Vasco ajusta garantia de empréstimo com Crefisa para 10% da SAF e avança em recuperação judicial

Vasco da Gama

Vasco da Gama – Foto: Instagram

Vasco da Gama ajustou os termos do empréstimo de R$ 80 milhões contratado com a Crefisa, reduzindo a garantia para 10% do capital social da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A mudança ocorreu nesta segunda-feira, 6 de outubro de 2025, no Rio de Janeiro, após recomendação da administradora judicial conjunta, com o objetivo de alinhar a operação à Lei de Recuperação Judicial e evitar questionamentos futuros.

A instituição financeira concordou com a alteração, mantendo o valor total e as demais condições inalteradas. O financiamento, na modalidade DIP para empresas em recuperação, visa cobrir despesas operacionais urgentes, como salários e obrigações fiscais.

A direção vascaína enviou petição à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro solicitando autorização judicial para a nova estrutura de garantias. As ações em questão pertencem ao Clube de Regatas Vasco da Gama e integram seu ativo não circulante.

— Vasco da Gama (@VascodaGama) October 6, 2025

Negociação inicial com instituições financeiras

A escolha da Crefisa resultou de um processo seletivo envolvendo mais de 60 instituições. Dessas, 40 assinaram termos de confidencialidade para negociações detalhadas, culminando em cinco propostas finais.

O presidente Pedrinho destacou que as condições apresentadas pela Crefisa se mostraram as mais adequadas para o momento da recuperação. O relacionamento prévio com José Roberto Lamachia, sócio da empresa, facilitou o diálogo.

Detalhes da garantia ajustada

A nova garantia consiste na alienação fiduciária de 10 mil ações ordinárias de classe A da SAF, livres de ônus. Essa medida atende ao artigo 69-A da Lei 11.101/2005, que regula ativos em processos de recuperação.

  • As ações representam exatamente 10% do capital social da SAF vascaína.
  • Elas permanecem sob controle do clube, transferindo-se apenas em caso de inadimplência.
  • A operação exige aprovação do conselho deliberativo e da juíza responsável pelo caso.

A petição inclui entrega de contratos atualizados em envelope lacrado, sob sigilo de justiça, para análise judicial.

Cronograma de liberação dos recursos

O clube planeja receber R$ 70 milhões em outubro, divididos em duas parcelas iniciais. A primeira, de R$ 30 milhões, depende de autorização imediata para quitação de compromissos pendentes.

Posteriormente, entram R$ 40 milhões até o dia 26 do mesmo mês. As parcelas restantes, de R$ 5 milhões cada, ocorrem nos meses seguintes, totalizando os R$ 80 milhões.

O fluxo atende a projeções de caixa que estimam R$ 170 milhões em despesas operacionais até dezembro de 2025. Isso inclui pagamentos a fornecedores e obrigações trabalhistas.

Condições contratuais mantidas

O contrato prevê carência de 12 meses para pagamentos, seguida de amortizações trimestrais em até 36 meses totais. Os juros seguem taxa de CDI acrescida de 7 pontos percentuais.

Uma cláusula exige aprovação prévia da Crefisa para alterações no controle societário da SAF até junho de 2026. Isso protege os interesses da credora sem afetar receitas futuras, como direitos de transmissão.

Aspectos jurídicos da operação

A modalidade DIP permite que empresas em recuperação obtenham financiamento prioritário para manutenção de atividades. No caso vascaíno, o empréstimo não compromete ativos essenciais, como o estádio São Januário.

A administradora judicial validou a renegociação como ato de boa-fé, alinhado aos princípios da lei. O processo seletivo de credores reforçou a transparência na escolha da parceira financeira.

Auditores independentes analisaram as propostas para garantir conformidade com normas regulatórias. A aprovação judicial é o último passo para efetivação.

Projeções financeiras para o clube

A injeção de recursos equilibra o fluxo de caixa afetado pela saída da 777 Partners, ex-gestora da SAF. O clube estima redução de riscos em atrasos operacionais com o uso direcionado dos fundos.

Investimentos em projetos incentivados complementam o financiamento principal. A direção monitora mensalmente o cumprimento dos convenants contratuais.

Essa estrutura apoia a continuidade das operações enquanto avança o plano de recuperação. O foco permanece na sustentabilidade a longo prazo.

Uso direcionado do financiamento

Os R$ 80 milhões destinam-se exclusivamente a despesas correntes. Prioridades incluem regularização de folha salarial e pagamentos a prestadores de serviços essenciais.

  • Salários de atletas e funcionários: cerca de 40% do total alocado.
  • Fornecedores estratégicos: 30%, para manutenção de infraestrutura.
  • Obrigações fiscais e trabalhistas: 20%, evitando penalidades.
  • Reserva para emergências operacionais: 10%, sob supervisão judicial.

O detalhamento foi apresentado em petição para rastreabilidade total dos desembolsos.

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