Virginia Fonseca enfrenta denúncia por burlar proibição de lives da Wepink com promoção de cosmético

Virginia - festa Wepink

Virginia – festa Wepink – foto: instagram

O Ministério Público de Goiás apresentou parecer ao Tribunal de Justiça na quinta-feira, 23 de outubro de 2025, alegando que a influenciadora Virginia Fonseca, 26, violou decisão judicial ao postar vídeo promovendo um perfume da marca Wepink. A liminar, concedida em outubro, proíbe lives e ações publicitárias de vendas virtuais até comprovação de estoque suficiente para atender pedidos. O caso ocorre em Goiânia, após ação civil pública por práticas abusivas contra consumidores, com o promotor Élvio Vicente da Silva destacando a republicação do conteúdo no perfil da empresa como tentativa de burla.

A Wepink, da qual Virginia é sócia ao lado de Thiago Stabile e Chaopeng Tan, enfrenta acusações de publicidade enganosa e má-fé contratual. Consumidores relatam atrasos em entregas e dificuldades em reembolsos, levando a mais de 90 mil reclamações no Reclame Aqui em 2024.

Detalhes da divulgação irregular

O vídeo em questão foi postado por Virginia em 18 de outubro, mostrando o perfume com descontos de R$ 54, e republicado pela Wepink.

O promotor argumenta que a estratégia de stories compartilhados, com links de compra no perfil da influenciadora, ignora a restrição imposta pela juíza Tatianne Marcella.

Essa ação ocorre em meio a uma audiência de conciliação marcada para 9 de dezembro de 2025, no Fórum de Goiânia.

Práticas abusivas identificadas na ação

A investigação do MP-GO aponta falhas recorrentes na operação da Wepink.

  • Falta de entrega de produtos, com esperas de até sete meses em casos analisados pelo Procon.
  • Dificuldade em processar reembolsos, mesmo após solicitação formal de cancelamento.
  • Atendimento automatizado ineficiente, sem resolução de demandas em até 24 horas.

O sócio Thiago Stabile admitiu em transmissão ao vivo que o crescimento rápido da empresa causou esgotamento de matérias-primas, justificando atrasos.

Medidas judiciais impostas à Wepink

A liminar de outubro determina suspensão de transmissões ao vivo comerciais até comprovação documental de estoque.

A empresa deve criar, em 30 dias, um canal de atendimento humano acessível por telefone e outros meios, com resposta inicial obrigatória em 24 horas.

Além disso, a Wepink precisa divulgar em redes sociais e site oficial procedimentos claros para cancelamentos, trocas e reembolsos.

O descumprimento de cada obrigação acarreta multa de R$ 100 mil por ocorrência, além de R$ 1 mil adicional por falha em divulgações.

A decisão reforça a responsabilidade solidária dos sócios, incluindo Virginia, por danos causados aos consumidores.

Volume de reclamações e impacto

Mais de 340 denúncias formais foram registradas no Procon Goiás entre 2024 e 2025, focadas em violações ao Código de Defesa do Consumidor. O MP destaca que a estratégia de flash sales, promoções relâmpago divulgadas por Virginia, cria urgência artificial e explora vulnerabilidades de compradores jovens. Em um exemplo, uma consumidora esperou sete meses por um cosmético não entregue e enfrentou recusa em estorno. A ação civil pública, protocolada em 8 de outubro, acusa descumprimento de oito artigos do CDC, como direito à informação clara e reparação por danos. O faturamento anual da Wepink, estimado em R$ 750 milhões, contrasta com o descaso pós-venda relatado.

Repercussão e próximos passos

A defesa da Wepink informou que ainda não foi citada formalmente na ação inicial e aguardará para se manifestar.

O MP requer indenização por dano moral coletivo de R$ 5 milhões, revertida ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor, além de reparações individuais para lesados.

Consumidores afetados podem pleitear indenizações comprovando compras e prejuízos via processos judiciais.

Histórico de queixas contra a marca

A Wepink acumula críticas desde o lançamento, com foco em cosméticos e perfumes vendidos via redes sociais. Em 2024, o site Reclame Aqui registrou 94 mil relatos, muitos sobre produtos defeituosos ou diferentes dos anunciados. O Procon lavrou auto de infração em agosto de 2025, após investigação que confirmou exclusão de comentários negativos nas plataformas da empresa. Essa prática, segundo o MP, oculta reclamações e agrava a vulnerabilidade de seguidores influenciados pela imagem de Virginia. Casos isolados, como entrega de perfumes com odor inadequado, ilustram falhas na qualidade. O órgão enfatiza que a expansão rápida não justifica violações contratuais.

Obrigações pendentes e fiscalização

A liminar exige lista completa de todas as reclamações desde o início das operações da Wepink.

A empresa deve resolver demandas pendentes em até 15 dias, com acompanhamento em tempo real para reembolsos e rastreamento de entregas.

Fiscalização pelo MP-GO continuará monitorando o cumprimento, com possibilidade de novas multas por reiteração.

Estratégias de vendas sob escrutínio

As lives de Virginia, que impulsionaram vendas como o lançamento do perfume Liberté com R$ 9,2 milhões em uma hora, agora enfrentam restrições.

O MP argumenta que o formato incentiva compras impulsivas sem garantia de suprimento, violando o artigo 35 do CDC sobre ofertas vinculantes.

Sócios respondem pessoalmente, dada a participação ativa em promoções que geraram os problemas.

A Wepink planeja expansão física, como loja no Acre em outubro de 2025, mas o foco judicial permanece nas vendas digitais.

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