatou que havia sido discutido um planejamento para controlar sua carga física, incluindo alternância entre partidas e períodos de descanso. Cristiano afirmou, entretanto, que não concordou em ficar fora das viagens para os jogos contra Noruega e Dinamarca por considerar importante estar presente como capitão da seleção. Veja a declaração de Jorge Jesus a seguir

Dessa forma, A situação se agravou antes do compromisso com a Dinamarca. Com isso, segundo Cristiano, a postura de Jesus mudou durante a preparação para o confronto e, posteriormente, o jogador decidiu deixar a concentração. Nesse sentido, ele afirmou que chegou a ser convencido a permanecer, mas manteve a decisão e prometeu explicar publicamente os motivos.

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Na carta, Cristiano Ronaldo também declarou estar disposto a aceitar uma eventual punição da Federação Portuguesa de Futebol. O atacante reforçou ainda que pretende continuar à disposição da seleção depois de cumprir qualquer suspensão, desde que esteja fisicamente apto e siga atuando por seu clube.

O que dizem as partes envolvidas

Leia a carta, na íntegra, a seguir

“Tal como prometi, decidi contar, na primeira pessoa e de forma direta, as circunstâncias que envolveram o último estágio da Seleção Nacional.

Após o Mundial 2026 preparei uma carta aos portugueses, que ainda guardo, com as palavras que lhes quero dirigir quando abandonar, definitivamente, a nossa equipa.

No final da competição, logo no voo de regresso dos Estados Unidos, o Presidente da Federação pediu e insistiu que eu ponderasse a decisão de sair porque a FPF queria que eu continuasse.

Próximos passos e desdobramentos

Logo a seguir pediu que lhe desse a minha opinião sobre o nome do atual Selecionador e que ele estava a ponderar, a par de outros nomes que não me revelou.

Respondi ao Presidente da Federação que, em minha opinião, seria a escolha certa.

Por isso, no dia em que o atual Selecionador foi apresentado fiquei genuinamente feliz pela escolha. Portanto, era a opção certa, como os resultados vão comprovando.

Mais detalhes sobre Jorge Jesus

Poucos dias depois recebi um primeiro contacto do novo selecionador nacional a dizer que gostava de estar comigo pessoalmente. Em seguida, respondi que sim e agendámos para o final das minhas férias.

Encontrámo-nos na Cidade do Futebol onde o meu clube fazia estágio de pré-temporada.

O Selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto. Apresentou-me, logo ali, um plano para a minha participação. De acordo com as apurações, disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo.

Mais detalhes sobre Jorge Jesus

Nessa altura colocou-me a hipótese de eu não viajar com a Seleção para Noruega e Dinamarca. Por outro lado, propôs-me que fizesse o primeiro jogo e ficasse em Portugal, para depois me juntar de novo antes do jogo do Dragão.

Recusei de imediato esta proposta. Vale destacar que parecia-me evidente que não a poderia aceitar. Sendo assim, não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipa. Além disso, esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo.

O Selecionador acabou por concordar com a minha análise.

Mais detalhes sobre Jorge Jesus

Esta conversa foi acompanhada pelo Simão Coutinho, diretor Desportivo do Al Nassr, pessoa a quem reportava o atual selecionador durante toda a época passada e um dos responsáveis pela sua contratação pelo clube em 2025.

Na véspera do estágio começar o Selecionador deslocou-se a minha casa, em Lisboa, para ter nova conversa comigo, a seu pedido. Dessa forma, A conversa foi tranquila e todos os princípios combinados em agosto foram mantidos.

Joguei o jogo de Alvalade, e apesar de substituído, não fiz nenhum problema. Com isso, coloquei a braçadeira eu mesmo ao Bruno Fernandes, longe de imaginar que pudesse estar a dar os últimos passos, como atleta e capitão da Seleção Nacional.

Mais detalhes sobre Jorge Jesus

O importante desse dia, para mim, foi a nossa vitória. Nesse sentido, ganhar é sempre bom, em Portugal e pelo meu País, ainda melhor.

À hora de almoço do dia do jogo na Noruega um adjunto do selecionador do veio à mesa onde o grupo estava a almoçar e informou-me que o Selecionador me queria falar.

Para minha absoluta surpresa, o selecionador perguntou-me se estava bem para jogar 30 minutos. Portanto, eu estava totalmente focado na minha recuperação física, integrado com os meus companheiros como sempre e a pensar que não jogaria naquele dia. Em seguida, sem nenhum problema.

