Vodca contaminada com metanol leva a 25 óbitos e apreensão de 1.300 litros na Rússia

Autoridades russas confirmaram a morte de 25 pessoas por intoxicação com metanol após o consumo de vodca adulterada na região de Leningrado. O incidente ocorreu no distrito de Slantsy, a cerca de 150 quilômetros de São Petersburgo, entre os dias 10 e 26 de setembro de 2025. As vítimas, em sua maioria moradores locais de áreas rurais, ingeriram a bebida ilegal vendida a preços baixos, equivalente a menos de um dólar por garrafa.

Investigações apontam que o metanol, substância tóxica usada em solventes e combustíveis, foi adicionado para baratear a produção. Exames forenses em oito corpos revelaram níveis letais da substância, e outros casos aguardam análise. A procuradoria regional abriu três processos criminais para apurar a rede de fabricação e distribuição.

metanol
metanol – Foto: chemical industry/Shutterstock.com
  • Principais fatos do caso:
  • Local: Distrito de Slantsy, região de Leningrado.
  • Período: Setembro de 2025, com pico em 26 de setembro.
  • Vítimas: 25 óbitos confirmados, mais internações por sintomas como náuseas e perda de visão.
  • Substância: Metanol, detectado em níveis altos nos exames.

Detalhes das prisões efetuadas

Polícia deteve 14 indivíduos ligados à produção da vodca contaminada. Olga Stepanova, de 60 anos e professora de creche, foi identificada como fornecedora do metanol bruto. Nikolai Boytsov, de 78 anos, atuava na fabricação e engarrafamento em instalações improvisadas.

Outros detidos incluem distribuidores que vendiam o produto em pontos informais. As buscas policiais resultaram na apreensão de mais de 1.300 litros da bebida falsificada.

Processo de fabricação da bebida ilegal

A vodca era produzida a partir de álcool bruto misturado com metanol em galpões não regulados. Essa prática permite reduzir custos em até 80% em comparação com vodca legal, segundo dados de investigações passadas.

Autoridades encontraram equipamentos rudimentares, como destiladores caseiros, durante as operações. A bebida atingia 45% de teor alcoólico, similar ao padrão comercial, o que facilitava a venda como produto legítimo.

A rede operava há meses, fornecendo para bares e lojas informais na região. Inspeções em pontos de venda continuam para evitar circulação de lotes restantes.

Histórico de casos semelhantes na Rússia

Incidentes com metanol em bebidas ocorreram em 2016, quando mais de 60 pessoas morreram em Irkutsk após consumir óleo de banho adulterado. O governo endureceu leis sobre produção ilegal de álcool em resposta.

Em 2021, 29 óbitos foram registrados perto da fronteira com o Cazaquistão por destilados contaminados. Esses eventos destacam a persistência do problema em áreas de baixo poder aquisitivo.

Em 2023, 50 mortes ligaram-se a sidra falsificada em Ulyanovsk, com sentenças recentes contra os responsáveis. A frequência diminuiu desde os anos 1990, mas persiste em zonas rurais.

Riscos à saúde associados ao metanol

O metanol causa danos ao sistema nervoso central e pode levar à cegueira em doses de 4 mililitros. Sintomas incluem dor de cabeça, vômitos e acidose metabólica, com morte em até 48 horas sem tratamento.

Hospitais na região trataram dezenas de casos com hemodiálise para remover a toxina. Especialistas recomendam consumo apenas de produtos licenciados para evitar exposição.

Medidas preventivas adotadas

Governo regional aumentou fiscalizações em pontos de venda de álcool. Campanhas educativas alertam sobre perigos de bebidas caseiras baratas.

  • Ações em andamento:
  • Treinamento de agentes para detecção de falsificações.
  • Bloqueio de importações de precursores químicos.
  • Parcerias com laboratórios para testes rápidos.

Autoridades planejam expandir inspeções para outras regiões.

Expansão da investigação em curso

Procuradoria de São Petersburgo coordena buscas em armazéns suspeitos. Equipes forenses analisam amostras de mais vítimas para confirmar o metanol como causa principal.

Detetives mapeiam a cadeia de suprimentos, incluindo fontes do metanol industrial. Relatórios preliminares indicam envolvimento de fornecedores locais de produtos químicos.

A operação visa desarticular toda a rede antes de novas distribuições. Atualizações serão divulgadas conforme avançam os inquéritos.

Contexto econômico por trás da produção ilegal

Preços elevados de vodca legal, impulsionados por impostos e inflação, incentivam o mercado negro. Em áreas rurais como Slantsy, o desemprego agrava o acesso a alternativas baratas.

Dados indicam que 20% do álcool consumido na Rússia provém de fontes não reguladas. Essa realidade persiste apesar de reformas legislativas pós-2016.

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