Mais detalhes sobre Jorge Jesus

Este pedido era algo fora do meu plano de recuperação física e de treino – porque apenas iria jogar dia 4 no Dragão – mas obviamente disse que sim. Respondeu-me que então estivesse preparado porque jogaria 30 min.

O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado.

O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra.

No fim do jogo só queria que tudo acabasse com a vitória e ficar sozinho. Não fui cumprimentar os adeptos. Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido.

Peço desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos adeptos e peço desculpa aos que, sem serem portugueses, ali se possam ter deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido.

Passado 48 horas tivemos uma conversa, eu, o Selecionador e o Simão Coutinho uma vez que tinha sido ele a acompanhar as nossas conversas de Agosto.

Foi um momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro.

Concordamos que só havia uma maneira de encerrar este “caso”: que o Selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presença do Simão Coutinho, mas na Sala de Imprensa.

O que foi combinado era simples: o Selecionador começaria a conferência de imprensa por este tema, procurando encerrar o assunto contando a verdade.

Diria que nunca pedi para jogar minutos nenhuns, que foi o Selecionador e mais ninguém, quem me propôs o plano para este estágio e que foi um erro colocar-me a aquecer para não entrar e que se voltasse a acontecer não o faria.

Acabamos essa reunião com o Selecionador a pedir-me um abraço, a prometer-me que ia dizer na conferência o que acabara de me dizer a mim e que o assunto se ultrapassava.

Eu não jogaria na Dinamarca e jogaria o jogo do Dragão. Tudo isto na presença do Simão Coutinho, sempre.

A pedido do selecionador, decorreu depois uma reunião entre ele mesmo, o Simão Coutinho e o Tiago Craveiro em videoconferência, em que se resumiu aquilo que falámos.

Foi produzido um pequeno documento que eu mesmo validei e que, com o meu conhecimento, foi entregue ao Selecionador, tal como ele havia solicitado.

A conferência foi o que se conhece: a postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera.

As notas que validei eram as seguintes:

“Acho importante, até porque é a verdade, esclarecer algumas coisas antes de falar da Dinamarca:

  1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele, esta época desportiva, na Seleção Nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa.
  2. Sei o quanto ele vive e Ama a Seleção e o peso que tem no Mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na Seleção há 24 anos consecutivos.
  3. O plano que propus ao Cristiano foi aceite.
  4. Ele nunca questionou as minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional.
  5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou.
  6. Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria.
  7. Para encerrar o assunto: Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al Nassr e aqui também.
  8. Sobre não ter cumprimentado os adeptos. Já falámos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes reagimos. Foi só isso.”

Nenhuma destas notas dizia, portanto, que o selecionador me pedisse sequer desculpa.

Era a segunda vez, que me estava a faltar à palavra dada.

Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade.

Aliás, numa conversa que mantive com o Presidente da FPF e com o Selecionador na manhã do dia dessa conferência de imprensa, podem confirmar seguramente, reafirmei que se não me quisessem ali mo dissessem.

Bastava serem francos comigo. Eu aceitaria isso e prometi que prepararíamos algo bonito, como sonho que aconteça, e ninguém ficaria zangado.

Lembro-me como se fosse hoje. Responderam em uníssono que não. Que o meu lugar era na Seleção Nacional.

Nunca, em nenhum momento me intrometi em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira.

Aceito é melhor ou pior o que me propõem fazer. Respeito a decisão e quando me faltam à palavra, sinto que o meu lugar não é ali.

Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de Seleção por ter abandonado o estágio.

Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador, como poderá testemunhar quem assistiu a estas conversas, eu não o devia ter feito. A responsabilidade é exclusivamente minha.

Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor.

Senti que, a partir dali, a minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí.

A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol.

Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante.

Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências. Quem está no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos.

A este propósito, tenho ouvido muito falar em jogos de despedida, que tenho que ter uma despedida digna e que a Federação me quer dar essa oportunidade.

Aprendi na vida, com fome e sem nada para comer muitas vezes, que ninguém dá nada a ninguém.

Posso prometer a todos os meus fãs, naturalmente e em especial a todos os portugueses, que faremos um ou mais jogos de despedida, haverá tempo para isso.

Mas quando penso na seleção o que eu penso mesmo é em competir. Foi nisso que pensei no dia em que me deram a notícia da morte do meu Pai.

Estava em estágio da nossa Seleção e lá decidi ficar até terminar o jogo do dia seguinte. Fiz por isso pelo País o que jamais faria por clube algum.

Portanto se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção.

Esta é, acreditem, a mais pura das verdades.

Cristiano Ronaldo

6 de Outubro de 2026″.

Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás